<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Pílulas Paliativas]]></title><description><![CDATA[Pílulas Paliativas são conteúdos concisos e baseados em evidências sobre Cuidados Paliativos para profissionais de saúde. Conteúdo gratuito, aplicável à prática clínica e editado pela Dra. Fernanda Tourinho, fundadora da Escola de Habilidades Paliativas.]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zTO2!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8a56e03e-897f-4576-b4ea-7d05a305fdc6_256x256.png</url><title>Pílulas Paliativas</title><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Fri, 16 Oct 2026 06:19:38 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Fernanda Tourinho]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[pilulaspaliativas@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[pilulaspaliativas@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Fernanda Tourinho]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Fernanda Tourinho]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[pilulaspaliativas@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[pilulaspaliativas@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Fernanda Tourinho]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #089]]></title><description><![CDATA[Palliative Performance Scale (PPS)]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-089</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-089</guid><pubDate>Wed, 14 Oct 2026 12:01:36 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ddb74443-6516-4a27-a98f-e75add84921e_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">Categorias: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/fundamentos">Fundamentos</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/avaliacao-prognostica">Avalia&#231;&#227;o progn&#243;stica</a>
Autor(a): Juliana Martins, m&#233;dica cl&#237;nica e paliativista
Publicado em: 14/10/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>Avaliar <em><strong>funcionalidade</strong></em> faz parte da rotina de quem cuida de pessoas com <em><strong>doen&#231;as amea&#231;adoras &#224; vida</strong></em>. Percebemos quando algu&#233;m deixa de sair de casa, passa a precisar de ajuda para o banho ou permanece a maior parte do dia no leito, e transformar essas observa&#231;&#245;es em uma medida padronizada permite acompanhar mudan&#231;as ao longo do tempo e comunicar de forma mais objetiva o estado funcional entre profissionais.</p><p>A <em><strong>Palliative Performance Scale (PPS)</strong></em> &#233; uma das escalas mais utilizadas em <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>. A familiaridade com seu nome, entretanto, n&#227;o significa necessariamente familiaridade com seu uso: seu uso correto exige conhecer a l&#243;gica de pontua&#231;&#227;o. Quando as cinco dimens&#245;es parecem apontar para valores diferentes, n&#227;o devemos calcular uma m&#233;dia nem compensar uma limita&#231;&#227;o importante com outra fun&#231;&#227;o preservada. Tamb&#233;m &#233; preciso distinguir o que a escala descreve daquilo que ela permite inferir sobre <em><strong>progn&#243;stico</strong></em>. Nesta <em><strong>#PP</strong></em>, vamos revisar como pontuar o <em><strong>PPS</strong></em> e como interpretar seus resultados.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? 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Ela classifica a <em><strong>funcionalidade</strong></em> &#8212; leia mais sobre o tema na <em><strong><a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-026">#PP026 Funcionalidade</a></strong></em> &#8212; em 11 n&#237;veis, de 100% a 0%, sempre em intervalos de 10% &#8212; portanto, n&#227;o existe PPS de 45% ou 75%. Para chegar ao escore, s&#227;o avaliadas cinco dimens&#245;es: <em><strong>deambula&#231;&#227;o</strong></em>; atividade e evid&#234;ncia de doen&#231;a; autocuidado; ingesta; e n&#237;vel de consci&#234;ncia.</p><p>A pontua&#231;&#227;o n&#227;o &#233; definida pela &#8220;m&#233;dia&#8221; das cinco dimens&#245;es. A leitura &#233; feita da esquerda para a direita e, quando as descri&#231;&#245;es apontam para n&#237;veis diferentes, as colunas mais &#224; esquerda t&#234;m maior peso na defini&#231;&#227;o do <em><strong>PPS</strong></em>. Assim, come&#231;amos pela <em><strong>deambula&#231;&#227;o</strong></em>, seguida de atividade e evid&#234;ncia de doen&#231;a; depois consideramos autocuidado, ingesta e n&#237;vel de consci&#234;ncia. Isso n&#227;o significa que as primeiras vari&#225;veis tenham necessariamente, de forma individual, maior valor progn&#243;stico, mas apenas que recebem maior peso na defini&#231;&#227;o da pontua&#231;&#227;o do <em><strong>PPS</strong></em>.</p><p>Na pr&#225;tica: imagine uma pessoa que permanece a maior parte do tempo no leito, &#233; incapaz de realizar a maioria das atividades e necessita de assist&#234;ncia quase completa para o autocuidado, mas ainda se alimenta razoavelmente e est&#225; plenamente consciente. Ingesta e consci&#234;ncia preservadas n&#227;o elevam automaticamente a pontua&#231;&#227;o: o conjunto &#233; compat&#237;vel com <em><strong>PPS</strong></em> 40%. Esse exemplo refor&#231;a a l&#243;gica de leitura da esquerda para a direita: dimens&#245;es mais preservadas &#224; direita n&#227;o devem elevar a pontua&#231;&#227;o quando as dimens&#245;es &#224; esquerda indicam um <em><strong>PPS</strong></em> mais baixo.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dQWD!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff64aefca-8dd8-4e0f-a8c4-5d306a4a619a_1808x1080.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!dQWD!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff64aefca-8dd8-4e0f-a8c4-5d306a4a619a_1808x1080.png 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" 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Escala de funcionalidade composta por cinco dimens&#245;es &#8212; deambula&#231;&#227;o, atividade e evid&#234;ncia de doen&#231;a, autocuidado, ingesta e n&#237;vel de consci&#234;ncia &#8212;, com escores de 100% a 0%, em intervalos de 10%</figcaption></figure></div><div><hr></div><h4>Por que o PPS &#233; t&#227;o &#250;til?</h4><p>Uma das principais vantagens do <em><strong>PPS</strong></em> &#233; reunir, em uma &#250;nica medida, diferentes manifesta&#231;&#245;es da perda de <em><strong>funcionalidade</strong></em> que observamos &#224; beira do leito. Em vez de registrar apenas que o paciente &#8220;est&#225; mais debilitado&#8221;, podemos traduzir mudan&#231;as de capacidades espec&#237;ficas em uma medida padronizada. Al&#233;m de facilitar a comunica&#231;&#227;o entre profissionais, isso permite comparar avalia&#231;&#245;es realizadas em momentos diferentes da trajet&#243;ria do paciente e reconhecer mais objetivamente a evolu&#231;&#227;o funcional.</p><p>Al&#233;m de descrever a <em><strong>funcionalidade</strong></em>, o <em><strong>PPS</strong></em> tamb&#233;m tem valor como <em><strong>fator progn&#243;stico</strong></em>: escores mais baixos est&#227;o associados a menor <em><strong>sobrevida</strong></em> em diferentes estudos. A trajet&#243;ria funcional e a velocidade da piora acrescentam informa&#231;&#227;o ao valor isolado. Um <em><strong>PPS</strong></em> de 40% est&#225;vel h&#225; meses tem significado cl&#237;nico diferente de uma queda de 70% para 40% em poucas semanas.</p><p>A aplica&#231;&#227;o seriada permite transformar uma impress&#227;o de decl&#237;nio em informa&#231;&#227;o funcional compar&#225;vel ao longo do tempo. A interpreta&#231;&#227;o progn&#243;stica, contudo, depende da popula&#231;&#227;o e do contexto em que a escala &#233; utilizada.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? 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No caso do <em><strong>PPS</strong></em>, embora existam estudos em diferentes popula&#231;&#245;es, a evid&#234;ncia progn&#243;stica &#233; mais robusta em pessoas com c&#226;ncer avan&#231;ado e em popula&#231;&#245;es acompanhadas por servi&#231;os de <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> ou <em><strong>hospice</strong></em>. Isso exige cautela ao extrapolar a rela&#231;&#227;o entre determinada pontua&#231;&#227;o e <em><strong>sobrevida</strong></em> para outras doen&#231;as e cen&#225;rios assistenciais.</p><p>H&#225; ainda uma limita&#231;&#227;o inerente &#224; pr&#243;pria escala: o <em><strong>PPS</strong></em> descreve como a pessoa est&#225; naquele momento, mas n&#227;o explica por que ela est&#225; assim. Uma queda funcional provocada pela progress&#227;o irrevers&#237;vel da doen&#231;a tem significado diferente daquela causada por uma intercorr&#234;ncia potencialmente revers&#237;vel, como infec&#231;&#227;o, hipercalcemia ou efeito de medicamentos. O mesmo cuidado &#233; necess&#225;rio diante de limita&#231;&#245;es funcionais que antecedem e n&#227;o decorrem da doen&#231;a em atividade. Uma pessoa com <em><strong>paraplegia</strong></em>, <em><strong>tetraplegia</strong></em> ou <em><strong>paresia</strong></em> pr&#233;via, por exemplo, pode pontuar baixo em <em><strong>deambula&#231;&#227;o</strong></em> e autocuidado por sua condi&#231;&#227;o basal, e n&#227;o por progress&#227;o da doen&#231;a. Nesses casos, o valor absoluto do <em><strong>PPS</strong></em> pode n&#227;o refletir adequadamente o impacto da doen&#231;a em atividade sobre a <em><strong>funcionalidade</strong></em> &#8212; e seu significado progn&#243;stico deve ser interpretado com cautela.</p><p>Embora o <em><strong>PPS</strong></em> seja um <em><strong>fator progn&#243;stico</strong></em>, ele n&#227;o deve ser usado isoladamente para estimar a <em><strong>sobrevida</strong></em> individual de um paciente. A avalia&#231;&#227;o progn&#243;stica deve integrar trajet&#243;ria da doen&#231;a, velocidade do decl&#237;nio, sintomas, complica&#231;&#245;es e outros <em><strong>fatores progn&#243;sticos</strong></em>, al&#233;m da <em><strong>funcionalidade</strong></em> medida pelo PPS.</p><div><hr></div><h4><strong>Quer aprofundar este tema?</strong></h4><p>O <em><strong>PPS</strong></em> &#233; uma das ferramentas abordadas no <strong><a href="https://habilidadespaliativas.com.br/epali02/?utm_source=pilulas_paliativas&amp;utm_medium=banner&amp;utm_content=pp089">e-pali 2 &#8212; Progn&#243;stico e Funcionalidade</a></strong>, em que aprofundamos a avalia&#231;&#227;o da <em><strong>funcionalidade</strong></em> e sua rela&#231;&#227;o com o <em><strong>progn&#243;stico</strong></em>, al&#233;m de outras escalas funcionais, m&#233;todos progn&#243;sticos e formas de integrar essas informa&#231;&#245;es ao racioc&#237;nio cl&#237;nico.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://habilidadespaliativas.com.br/epali02/?utm_source=pilulas_paliativas&amp;utm_medium=banner&amp;utm_content=pp089" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Cbyy!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa2929d68-011a-4edd-8c52-4c50c84f270b_3000x1000.jpeg 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Cbyy!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa2929d68-011a-4edd-8c52-4c50c84f270b_3000x1000.jpeg 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Cbyy!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa2929d68-011a-4edd-8c52-4c50c84f270b_3000x1000.jpeg 1272w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">O e-pali &#233; um produto da Escola de Habilidades Paliativas. Esta recomenda&#231;&#227;o &#233; inserida pela Escola e n&#227;o implica endosso dos autores desta P&#237;lula.</figcaption></figure></div><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong>Comece</strong> pela esquerda. Avalie primeiro a <em><strong>deambula&#231;&#227;o</strong></em> e avance pelas demais dimens&#245;es. Quando as descri&#231;&#245;es apontarem para n&#237;veis diferentes, as colunas mais &#224; esquerda t&#234;m maior peso na defini&#231;&#227;o do escore.</p></li><li><p><strong>Escolha</strong> a linha que melhor representa a <em><strong>funcionalidade</strong></em> do paciente considerando o conjunto das cinco dimens&#245;es. O <em><strong>PPS</strong></em> &#233; atribu&#237;do em intervalos de 10%: quando o paciente apresenta caracter&#237;sticas de linhas diferentes, n&#227;o calcule uma m&#233;dia entre elas; decida a que melhor representa a funcionalidade do paciente.</p></li><li><p><strong>Registre</strong> o <em><strong>PPS</strong></em> de forma seriada. Um valor isolado descreve a <em><strong>funcionalidade</strong></em> naquele momento; avalia&#231;&#245;es sucessivas ajudam a reconhecer sua trajet&#243;ria.</p></li><li><p><strong>Pergunte</strong> o que explica aquela pontua&#231;&#227;o. Diante de uma redu&#231;&#227;o do <em><strong>PPS</strong></em>, investigue se ela acompanha a progress&#227;o da doen&#231;a ou se h&#225; fatores potencialmente revers&#237;veis contribuindo para a perda funcional.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; <em>Quando recebo um paciente com um </em><strong>PPS</strong><em> baixo, duas perguntas me interessam tanto quanto a pontua&#231;&#227;o: &#8220;qual era o </em><strong>PPS</strong><em> antes?&#8221; e &#8220;o que aconteceu para ele chegar at&#233; aqui?&#8221;. Um </em><strong>PPS</strong><em> de 30% em uma pessoa que mant&#233;m essa </em><strong>funcionalidade</strong><em> h&#225; meses n&#227;o carrega a mesma informa&#231;&#227;o que uma queda de 70% para 30% em poucas semanas. E se essa perda ocorreu durante uma intercorr&#234;ncia potencialmente revers&#237;vel, talvez nem represente a nova condi&#231;&#227;o basal do paciente. O n&#250;mero ganha significado quando avaliamos dentro de uma trajet&#243;ria.</em></p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>Os Cuidados Paliativos t&#234;m uma linguagem pr&#243;pria.</strong><br>O Gloss&#225;rio Paliativo re&#250;ne mais de 400 conceitos, organizados em uma biblioteca gratuita e atualizada continuamente para apoiar sua pr&#225;tica cl&#237;nica.</h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png" width="1456" height="485" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:485,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>&#128073; Esta edi&#231;&#227;o cita 14 conceitos, dispon&#237;veis gratuitamente no <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/">Gloss&#225;rio Paliativo</a>:</p><p style="text-align: center;"><a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/cuidados-paliativos">Cuidados Paliativos</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/doenca-ameacadora-a-vida">Doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/funcionalidade">Funcionalidade</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/palliative-performance-scale-pps">Palliative Performance Scale (PPS)</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/prognostico">Progn&#243;stico</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/karnofsky-performance-scale-kps">Karnofsky Performance Scale (KPS)</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/deambulacao">Deambula&#231;&#227;o</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/fator-prognostico">Fator progn&#243;stico</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/sobrevida">Sobrevida</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/ferramenta-prognostica">Ferramenta progn&#243;stica</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/hospice">Hospice</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/paraplegia">Paraplegia</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/tetraplegia">Tetraplegia</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/paresia">Paresia</a></p><p>O <em><strong>Gloss&#225;rio Paliativo</strong></em> cresce continuamente, com novos conceitos incorporados a cada edi&#231;&#227;o das <em><strong>P&#237;lulas Paliativas</strong></em>.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Explorar o gloss&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/"><span>Explorar o gloss&#225;rio</span></a></p><p></p><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Victoria Hospice Society. Palliative Performance Scale (PPSv2). Victoria, BC: Victoria Hospice Society; 2001.</p></li><li><p>Baik D, Russell D, Jordan L, Dooley F, Bowles KH, Masterson Creber RM. Using the Palliative Performance Scale to Estimate Survival for Patients at the End of Life: A Systematic Review of the Literature. <em>Journal of Palliative Medicine</em>. 2018;21(11):1651-1661.</p></li><li><p>Hsien Seow et al. Trajectory of Performance Status and Symptom Scores for Patients With Cancer During the Last Six Months of Life. J Clin Oncol 29, 1151-1158(2011).</p></li><li><p>Downing M, Lau F, Lesperance M, et al. Meta-analysis of Survival Prediction with Palliative Performance Scale. Journal of Palliative Care. 2007;23(4):245-254.</p></li><li><p>Anderson F, Downing GM, Hill J, Casorso L, Lerch N. Palliative Performance Scale (PPS): A New Tool. Journal of Palliative Care. 1996;12(1):5-11.</p></li><li><p>Bischoff KE, Patel K, Boscardin WJ, O&#8217;Riordan DL, Pantilat SZ, Smith AK. Prognoses Associated With Palliative Performance Scale Scores in Modern Palliative Care Practice. JAMA Netw Open. 2024;7(7):e2420472.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #088]]></title><description><![CDATA[Diagrama da Abordagem Multidimensional (DAM)]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-088</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-088</guid><pubDate>Wed, 07 Oct 2026 12:01:58 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/4ef9892e-87a9-471d-af6c-6851fa3d0361_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">Categorias: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-sintomas">Manejo de sintomas</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/resolucao-de-conflitos">Resolu&#231;&#227;o de conflitos</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/tomada-de-decisao">Tomada de decis&#227;o</a>
Autor(a): Juliana Martins, m&#233;dica cl&#237;nica e paliativista
Publicado em: 07/10/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>Na <em><strong><a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-010">PP #010 Dor total</a></strong></em>, discutimos um conceito fundamental para os <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>: o <em><strong>sofrimento</strong></em> humano n&#227;o cabe em uma &#250;nica dimens&#227;o. Um sintoma f&#237;sico pode ser agravado por medo, dificuldades financeiras, conflitos familiares ou quest&#245;es espirituais &#8212; e, muitas vezes, tentar trat&#225;-lo olhando apenas para o corpo resulta em respostas insuficientes.</p><p>Reconhecer essa multidimensionalidade &#233; apenas o primeiro passo. Em casos complexos, a equipe precisa organizar informa&#231;&#245;es, identificar prioridades e relacionar cada <em><strong>sofrimento</strong></em> &#224;s poss&#237;veis interven&#231;&#245;es e aos <em><strong>objetivos do cuidado</strong></em>. O <em><strong>Diagrama da Abordagem Multidimensional (DAM)</strong></em> &#233; um modelo did&#225;tico criado para apoiar esse racioc&#237;nio e a discuss&#227;o multiprofissional. Nesta <em><strong>#PP</strong></em>, vamos mostrar como utiliz&#225;-lo para organizar o caso e construir um <em><strong>plano de cuidados</strong></em>.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? Subscreva seu e-mail gratuitamente para receber novos conte&#250;dos toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>Quatro dimens&#245;es, mas sem criar quatro caixas</h4><p>O <em><strong>DAM</strong></em> &#233; um instrumento brasileiro e parte da divis&#227;o did&#225;tica do <em><strong>sofrimento</strong></em> em quatro dimens&#245;es: f&#237;sica, social/familiar, emocional/psicol&#243;gica e religiosa/espiritual. Essa organiza&#231;&#227;o permite que, diante de um caso complexo, a equipe distribua visualmente informa&#231;&#245;es que muitas vezes aparecem misturadas na narrativa cl&#237;nica e amplie o olhar para al&#233;m da doen&#231;a e dos sintomas f&#237;sicos.</p><p>Os quadrantes n&#227;o representam compartimentos independentes. Um mesmo <em><strong>sofrimento</strong></em> pode atravessar mais de uma dimens&#227;o e, nesses casos, pode ser repetido nos quadrantes envolvidos ou posicionado na regi&#227;o de transi&#231;&#227;o entre eles. O medo da morte, por exemplo, pode ter componentes emocionais/psicol&#243;gicos e religiosos/espirituais; a preocupa&#231;&#227;o com quem cuidar&#225; dos filhos pode envolver simultaneamente aspectos sociais/familiares e emocionais. O objetivo &#233; reconhecer quais dimens&#245;es participam daquele <em><strong>sofrimento</strong></em>, pois isso ajuda a definir quais abordagens podem ser necess&#225;rias.</p><p>Essa &#233; uma das vantagens da representa&#231;&#227;o visual: o <em><strong>DAM</strong></em> n&#227;o pretende criar um gabarito que decomponha a pessoa em quatro partes independentes, mas sim tornar vis&#237;vel a intera&#231;&#227;o entre diferentes fontes de <em><strong>sofrimento</strong></em>. A divis&#227;o em quadrantes &#233; um recurso para organizar o racioc&#237;nio, n&#227;o uma afirma&#231;&#227;o de que aquilo que acontece em uma dimens&#227;o termina onde come&#231;a a outra. O pr&#243;prio modelo apresenta essa divis&#227;o como did&#225;tica, destinada a facilitar o reconhecimento dos diferentes tipos de <em><strong>sofrimento</strong></em>, das interven&#231;&#245;es poss&#237;veis e dos objetivos que se pretende alcan&#231;ar com o cuidado.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YO8s!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4c22350e-2ae1-46ad-9a54-232dd7788f61_1630x965.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YO8s!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4c22350e-2ae1-46ad-9a54-232dd7788f61_1630x965.png 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" 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Adaptado livremente para fins did&#225;ticos.</figcaption></figure></div><div><hr></div><h4>Antes de preencher o diagrama: quem estamos avaliando?</h4><p>Antes de preencher o <em><strong>DAM</strong></em>, &#233; preciso definir quem est&#225; sendo avaliado. O instrumento &#233; utilizado principalmente para organizar a avalia&#231;&#227;o multidimensional do paciente, que habitualmente ocupa o centro do diagrama. O mesmo modelo, entretanto, tamb&#233;m pode ser aplicado para compreender os <em><strong>sofrimentos</strong></em> da fam&#237;lia ou da pr&#243;pria equipe, construindo-se, nesses casos, um <em><strong>DAM</strong></em> espec&#237;fico para cada um desses grupos.</p><p>No <strong>c&#237;rculo mais interno</strong>, identificamos quem est&#225; sendo avaliado e registramos as informa&#231;&#245;es necess&#225;rias para compreender seu contexto. Quando o foco &#233; o <strong>paciente</strong>, podem entrar, na dimens&#227;o f&#237;sica, diagn&#243;sticos, comorbidades e <em><strong>funcionalidade</strong></em>; na social/familiar, composi&#231;&#227;o familiar, escolaridade, profiss&#227;o, moradia e elementos da biografia; na emocional/psicol&#243;gica, formas habituais de enfrentamento e conhecimento sobre diagn&#243;stico e <em><strong>progn&#243;stico</strong></em>; e, na religiosa/espiritual, religi&#227;o, pertencimento a uma comunidade religiosa e outras refer&#234;ncias espirituais relevantes.</p><p>Se o foco &#233; a <em><strong>fam&#237;lia</strong></em>, entendida aqui para al&#233;m dos v&#237;nculos consangu&#237;neos ou legais e incluindo as pessoas que comp&#245;em o n&#250;cleo afetivo e participam de forma significativa da vida e do cuidado do paciente, muda tamb&#233;m aquilo que precisamos conhecer. Quem s&#227;o essas pessoas? Quem exerce o papel de cuidador? Como est&#227;o organizados os cuidados, a moradia, o trabalho e os recursos dispon&#237;veis? Como seus integrantes costumam enfrentar situa&#231;&#245;es dif&#237;ceis e o que compreendem sobre a doen&#231;a e o <em><strong>progn&#243;stico</strong></em>? Existem cren&#231;as, valores, pr&#225;ticas religiosas ou espirituais relevantes para a maneira como est&#227;o vivendo o adoecimento? N&#227;o se trata de preencher obrigatoriamente todas essas informa&#231;&#245;es, mas de registrar os fatos que ajudam a compreender quem &#233; essa fam&#237;lia antes de analisar onde est&#225; seu <em><strong>sofrimento</strong></em>.</p><p>O mesmo racioc&#237;nio pode ser aplicado quando a <strong>equipe</strong> &#233; colocada no centro. Nesse caso, interessam caracter&#237;sticas concretas daquele grupo e do contexto assistencial: quem comp&#245;e a equipe e quais profissionais est&#227;o envolvidos diretamente no caso; como est&#227;o distribu&#237;das responsabilidades e decis&#245;es; como ocorre a comunica&#231;&#227;o entre seus membros; quais s&#227;o os limites e recursos dispon&#237;veis naquele cen&#225;rio; e que valores ou perspectivas influenciam a maneira como o caso est&#225; sendo compreendido. Ainda n&#227;o estamos registrando aqui o <em><strong>sofrimento</strong></em> da equipe &#8212; conflitos, ang&#250;stia, impot&#234;ncia ou <em><strong>sofrimento moral</strong></em>, por exemplo, pertencem ao c&#237;rculo seguinte. No c&#237;rculo interno, estamos construindo o contexto necess&#225;rio para compreend&#234;-los.</p><p>Esse primeiro c&#237;rculo organiza, portanto, o contexto de quem est&#225; sendo avaliado antes de passarmos &#224; identifica&#231;&#227;o dos <em><strong>sofrimentos</strong></em>.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? 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Elas organizam informa&#231;&#245;es de naturezas diferentes e conduzem o racioc&#237;nio em uma sequ&#234;ncia bastante pr&#225;tica: <em><strong>sofrimentos</strong></em><strong> </strong>&#8594; a&#231;&#245;es &#8594; objetivos.</p><p>O c&#237;rculo intermedi&#225;rio &#233; o do <em><strong>sofrimento</strong></em>. Aqui registramos os <em><strong>sofrimentos</strong></em> identificados pela equipe, sejam aqueles relatados ou apresentados no momento, sejam <em><strong>sofrimentos</strong></em> que conseguimos antecipar. Mais uma vez, percorremos as diferentes dimens&#245;es: sintomas f&#237;sicos; preocupa&#231;&#245;es financeiras ou relacionadas ao cuidado; medo, culpa ou dificuldades de comunica&#231;&#227;o; conflitos religiosos ou interrup&#231;&#227;o de pr&#225;ticas espirituais importantes s&#227;o alguns exemplos. A equipe deve assumir uma postura de busca ativa, procurando compreender n&#227;o apenas qual &#233; o <em><strong>sofrimento</strong></em>, mas tamb&#233;m suas poss&#237;veis causas.</p><p>E &#233; justamente aqui que a escolha de quem est&#225; no centro ganha import&#226;ncia. Se estamos construindo um <em><strong>DAM</strong></em> do paciente, registramos os <em><strong>sofrimentos</strong></em> experimentados por ele; se o foco &#233; a fam&#237;lia, buscamos os <em><strong>sofrimentos</strong></em> daquela fam&#237;lia; se &#233; a equipe, interrogamos aquilo que est&#225; produzindo sofrimento entre os profissionais envolvidos no cuidado.</p><p>No c&#237;rculo mais externo est&#227;o as a&#231;&#245;es. Reconhecidos os <em><strong>sofrimentos</strong></em>, passamos &#224;s atitudes e condutas que podem contribuir para minimiz&#225;-los ou resolv&#234;-los. Isso pode significar instituir medidas farmacol&#243;gicas ou n&#227;o farmacol&#243;gicas para um <em><strong>sintoma</strong></em>, mobilizar direitos e recursos da rede de apoio, oferecer escuta e acompanhamento psicol&#243;gico, facilitar pr&#225;ticas espirituais importantes ou realizar uma <em><strong>reuni&#227;o familiar</strong></em> com um objetivo espec&#237;fico. Sempre que poss&#237;vel, as a&#231;&#245;es constru&#237;das pela equipe devem ser compartilhadas com o paciente e a fam&#237;lia.</p><p>As a&#231;&#245;es n&#227;o devem ser registradas como uma lista gen&#233;rica de condutas. Cada a&#231;&#227;o deve estar relacionada a um ou mais <em><strong>sofrimentos</strong></em> identificados anteriormente. Se determinada interven&#231;&#227;o n&#227;o se relaciona a nenhum problema que reconhecemos, talvez seja preciso perguntar por que ela est&#225; no <em><strong>plano de cuidados</strong></em>; da mesma forma, um <em><strong>sofrimento</strong></em> sem qualquer a&#231;&#227;o correspondente pode revelar uma necessidade ainda n&#227;o contemplada pela equipe.</p><p>Por fim, na regi&#227;o mais externa do diagrama, o <em><strong>DAM</strong></em> deve conter os <em><strong>objetivos do cuidado</strong></em> em cada dimens&#227;o. Controle de sintomas, organiza&#231;&#227;o de quest&#245;es financeiras, amparo ao cuidador e &#224; fam&#237;lia, ressignifica&#231;&#227;o de medos e culpas, possibilidade de receber ritos importantes, constru&#231;&#227;o de legado e uma morte digna e pac&#237;fica s&#227;o exemplos apresentados no pr&#243;prio instrumento.</p><p>Esse &#250;ltimo passo &#233; particularmente importante porque a&#231;&#227;o e objetivo n&#227;o s&#227;o sin&#244;nimos. Realizar uma <em><strong>reuni&#227;o familiar</strong></em> &#233; uma a&#231;&#227;o; construir uma compreens&#227;o compartilhada sobre o <em><strong>plano de cuidados</strong></em> pode ser seu objetivo. Prescrever um <em><strong>opioide</strong></em> &#233; uma a&#231;&#227;o; aliviar a <em><strong>dor</strong></em> ou a <em><strong>dispneia</strong></em> &#233; o que buscamos alcan&#231;ar. Ao tornar essa rela&#231;&#227;o vis&#237;vel, o <em><strong>DAM</strong></em> permite percorrer o caso nos dois sentidos: do <em><strong>sofrimento</strong></em> &#224;s a&#231;&#245;es e aos objetivos, mas tamb&#233;m dos <em><strong>objetivos do cuidado</strong></em> &#224;s a&#231;&#245;es necess&#225;rias para alcan&#231;&#225;-los.</p><p>O principal valor do <em><strong>DAM</strong></em> est&#225; no racioc&#237;nio cl&#237;nico que sua constru&#231;&#227;o provoca e organiza. Ao tornar vis&#237;veis quem estamos avaliando, quais <em><strong>sofrimentos</strong></em> identificamos, o que podemos fazer diante deles e o que buscamos alcan&#231;ar, a ferramenta ajuda a equipe a organizar a complexidade sem reduzi-la &#8212; e a construir um <em><strong>plano de cuidados</strong></em> que possa ser compartilhado, revisitado e ajustado conforme as necessidades se modificam.</p><div><hr></div><h4><strong>Quer aprofundar este tema?</strong></h4><p>A abordagem multidimensional exige reconhecer como diferentes dimens&#245;es do sofrimento se relacionam e como essa leitura orienta o <em><strong>plano de cuidados</strong></em>. No <strong><a href="https://fernandatourinho.com.br/e-pali1-digital/?utm_source=pilulas_paliativas&amp;utm_medium=banner&amp;utm_content=pp088">e-pali 1 &#8212; Conceitos e Fundamentos</a></strong>, aprofundamos o conceito de <em><strong>dor total</strong></em> e os fundamentos da abordagem multidimensional, incluindo a constru&#231;&#227;o do <em><strong>plano de cuidados</strong></em>.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://fernandatourinho.com.br/e-pali1-digital/?utm_source=pilulas_paliativas&amp;utm_medium=banner&amp;utm_content=pp088" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!PbOg!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F148a6cc4-a636-4105-9ea9-274fb1f5dc1c_3000x1000.jpeg 424w, 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class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><em>O e-pali &#233; um produto da Escola de Habilidades Paliativas. Esta recomenda&#231;&#227;o &#233; inserida pela Escola e n&#227;o implica endosso dos autores desta P&#237;lula.</em></figcaption></figure></div><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong>Defina </strong>quem est&#225; no centro. Antes de preencher o <em><strong>DAM</strong></em>, deixe claro se naquele diagrama voc&#234; est&#225; avaliando o paciente, a fam&#237;lia/n&#250;cleo de apoio ou a equipe.</p></li><li><p><strong>Percorra </strong>as quatro dimens&#245;es sem trat&#225;-las como compartimentos independentes. Um mesmo <em><strong>sofrimento</strong></em> pode atravessar mais de uma dimens&#227;o e, se necess&#225;rio, pode ser repetido ou registrado na transi&#231;&#227;o entre os quadrantes.</p></li><li><p><strong>Fa&#231;a </strong>o caminho completo: <em><strong>sofrimento</strong></em> &#8594; a&#231;&#227;o &#8594; <em><strong>objetivo do cuidado</strong></em>. Isso ajuda a evitar tanto interven&#231;&#245;es sem prop&#243;sito claro quanto necessidades identificadas que ficam sem resposta.</p></li><li><p><strong>Construa e revisite </strong>o <em><strong>DAM</strong></em> em equipe. Necessidades, prioridades e possibilidades de cuidado podem mudar ao longo do tempo; o diagrama deve acompanhar essas mudan&#231;as.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; <em>Quando decido construir um <strong>DAM</strong> para um caso complexo, gosto de fazer tr&#234;s diagramas: um do paciente, um da fam&#237;lia ou n&#250;cleo de apoio e um da pr&#243;pria equipe. Separ&#225;-los ajuda a deixar mais claro quem &#233; o &#8220;dono&#8221; de cada <strong>sofrimento</strong>. Essa distin&#231;&#227;o pode mudar bastante a discuss&#227;o. O medo da fam&#237;lia de que o paciente morra em casa, por exemplo, n&#227;o deve ser automaticamente registrado como um <strong>sofrimento</strong> do paciente; da mesma forma, a ang&#250;stia da equipe diante de determinada decis&#227;o n&#227;o necessariamente pertence ao paciente ou &#224; fam&#237;lia. Quando cada um ocupa, por vez, o centro do seu pr&#243;prio <strong>DAM</strong>, fica mais f&#225;cil reconhecer quem est&#225; sofrendo, o que est&#225; produzindo aquele <strong>sofrimento</strong> e de que cuidado cada um precisa. Depois, podemos olhar os tr&#234;s diagramas em conjunto e compreender onde esses <strong>sofrimentos</strong> se encontram e se influenciam.</em></p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>Os Cuidados Paliativos t&#234;m uma linguagem pr&#243;pria.</strong><br>O Gloss&#225;rio Paliativo re&#250;ne mais de 400 conceitos, organizados em uma biblioteca gratuita e atualizada continuamente para apoiar sua pr&#225;tica cl&#237;nica.</h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png" width="1456" height="485" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:485,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>&#128073; Esta edi&#231;&#227;o cita 14 conceitos, dispon&#237;veis gratuitamente no <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/">Gloss&#225;rio Paliativo</a>:</p><p style="text-align: center;"><a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/cuidados-paliativos">Cuidados Paliativos</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/dor-total">Dor total</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/sofrimento">Sofrimento</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/diagrama-de-abordagem-multidimensional-dam">Diagrama de Abordagem Multidimensional (DAM)</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/plano-de-cuidados">Plano de cuidados</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/reuniao-familiar">Reuni&#227;o familiar</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/sintoma">Sintoma</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/opioide">Opioide</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/dor">Dor</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/dispneia">Dispneia</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/sofrimento-moral">Sofrimento moral</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/funcionalidade">Funcionalidade</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/prognostico">Progn&#243;stico</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/objetivo-do-cuidado">Objetivo do cuidado</a></p><p>O <em><strong>Gloss&#225;rio Paliativo</strong></em> cresce continuamente, com novos conceitos incorporados a cada edi&#231;&#227;o das <em><strong>P&#237;lulas Paliativas</strong></em>.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Explorar o gloss&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/"><span>Explorar o gloss&#225;rio</span></a></p><p></p><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Saporetti LA, Andrade L, Sachs MFA, Guimar&#227;es TVV. Diagn&#243;stico e abordagem do sofrimento humano. In: Carvalho RT, Parsons HA, organizadores. Manual de Cuidados Paliativos ANCP. 2&#170; ed. Porto Alegre: Sulina; 2012. p. 42-55. CP - Manual de Cuidados Paliati&#8230;</p></li><li><p>Lima LMC, Barbosa LC. Diagrama de Abordagem Multidimensional (DAM): instrumento de avalia&#231;&#227;o do sofrimento. In: D&#8217;Alessandro MPS, Pires CT, Forte DN, coordenadores. Manual de Cuidados Paliativos. 2&#170; ed. S&#227;o Paulo: Hospital S&#237;rio-Liban&#234;s; Minist&#233;rio da Sa&#250;de; 2023. p. 131-136.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #087]]></title><description><![CDATA[Prurido]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-087</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-087</guid><pubDate>Wed, 30 Sep 2026 12:04:24 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/224a0cf9-bf5e-45e7-bb2f-cbb6b16a02e6_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">Categorias: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-sintomas">Manejo de sintomas</a>
Autor(a): Juliana Martins, m&#233;dica cl&#237;nica e paliativista
Publicado em: 30/09/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>O <em><strong>prurido</strong></em> &#233; frequente na pr&#225;tica cl&#237;nica e pode adquirir grande relev&#226;ncia em pessoas com <em><strong>doen&#231;as amea&#231;adoras &#224; vida</strong></em>. Embora muitas vezes seja inicialmente atribu&#237;do a altera&#231;&#245;es da pele ou tratado empiricamente com <em><strong>anti-histam&#237;nicos</strong></em>, sua avalia&#231;&#227;o e seu manejo podem ser mais complexos. Reconhecer e identificar suas diferentes causas &#233; fundamental para orientar uma abordagem adequada. Nesta #PP, discutiremos como avali&#225;-lo e quais princ&#237;pios devem orientar seu tratamento.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? Subscreva seu e-mail gratuitamente para receber novos conte&#250;dos toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>Um sintoma, muitos mecanismos</h4><p>O <em><strong>prurido</strong></em> possui preval&#234;ncia variada de acordo com a popula&#231;&#227;o e a doen&#231;a de base, sendo particularmente relevante na doen&#231;a renal cr&#244;nica avan&#231;ada, em doen&#231;as hepatobiliares com <em><strong>colestase</strong></em> e doen&#231;as hematol&#243;gicas. Al&#233;m do desconforto, quando persistente, pode comprometer o sono, o humor e a <em><strong>qualidade de vida</strong></em>, al&#233;m de provocar escoria&#231;&#245;es e outras les&#245;es secund&#225;rias ao ato de co&#231;ar.</p><p>Apesar de ser percebido como uma &#250;nica sensa&#231;&#227;o, o <em><strong>prurido</strong></em> n&#227;o corresponde a um &#250;nico mecanismo fisiopatol&#243;gico. Ele pode resultar de altera&#231;&#245;es originadas na pele, de doen&#231;as sist&#234;micas, de altera&#231;&#245;es nas vias nervosas envolvidas em sua percep&#231;&#227;o ou de medicamentos. Em pessoas com doen&#231;as avan&#231;adas, mais de um desses mecanismos pode coexistir &#8212; a <em><strong>xerose</strong></em>, por exemplo, pode contribuir para o <em><strong>sintoma</strong></em> mesmo quando h&#225; uma causa sist&#234;mica predominante.</p><p>Essa heterogeneidade explica por que n&#227;o existe um &#250;nico tratamento eficaz, que deve ser orientado pela causa e pelo mecanismo predominante.</p><div><hr></div><h4>Antes de tratar, procure a causa</h4><p>A avalia&#231;&#227;o come&#231;a pela caracteriza&#231;&#227;o do <em><strong>prurido</strong></em>. &#201; importante investigar quando come&#231;ou, se &#233; localizado ou generalizado, sua distribui&#231;&#227;o, intensidade e padr&#227;o ao longo do dia, al&#233;m de fatores que o desencadeiam ou aliviam. A presen&#231;a de outros <em><strong>sintomas</strong></em> pode oferecer pistas importantes: <em><strong>icter&#237;cia</strong></em> favorece uma causa hepatobiliar; <em><strong>sintomas</strong></em> ur&#234;micos podem acompanhar a doen&#231;a renal avan&#231;ada; enquanto <em><strong>sintomas</strong></em> constitucionais, como <em><strong>febre</strong></em>, sudorese noturna e perda ponderal, podem indicar a necessidade de investigar outras causas sist&#234;micas.</p><p>O exame da pele ajuda a estabelecer se o <em><strong>prurido</strong></em> se origina nela ou se as altera&#231;&#245;es encontradas s&#227;o consequ&#234;ncia do ato de co&#231;ar. <em><strong>Les&#245;es elementares prim&#225;rias</strong></em> favorecem uma causa dermatol&#243;gica, enquanto escoria&#231;&#245;es, crostas e outras <em><strong>les&#245;es elementares secund&#225;rias</strong></em> podem ser apenas resultado do <em><strong>prurido</strong></em> persistente. A presen&#231;a de <em><strong>xerose</strong></em> tamb&#233;m deve ser ativamente procurada, assim como sinais de infec&#231;&#227;o ou infesta&#231;&#227;o. Quando n&#227;o h&#225; uma explica&#231;&#227;o cut&#226;nea evidente, ganha import&#226;ncia a investiga&#231;&#227;o de causas sist&#234;micas, especialmente doen&#231;a renal, <em><strong>colestase</strong></em> e doen&#231;as hematol&#243;gicas, orientada pela hist&#243;ria cl&#237;nica e pelo contexto de cada paciente.</p><p>Por fim, a revis&#227;o dos medicamentos &#233; parte indispens&#225;vel dessa avalia&#231;&#227;o. Diversos f&#225;rmacos podem provocar ou agravar o <em><strong>prurido</strong></em>, inclusive sem produzir uma erup&#231;&#227;o cut&#226;nea evidente. Em <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>, os <em><strong>opioides</strong></em> merecem aten&#231;&#227;o particular: a rela&#231;&#227;o temporal entre in&#237;cio ou mudan&#231;a do tratamento e aparecimento do <em><strong>sintoma</strong></em> pode ajudar a reconhecer o <em><strong>prurido</strong></em> induzido por <em><strong>opioides</strong></em>.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? Digite seu e-mail abaixo e subscreva gratuitamente para receber um novo conte&#250;do toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>Sabendo a causa, trate</h4><p>Os <em><strong>anti-histam&#237;nicos</strong></em> fazem sentido quando a <em><strong>histamina</strong></em> participa de maneira relevante do mecanismo &#8212; como em determinadas doen&#231;as al&#233;rgicas ou urticariformes. O problema &#233; extrapolar essa l&#243;gica para todo <em><strong>prurido</strong></em>. Em situa&#231;&#245;es nas quais n&#227;o h&#225; envolvimento importante da <em><strong>histamina</strong></em>, um <em><strong>anti-histam&#237;nico</strong></em> sedativo pode at&#233; parecer funcionar, mas parte do benef&#237;cio pode decorrer simplesmente da melhora do sono, e n&#227;o da redu&#231;&#227;o efetiva do <em><strong>prurido</strong></em>.</p><p>O <em><strong>prurido</strong></em> colest&#225;tico &#233; um bom exemplo. Pode iniciar em palmas e plantas e tornar-se generalizado, sem que sua intensidade acompanhe necessariamente a concentra&#231;&#227;o s&#233;rica de bilirrubina. Sua fisiopatologia ainda n&#227;o est&#225; completamente esclarecida e provavelmente envolve m&#250;ltiplas vias. Entre os poss&#237;veis mediadores estudados est&#227;o os <em><strong>opioides</strong></em> end&#243;genos, a <em><strong>serotonina</strong></em> e o <em><strong>eixo autotaxina&#8211;&#225;cido lisofosfat&#237;dico (ATX&#8211;LPA)</strong></em>. Entre os tratamentos farmacol&#243;gicos recomendados est&#227;o a <em><strong>colestiramina</strong></em>, geralmente utilizada como primeira op&#231;&#227;o, e, quando a resposta &#233; insuficiente ou seu uso n&#227;o &#233; poss&#237;vel, <em><strong>rifampicina</strong></em>, <em><strong>naltrexona</strong></em> e <em><strong>sertralina</strong></em> podem ser consideradas conforme o contexto cl&#237;nico. Como a <em><strong>colestiramina</strong></em> pode reduzir a absor&#231;&#227;o de outros medicamentos, deve ser administrada em hor&#225;rio separado das demais medica&#231;&#245;es.</p><p>O <em><strong>prurido</strong></em> associado &#224; doen&#231;a renal cr&#244;nica (DRC) tamb&#233;m possui fisiopatologia multifatorial, envolvendo altera&#231;&#245;es inflamat&#243;rias, neurop&#225;ticas e do sistema <em><strong>opioide</strong></em>. O manejo inclui cuidados com a pele e tratamento da <em><strong>xerose</strong></em>, al&#233;m da otimiza&#231;&#227;o do tratamento da doen&#231;a renal. Entre as op&#231;&#245;es farmacol&#243;gicas, <em><strong>gabapentina</strong></em> e <em><strong>pregabalina</strong></em> apresentam evid&#234;ncia de benef&#237;cio, mas exigem ajuste de dose e aten&#231;&#227;o aos <em><strong>efeitos adversos</strong></em> devido &#224; redu&#231;&#227;o de sua elimina&#231;&#227;o renal.</p><p>A <em><strong>difelikefalina</strong></em> &#233; uma op&#231;&#227;o mais recente para o tratamento do <em><strong>prurido</strong></em> associado &#224; DRC moderado a grave em adultos submetidos &#224; <em><strong>hemodi&#225;lise</strong></em>. Trata-se de um agonista seletivo dos <em><strong>receptores opioides</strong></em> &#954; (kappa), com a&#231;&#227;o predominantemente perif&#233;rica, que demonstrou redu&#231;&#227;o do <em><strong>prurido</strong></em> em ensaios cl&#237;nicos randomizados. &#201; administrada por via intravenosa ao final das sess&#245;es de <em><strong>hemodi&#225;lise</strong></em>. Sua indica&#231;&#227;o &#233; espec&#237;fica para esse contexto, n&#227;o devendo seus resultados ser extrapolados para outras causas de <em><strong>prurido</strong></em> nem para pacientes com DRC que n&#227;o realizam <em><strong>hemodi&#225;lise</strong></em>.</p><p>O <em><strong>prurido</strong></em> induzido por <em><strong>opioides</strong></em> n&#227;o deve ser automaticamente interpretado como uma rea&#231;&#227;o al&#233;rgica. Embora seja mais frequentemente descrito com a administra&#231;&#227;o neuraxial, tamb&#233;m pode ocorrer com o uso sist&#234;mico. A ativa&#231;&#227;o dos <em><strong>receptores opioides</strong></em>, especialmente dos receptores &#956;, participa de sua fisiopatologia, que n&#227;o depende necessariamente da libera&#231;&#227;o de <em><strong>histamina</strong></em>. Por isso, os <em><strong>anti-histam&#237;nicos</strong></em> podem ter benef&#237;cio limitado quando n&#227;o h&#225; um componente histamin&#233;rgico predominante.</p><p>Quando o <em><strong>prurido</strong></em> ocorre com o uso sist&#234;mico de <em><strong>opioides</strong></em> e &#233; clinicamente relevante, a primeira medida &#233; reavaliar sua rela&#231;&#227;o com o f&#225;rmaco e excluir outras causas. Se a associa&#231;&#227;o for prov&#225;vel, pode-se considerar redu&#231;&#227;o da dose ou <em><strong>rota&#231;&#227;o de opioide</strong></em>, desde que isso seja compat&#237;vel com o controle do <em><strong>sintoma</strong></em> para o qual foi indicado. A evid&#234;ncia espec&#237;fica para essas estrat&#233;gias &#233; limitada, e grande parte dos estudos farmacol&#243;gicos dispon&#237;veis sobre preven&#231;&#227;o e tratamento do <em><strong>prurido</strong></em> induzido por <em><strong>opioides</strong></em> foi realizada com administra&#231;&#227;o neuraxial.</p><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong>Examine</strong> a pele antes de prescrever. <em><strong>Xerose</strong></em>, dermatoses e infec&#231;&#245;es podem ser a pr&#243;pria causa do <em><strong>prurido</strong></em> ou contribuir para sua intensidade.</p></li><li><p><strong>Pense</strong> al&#233;m da pele diante de <em><strong>prurido</strong></em> generalizado. Investigue especialmente DRC, <em><strong>colestase</strong></em>, medicamentos e doen&#231;as hematol&#243;gicas conforme o contexto cl&#237;nico.</p></li><li><p><strong>N&#227;o use</strong> <em><strong>anti-histam&#237;nicos</strong></em> <strong>automaticamente.</strong> Eles t&#234;m pouca utilidade quando a <em><strong>histamina</strong></em> n&#227;o &#233; o principal mecanismo envolvido.</p></li><li><p><strong>Trate</strong> o mecanismo mais prov&#225;vel. O manejo do <em><strong>prurido</strong></em> colest&#225;tico, do <em><strong>prurido</strong></em> associado &#224; DRC e do <em><strong>prurido</strong></em> induzido por <em><strong>opioides</strong></em> &#233; diferente.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; <em>O impulso diante de um paciente com <strong>prurido</strong> costuma ser perguntar &#8220;qual rem&#233;dio eu posso dar?&#8221;. Tente inverter a ordem: primeiro pergunte &#8220;por que ele est&#225; co&#231;ando?&#8221;. Em poucos <strong>sintomas</strong> essa pergunta muda tanto a escolha do tratamento.</em></p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>Os Cuidados Paliativos t&#234;m uma linguagem pr&#243;pria.</strong><br>O Gloss&#225;rio Paliativo re&#250;ne mais de 400 conceitos, organizados em uma biblioteca gratuita e atualizada continuamente para apoiar sua pr&#225;tica cl&#237;nica.</h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png" width="1456" height="485" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:485,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>&#128073; Esta edi&#231;&#227;o cita 25 conceitos, dispon&#237;veis gratuitamente no <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/">Gloss&#225;rio Paliativo</a>:</p><p style="text-align: center;"><a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/anti-histaminico">Anti-histam&#237;nico</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/colestase">Colestase</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/colestiramina">Colestiramina</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/cuidados-paliativos">Cuidados Paliativos</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/difelikefalina">Difelikefalina</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/doenca-ameacadora-a-vida">Doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/efeito-adverso">Efeito adverso</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/eixo-autotaxina-acido-lisofosfatidico-atx-lpa">Eixo autotaxina&#8211;&#225;cido lisofosfat&#237;dico (ATX&#8211;LPA)</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/febre">Febre</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/gabapentina">Gabapentina</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/hemodialise">Hemodi&#225;lise</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/histamina">Histamina</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/ictericia">Icter&#237;cia</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/lesao-elementar-primaria">Les&#227;o elementar prim&#225;ria</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/lesao-elementar-secundaria">Les&#227;o elementar secund&#225;ria</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/naltrexona">Naltrexona</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/opioide">Opioide</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/pregabalina">Pregabalina</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/prurido">Prurido</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/qualidade-de-vida">Qualidade de vida</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/receptor-opioide">Receptor opioide</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/rifampicina">Rifampicina</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/rotacao-de-opioide">Rota&#231;&#227;o de opioide</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/sintoma">Sintoma</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/xerose">Xerose</a></p><p>O <em><strong>Gloss&#225;rio Paliativo</strong></em> cresce continuamente, com novos conceitos incorporados a cada edi&#231;&#227;o das <em><strong>P&#237;lulas Paliativas</strong></em>.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Explorar o gloss&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/"><span>Explorar o gloss&#225;rio</span></a></p><p></p><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Cherny NI, Fallon M, Kaasa S, Portenoy RK, Currow DC, editors. Oxford textbook of palliative medicine. 6th ed. Oxford: Oxford University Press; 2021.</p></li><li><p>Boehlke C, Joos L, Coune B, Becker C, Meerpohl JJ, Buroh S, et al. Pharmacological interventions for pruritus in adult palliative care patients. Cochrane Database Syst Rev. 2024;8:CD008320.</p></li><li><p>American Association for the Study of Liver Diseases. Scratching the itch: management of pruritus in cholestatic liver disease [Internet]. Alexandria (VA): AASLD; [cited 2026 Sep 22]. Dispon&#237;vel em: <a href="https://www.aasld.org/liver-fellow-network/core-series/clinical-pearls/scratching-itch-management-pruritus-cholestatic">https://www.aasld.org/liver-fellow-network/core-series/clinical-pearls/scratching-itch-management-pruritus-cholestatic</a></p></li><li><p>Fishbane S, Jamal A, Munera C, Wen W, Menzaghi F; KALM-1 Trial Investigators. A phase 3 trial of difelikefalin in hemodialysis patients with pruritus. N Engl J Med. 2020;382(3):222-232.</p></li><li><p>Reddy A, et al. Safe management of adverse effects associated with prescription opioids in the palliative care population: a narrative review. J Clin Med. 2024;13(10):2746.</p></li><li><p>Cherny N, Ripamonti C, Pereira J, Davis C, Fallon M, McQuay H, et al. Strategies to manage the adverse effects of oral morphine: an evidence-based report. J Clin Oncol. 2001;19(9):2542-2554.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #086]]></title><description><![CDATA[Acr&#244;nimo EMPATHY]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-086</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-086</guid><pubDate>Thu, 24 Sep 2026 12:03:36 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/92ec7ad1-d392-49b1-a67a-f228c500b5a1_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">Categorias: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/comunicacao-compassiva">Comunica&#231;&#227;o compassiva</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/resolucao-de-conflitos">Resolu&#231;&#227;o de conflitos</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/tomada-de-decisao">Tomada de decis&#227;o</a>
Autor(a): Juliana Martins, m&#233;dica cl&#237;nica e paliativista
Publicado em: 24/09/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>Na <em><strong><a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-016"><span>#PP016 Comunica&#231;&#227;o N&#227;o Verbal</span></a></strong></em>, discutimos que a comunica&#231;&#227;o se d&#225; al&#233;m das palavras: express&#245;es faciais, postura, contato visual, gestos e tom de voz tamb&#233;m transmitem mensagens, podendo refor&#231;ar ou contradizer aquilo que estamos dizendo.</p><p><span>Durante um encontro cl&#237;nico, por&#233;m, muitos elementos acontecem ao mesmo tempo: enquanto escutamos as palavras, tamb&#233;m precisamos perceber o que &#233; comunicado sem elas &#8212; pelo paciente e por n&#243;s mesmos. O </span><em><strong><span>acr&#244;nimo EMPATHY</span></strong></em><span> foi desenvolvido para ajudar profissionais a organizar essa aten&#231;&#227;o. Nesta </span><em><strong><span>#PP</span></strong></em><span>, vamos conhecer essa ferramenta e discutir como utiliz&#225;-la sem transformar a </span><em><strong><span>comunica&#231;&#227;o n&#227;o verbal</span></strong></em><span> em um conjunto r&#237;gido de comportamentos.</span></p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? Subscreva seu e-mail gratuitamente para receber novos conte&#250;dos toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>E-M-P-A-T-H-Y: para onde dirigir a aten&#231;&#227;o?</h4><p><span>Em 2014, </span><em><span>Helen Riess</span></em><span> e </span><em><span>Gordon Kraft-Todd</span></em><span> apresentaram o </span><em><strong><span>acr&#244;nimo EMPATHY</span></strong></em><span> como uma ferramenta para orientar profissionais a reconhecer e responder a aspectos da </span><em><strong><span>comunica&#231;&#227;o n&#227;o verbal</span></strong></em><span> na intera&#231;&#227;o com pacientes. Os autores partiram de uma lacuna identificada no ensino em sa&#250;de: a comunica&#231;&#227;o costuma enfatizar o que dizer, enquanto os aspectos n&#227;o verbais da percep&#231;&#227;o e da express&#227;o de </span><em><strong><span>empatia</span></strong></em><span> recebem menos aten&#231;&#227;o.</span></p><p><span>Cada letra do acr&#244;nimo direciona o olhar para um componente da intera&#231;&#227;o:</span></p><p><strong><span>E &#8212; </span></strong><em><strong><span>Eye contact</span></strong></em><strong><span> (contato visual).</span></strong> O olhar pode comunicar aten&#231;&#227;o e interesse, mas n&#227;o existe uma quantidade &#8220;correta&#8221; de contato visual. Seu significado depende da pessoa, da situa&#231;&#227;o e do contexto cultural.</p><p><strong><span>M &#8212; </span></strong><em><strong><span>Muscles of facial expression</span></strong></em><strong><span> (musculatura da express&#227;o facial).</span></strong> Mudan&#231;as na express&#227;o podem oferecer pistas sobre a experi&#234;ncia emocional do paciente, inclusive quando ela ainda n&#227;o foi expressa em palavras. Ao mesmo tempo, nossa pr&#243;pria express&#227;o facial tamb&#233;m comunica como estamos recebendo aquilo que nos &#233; contado.</p><p><strong><span>P &#8212; </span></strong><em><strong><span>Posture</span></strong></em><strong><span> (postura).</span></strong> A posi&#231;&#227;o do corpo e sua orienta&#231;&#227;o em rela&#231;&#227;o ao paciente participam da intera&#231;&#227;o. Afastar-se, voltar-se repetidamente para o computador ou manter barreiras f&#237;sicas enquanto algu&#233;m fala pode transmitir mensagens, mesmo sem inten&#231;&#227;o.</p><p><strong><span>A &#8212; </span></strong><em><strong><span>Affect</span></strong></em><strong><span> (afeto).</span></strong> Direciona a aten&#231;&#227;o ao estado emocional presente na intera&#231;&#227;o, considerando as diferentes pistas verbais e n&#227;o verbais em conjunto e no contexto em que aparecem.</p><p><strong><span>T &#8212; </span></strong><em><strong><span>Tone of voice</span></strong></em><strong><span> (tom de voz).</span></strong> N&#227;o escutamos apenas o que algu&#233;m diz, mas tamb&#233;m como aquilo &#233; dito. Volume, ritmo, entona&#231;&#227;o e pausas carregam informa&#231;&#245;es emocionais. O mesmo acontece com a voz do profissional: palavras cuidadosas ditas rapidamente ou em tom impaciente podem comunicar algo bastante diferente de seu conte&#250;do verbal.</p><p><strong><span>H &#8212; </span></strong><em><strong><span>Hearing the whole patient</span></strong></em><strong><span> (escutar o paciente como um todo).</span></strong> A proposta &#233; integrar aquilo que &#233; dito &#224;s demais informa&#231;&#245;es presentes na intera&#231;&#227;o. Isso ajuda a evitar que um gesto, uma express&#227;o ou um sil&#234;ncio sejam interpretados de forma isolada.</p><p><strong><span>Y &#8212; </span></strong><em><strong><span>Your response</span></strong></em><strong><span> (sua resposta).</span></strong> Por fim, a aten&#231;&#227;o se volta tamb&#233;m para o profissional. Observar mudan&#231;as na pr&#243;pria express&#227;o, voz, postura e resposta emocional ajuda a reconhecer como tamb&#233;m participamos da intera&#231;&#227;o.</p><p><span>Embora tenha sido desenvolvido para o ensino da </span><em><strong><span>comunica&#231;&#227;o n&#227;o verbal</span></strong></em><span>, o </span><em><strong><span>acr&#244;nimo EMPATHY</span></strong></em><span> n&#227;o se limita &#224; observa&#231;&#227;o da linguagem corporal. </span><em><span>Hearing the whole patient</span></em><span> amplia a aten&#231;&#227;o para a integra&#231;&#227;o das diferentes informa&#231;&#245;es da intera&#231;&#227;o, e </span><em><span>Your response</span></em><span> inclui tamb&#233;m as respostas do pr&#243;prio profissional.</span></p><div><hr></div><h4>Olhar para o paciente &#8212; e para si mesmo</h4><p>O <em><strong><span>acr&#244;nimo EMPATHY</span></strong></em> n&#227;o prop&#245;e um gabarito de como devemos nos comportar. N&#227;o h&#225; uma quantidade ideal de contato visual, uma postura ou um tom de voz que funcione para todas as pessoas. Seu objetivo &#233; organizar aspectos da intera&#231;&#227;o que podem ser observados durante a conversa.</p><p>A observa&#231;&#227;o ocorre em duas dire&#231;&#245;es. Podemos observar mudan&#231;as no olhar, na express&#227;o facial, na postura, no afeto e na voz do paciente como pistas para compreender melhor o que acontece durante a conversa. Tamb&#233;m podemos observar nossa pr&#243;pria comunica&#231;&#227;o: para onde direcionamos o olhar, como nosso corpo se posiciona, o que aparece em nossa express&#227;o e como nossa voz se modifica diante do que ouvimos.</p><p>A <em><strong><span>comunica&#231;&#227;o n&#227;o verbal</span></strong></em> n&#227;o funciona como um c&#243;digo com tradu&#231;&#227;o fixa. Desviar o olhar n&#227;o significa necessariamente desconforto; cruzar os bra&#231;os n&#227;o significa resist&#234;ncia; o sil&#234;ncio n&#227;o significa concord&#226;ncia ou tristeza. Esses sinais ganham significado quando s&#227;o compreendidos em conjunto, ao longo da intera&#231;&#227;o e &#224; luz daquela pessoa e daquele contexto. Nesse sentido, <em><span>Hearing the whole patient</span></em> refor&#231;a a necessidade de integrar as diferentes pistas, enquanto <em><span>Your response</span></em> lembra que o pr&#243;prio profissional tamb&#233;m faz parte da intera&#231;&#227;o.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? 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A presen&#231;a desses comportamentos, entretanto, n&#227;o garante por si s&#243; uma compreens&#227;o emp&#225;tica da experi&#234;ncia do outro.</p><p><span>Em uma an&#225;lise etnogr&#225;fica da forma&#231;&#227;o m&#233;dica, </span><em><span>Seth Holmes</span></em><span> chama a aten&#231;&#227;o para essa tens&#227;o. O autor descreve como determinadas formas de ensino podem favorecer uma </span><em><strong><span>empatia</span></strong></em><span> centrada na performance: comportamentos reconhecidos como emp&#225;ticos s&#227;o aprendidos e reproduzidos, sem que isso necessariamente corresponda a uma compreens&#227;o mais profunda da experi&#234;ncia do paciente.</span></p><p>Essa cr&#237;tica ajuda a delimitar o uso do <em><strong><span>EMPATHY</span></strong></em>. Em vez de <em><span>&#8220;preciso manter contato visual&#8221;</span></em>, podemos perguntar <em><span>&#8220;o que est&#225; acontecendo com nosso contato visual?&#8221;</span></em>. Em vez de <em><span>&#8220;preciso assumir uma postura emp&#225;tica&#8221;</span></em>, <em><span>&#8220;o que minha postura est&#225; comunicando?&#8221;</span></em>. Dessa forma, o acr&#244;nimo pode ser utilizado como um recurso de aten&#231;&#227;o &#224; intera&#231;&#227;o, e n&#227;o como um checklist de comportamentos que, isoladamente, definiriam uma comunica&#231;&#227;o emp&#225;tica.</p><div><hr></div><h4><strong>Quer aprofundar este tema?</strong></h4><p><span>A comunica&#231;&#227;o n&#227;o verbal &#233; apenas uma das dimens&#245;es que participam de uma conversa cl&#237;nica. No </span><strong><a href="https://chk.eduzz.com/D0RVX1Z19Y?utm_source=pilulas_paliativas&amp;utm_medium=banner&amp;utm_content=pp086"><span>Workshop Paliativo &#8212; Comunica&#231;&#227;o Assertiva em Sa&#250;de</span></a></strong><span>, aprofundamos estrat&#233;gias para reconhecer diferentes elementos da comunica&#231;&#227;o e utiliz&#225;-los de forma mais consciente nas intera&#231;&#245;es com pacientes, familiares e equipes.</span></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://chk.eduzz.com/D0RVX1Z19Y?utm_source=pilulas_paliativas&amp;utm_medium=banner&amp;utm_content=pp086" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Bfvq!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F62903985-58a1-4a99-b76e-7bd47586a501_3000x1000.png 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><em>O Workshop Paliativo &#233; um produto da Escola de Habilidades Paliativas. Esta recomenda&#231;&#227;o &#233; inserida pela Escola e n&#227;o implica endosso dos autores desta P&#237;lula.</em></figcaption></figure></div><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong> <span>Use</span></strong> o <em><strong><span>EMPATHY</span></strong></em> para direcionar sua aten&#231;&#227;o. As sete letras ajudam a lembrar diferentes dimens&#245;es da intera&#231;&#227;o, mas n&#227;o constituem uma sequ&#234;ncia obrigat&#243;ria de comportamentos.</p></li><li><p><strong><span>Observe</span></strong> al&#233;m das palavras. Express&#227;o facial, postura, voz e mudan&#231;as na intera&#231;&#227;o podem oferecer pistas sobre aquilo que ainda n&#227;o foi verbalizado.</p></li><li><p><strong><span>Evite</span></strong> interpretar sinais isoladamente. Um olhar desviado, uma postura fechada ou um sil&#234;ncio n&#227;o possuem significado universal: considere a pessoa, o contexto e as diferen&#231;as individuais e culturais.</p></li><li><p><strong><span>Observe</span></strong> tamb&#233;m a si mesmo. Pergunte-se como seu corpo, sua voz e suas pr&#243;prias rea&#231;&#245;es participam da conversa.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; <em><span>Ferramentas de comunica&#231;&#227;o podem ajudar a organizar aspectos de intera&#231;&#245;es que s&#227;o complexas. No caso do </span><strong><span>EMPATHY</span></strong><span>, &#233; importante distinguir seu uso como recurso para orientar a aten&#231;&#227;o de seu uso como uma lista de comportamentos que deveriam ser reproduzidos.</span></em></p><p><em><span>Durante uma aula de </span><strong><span>comunica&#231;&#227;o n&#227;o verbal</span></strong><span>, um estudante me perguntou, preocupado, se o paciente n&#227;o se sentiria acolhido caso ele n&#227;o conseguisse manter contato visual &#8212; algo que reconhecia ter muita dificuldade. Acolhi e agradeci por ele ter dividido aquela preocupa&#231;&#227;o comigo. Primeiro, porque ela me fez rever a forma como eu estava conduzindo a discuss&#227;o, para enfatizar ainda mais a proposta do acr&#244;nimo: prestar aten&#231;&#227;o aos diferentes componentes da comunica&#231;&#227;o n&#227;o significa estabelecer um comportamento correto para cada um deles.</span></em></p><p><em><span>Al&#233;m disso, nossa percep&#231;&#227;o da comunica&#231;&#227;o n&#227;o acontece pela interpreta&#231;&#227;o isolada de cada comportamento, mas pela integra&#231;&#227;o de m&#250;ltiplas pistas verbais e n&#227;o verbais ao longo da intera&#231;&#227;o. N&#227;o ter o contato visual como uma fortaleza de sua comunica&#231;&#227;o n&#227;o impede aquele estudante de comunicar acolhimento por meio de outros elementos e, mais importante, de se relacionar com o paciente com </span><strong><span>empatia</span></strong><span>. Relacionar-se com </span><strong><span>empatia</span></strong><span> n&#227;o significa cumprir um checklist de comportamentos considerados emp&#225;ticos.</span></em></p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>Os Cuidados Paliativos t&#234;m uma linguagem pr&#243;pria.</strong><br>O Gloss&#225;rio Paliativo re&#250;ne mais de 400 conceitos, organizados em uma biblioteca gratuita e atualizada continuamente para apoiar sua pr&#225;tica cl&#237;nica.</h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:485,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, 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fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>&#128073; Esta edi&#231;&#227;o cita 3 conceitos, dispon&#237;veis gratuitamente no <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/">Gloss&#225;rio Paliativo</a>:</p><p><a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/acronimo-empathy"><span>Acr&#244;nimo EMPATHY</span></a><span> &#8226; </span><a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/comunicacao-nao-verbal"><span>Comunica&#231;&#227;o n&#227;o verbal</span></a><span> &#8226; </span><a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/empatia"><span>Empatia</span></a></p><p>O <em><strong>Gloss&#225;rio Paliativo</strong></em> cresce continuamente, com novos conceitos incorporados a cada edi&#231;&#227;o das <em><strong>P&#237;lulas Paliativas</strong></em>.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Explorar o gloss&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/"><span>Explorar o gloss&#225;rio</span></a></p><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Riess H, Kraft-Todd G. E.M.P.A.T.H.Y.: a tool to enhance nonverbal communication between clinicians and their patients. Acad Med. 2014;89(8):1108-1112.</p></li><li><p>Riess H, Kelley JM, Bailey RW, Dunn EJ, Phillips M. Empathy training for resident physicians: a randomized controlled trial of a neuroscience-informed curriculum. J Gen Intern Med. 2012;27(10):1280-1286.</p></li><li><p>Holmes SM. Learning language, un/learning empathy in medical school. Cult Med Psychiatry. 2025;49:135-160.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #085]]></title><description><![CDATA[Comunica&#231;&#227;o em fim de vida]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-085</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-085</guid><pubDate>Wed, 16 Sep 2026 12:01:59 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/5a3a2710-1c82-46ff-8498-a1665d468652_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">Categorias: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/avaliacao-prognostica">Avalia&#231;&#227;o progn&#243;stica</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/comunicacao-compassiva">Comunica&#231;&#227;o compassiva</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/tomada-de-decisao">Tomada de decis&#227;o</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-fim-de-vida">Manejo de fim de vida</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/educacao-para-a-morte">Educa&#231;&#227;o para a morte</a>
Autor(a): Juliana Martins, m&#233;dica cl&#237;nica e paliativista
Publicado em: 16/09/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>Conversar sobre a possibilidade de morte &#233; uma das tarefas mais dif&#237;ceis do cuidado de pessoas com <em><strong><span>doen&#231;as amea&#231;adoras &#224; vida</span></strong></em>. O receio de provocar <em><strong><span>sofrimento</span></strong></em>, de retirar a <em><strong><span>esperan&#231;a</span></strong></em> ou de n&#227;o saber exatamente o que &#8212; ou como &#8212; dizer pode levar profissionais a adiar essas conversas. Do outro lado, pacientes e familiares tamb&#233;m podem sentir medo, ambival&#234;ncia ou dificuldade para falar sobre o futuro.</p><p>Saber como abordar essas quest&#245;es com clareza e honestidade, sem deixar de reconhecer emo&#231;&#245;es, prefer&#234;ncias individuais e diferentes contextos familiares e culturais, &#233; parte integrante da pr&#225;tica em <em><strong><span>Cuidados Paliativos</span></strong></em>. Nesta <em><strong><span>#PP</span></strong></em>, vamos discutir o que a literatura nos ensina &#8212; e o que ainda n&#227;o consegue responder &#8212; sobre comunica&#231;&#227;o em <em><strong><span>fim de vida</span></strong></em>.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? 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Essas conversas devem come&#231;ar precocemente, antes que a pessoa esteja propriamente no fim de vida, e ser retomadas ao longo da trajet&#243;ria da doen&#231;a conforme o contexto cl&#237;nico, as necessidades e as prefer&#234;ncias mudam.</p><p>Uma revis&#227;o de escopo de <em><span>Chen e colaboradores</span></em> reuniu 59 documentos sobre o tema e identificou <span>sete temas recorrentes na comunica&#231;&#227;o em </span><em><strong><span>fim de vida</span></strong></em><span>. Os autores utilizam o termo &#8220;temas&#8221; para agrupar aspectos frequentemente descritos na literatura como relevantes para a condu&#231;&#227;o dessas conversas:</span></p><p><strong><span>Prepara&#231;&#227;o</span></strong><span> &#8212; conhecer a situa&#231;&#227;o cl&#237;nica, definir o objetivo da conversa, organizar o ambiente e alinhar a equipe.</span></p><p><strong><span>Explora&#231;&#227;o e avalia&#231;&#227;o</span></strong><span> &#8212; compreender o que a pessoa sabe, o que deseja saber, suas preocupa&#231;&#245;es, expectativas e prefer&#234;ncias para participar das decis&#245;es.</span></p><p><strong><span>Envolvimento familiar</span></strong><span> &#8212; identificar quem a pessoa deseja incluir na conversa e qual papel esses familiares devem desempenhar.</span></p><p><strong><span>Oferta e adapta&#231;&#227;o da informa&#231;&#227;o</span></strong><span> &#8212; comunicar as informa&#231;&#245;es de forma clara, gradual e adequada &#224;s necessidades e prefer&#234;ncias da pessoa.</span></p><p><strong><span>Resposta emp&#225;tica &#224;s emo&#231;&#245;es</span></strong><span> &#8212; reconhecer e acolher as rea&#231;&#245;es emocionais que surgem durante a conversa.</span></p><p><strong><span>Reformula&#231;&#227;o e revis&#227;o dos objetivos do cuidado</span></strong><span> &#8212; relacionar as informa&#231;&#245;es discutidas aos valores, prioridades e </span><em><strong><span>objetivos do cuidado</span></strong></em><span>.</span></p><p><strong><span>Fechamento da conversa</span></strong><span> &#8212; verificar a compreens&#227;o, sintetizar o que foi discutido e combinar os pr&#243;ximos passos.</span></p><p><span>Esses temas n&#227;o correspondem a etapas sequenciais ou obrigat&#243;rias. Podem aparecer em diferentes momentos, combinar-se em uma mesma conversa e ser revisitados ao longo da trajet&#243;ria da doen&#231;a.</span></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!M9X2!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7481390e-14d8-49ff-b135-3783b67792e8_943x900.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!M9X2!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7481390e-14d8-49ff-b135-3783b67792e8_943x900.png 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><strong>Dimens&#245;es recorrentes da comunica&#231;&#227;o em fim de vida.</strong> Os sete temas centrais sintetizam aspectos comuns aos documentos analisados por Chen e colaboradores e n&#227;o representam etapas sequenciais ou obrigat&#243;rias. Ao redor, destacam-se elementos que contextualizam essas dimens&#245;es &#8212; pessoa, cultura, contexto social e momento da trajet&#243;ria da doen&#231;a &#8212; e que podem influenciar como cada uma delas se manifesta na pr&#225;tica.</figcaption></figure></div><p>H&#225;,<span> por&#233;m, algumas limita&#231;&#245;es na literatura sintetizada:</span> a maior parte dos estudos foi produzida em pa&#237;ses angl&#243;fonos, e pacientes e familiares foram menos representados do que profissionais. Ainda assim, esses temas ajudam a organizar o que sabemos sobre comunica&#231;&#227;o em <em><strong><span>fim de vida</span></strong></em>, mas n&#227;o determinam como cada conversa deve acontecer.</p><p><span>V&#225;rios desses componentes identificados por </span><em><span>Chen </span></em><span>tamb&#233;m aparecem em protocolos e ferramentas utilizados para estruturar outras conversas dif&#237;ceis. </span>No Brasil, o <em><strong><span>protocolo PENSA</span></strong></em> foi proposto em 2024 para organizar conversas dif&#237;ceis em cinco momentos: Prepara&#231;&#227;o, Escuta emp&#225;tica, Not&#237;cia dif&#237;cil, S&#237;ntese e Atitude. <span>Embora o </span><em><strong><span>protocolo PENSA</span></strong></em><span> e outros modelos n&#227;o tenham sido desenvolvidos especificamente para a comunica&#231;&#227;o em </span><em><strong><span>fim de vida</span></strong></em><span>, a sobreposi&#231;&#227;o com os temas mostra que essas conversas compartilham princ&#237;pios e estrat&#233;gias com a comunica&#231;&#227;o realizada em outros momentos da trajet&#243;ria de uma </span><em><strong><span>doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida</span></strong></em><span>.</span></p><p><span>As particularidades da comunica&#231;&#227;o em </span><em><strong><span>fim de vida</span></strong></em><span> est&#227;o principalmente no conte&#250;do e no contexto dessas conversas, que passam a abordar de forma mais direta a proximidade da morte, o tempo de vida, as prioridades para o per&#237;odo restante e as decis&#245;es relacionadas ao cuidado no </span><em><strong><span>fim de vida</span></strong></em><span>.</span></p><div><hr></div><h4>Antes de falar, &#233; preciso compreender</h4><p>Os tr&#234;s primeiros temas identificados por <em><span>Chen e colaboradores</span></em> dizem respeito <span>&#224; prepara&#231;&#227;o e &#224; compreens&#227;o inicial do contexto da conversa</span>: prepara&#231;&#227;o, explora&#231;&#227;o e avalia&#231;&#227;o e envolvimento familiar.</p><p><strong><span>Prepara&#231;&#227;o.</span></strong> Conhecer a situa&#231;&#227;o cl&#237;nica, pensar no objetivo daquele encontro, identificar quem deve participar, alinhar previamente a equipe e garantir, sempre que poss&#237;vel, privacidade e tempo sem interrup&#231;&#245;es fazem parte da prepara&#231;&#227;o. Quando v&#225;rios profissionais participam do cuidado, esse alinhamento &#233; especialmente importante para evitar informa&#231;&#245;es contradit&#243;rias.</p><p><strong><span>Explora&#231;&#227;o e avalia&#231;&#227;o.</span></strong> Antes de informar, &#233; preciso explorar o que a pessoa j&#225; compreendeu, quanto deseja saber, quais s&#227;o suas preocupa&#231;&#245;es e expectativas e como prefere participar das decis&#245;es. Assim como a prepara&#231;&#227;o, essa explora&#231;&#227;o inicial tamb&#233;m faz parte do <em><strong><span>protocolo SPIKES</span></strong></em> &#8212; para relembr&#225;-lo, releia a <em><strong><a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-047"><span>#PP047 Protocolo SPIKES</span></a></strong></em>. Perguntas como <em><span>&#8220;O que voc&#234; entende sobre o que est&#225; acontecendo?&#8221;</span></em>, <em><span>&#8220;Como voc&#234; percebe as coisas nas &#250;ltimas semanas?&#8221;</span></em> ou <em><span>&#8220;Voc&#234; gostaria que eu explicasse o que esperamos daqui para frente?&#8221;</span></em> ajudam a ajustar a conversa &#224;quela pessoa.</p><p><strong><span>Envolvimento familiar.</span></strong> Algumas pessoas querem receber todas as informa&#231;&#245;es diretamente; outras preferem compartilh&#225;-las com familiares ou delegar parte das decis&#245;es. Como discutimos na <em><strong><a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-018"><span>#PP018 Reuni&#227;o familiar em Cuidados Paliativos</span></a></strong></em>, compreender quem &#233; a fam&#237;lia para aquela pessoa e qual papel ela deseja que seus familiares desempenhem tamb&#233;m faz parte dessas conversas.</p><p><span>A dimens&#227;o cultural tamb&#233;m precisa ser considerada nesse momento.</span> Essas prefer&#234;ncias n&#227;o podem ser presumidas apenas pela cultura, religi&#227;o ou origem de algu&#233;m. Mesmo dentro de uma mesma comunidade existe grande heterogeneidade, e as prefer&#234;ncias podem mudar ao longo do tempo. <span>Diante de </span><em><span>&#8220;Doutora, n&#227;o conte isso para ele&#8221;</span></em><span>, uma resposta poss&#237;vel &#233; explorar a preocupa&#231;&#227;o antes de concordar ou confrontar:</span> <em><span>&#8220;Me conte um pouco mais sobre o que preocupa voc&#234;s se ele souber.&#8221;</span></em></p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? Digite seu e-mail abaixo e subscreva gratuitamente para receber um novo conte&#250;do toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>Informa&#231;&#227;o, emo&#231;&#227;o e esperan&#231;a cabem na mesma conversa</h4><p>Depois de compreender o que a pessoa sabe e deseja saber, outros dois temas ganham destaque: oferta e adapta&#231;&#227;o da informa&#231;&#227;o e resposta emp&#225;tica &#224;s emo&#231;&#245;es.</p><p><strong><span>Oferta e adapta&#231;&#227;o da informa&#231;&#227;o.</span></strong> Quando chega o momento de informar, clareza importa. A literatura recomenda linguagem simples, informa&#231;&#245;es oferecidas em pequenas por&#231;&#245;es e verifica&#231;&#227;o progressiva do que foi compreendido. Quando existe incerteza, ela tamb&#233;m pode ser comunicada: <span>reconhecer os limites daquilo que &#233; poss&#237;vel prever faz parte de uma comunica&#231;&#227;o honesta.</span> Como discutimos na <em><strong><a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-22"><span>#PP022 Predi&#231;&#227;o</span></a></strong></em>, estimar o futuro cl&#237;nico tamb&#233;m envolve incertezas.</p><p><strong><span>Resposta emp&#225;tica &#224;s emo&#231;&#245;es.</span></strong> A informa&#231;&#227;o pode provocar tristeza, medo, raiva, incredulidade, sil&#234;ncio... Nesses momentos, oferecer mais dados nem sempre &#233; a melhor resposta. Reconhecer a emo&#231;&#227;o, demonstrar empatia e permitir que paciente e fam&#237;lia tenham tempo para processar aquilo que ouviram tamb&#233;m fazem parte da conversa. <span>O sil&#234;ncio tamb&#233;m pode fazer parte da resposta.</span> Como discutimos na <em><strong><a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-057"><span>#PP057 Acr&#244;nimo NURSE</span></a></strong></em>, acolher e responder &#224;s emo&#231;&#245;es faz parte de uma <em><strong><span>comunica&#231;&#227;o compassiva</span></strong></em> e efetiva.</p><p><span>Honestidade e </span><em><strong><span>esperan&#231;a</span></strong></em><span> podem coexistir na mesma conversa.</span> &#192; medida que algumas possibilidades deixam de existir, a <em><strong><span>esperan&#231;a</span></strong></em> pode ser reconstru&#237;da em torno daquilo que ainda &#233; poss&#237;vel: controlar sintomas, receber suporte, permanecer em determinado lugar, alcan&#231;ar um objetivo importante ou estar pr&#243;ximo de pessoas significativas. Para aprofundar essa discuss&#227;o, retorne &#224; <em><strong><a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-058"><span>#PP058 Abordagem da esperan&#231;a em Cuidados Paliativos</span></a></strong></em><strong><span>.</span></strong></p><h4>Da informa&#231;&#227;o aos objetivos do cuidado</h4><p>Os dois &#250;ltimos temas identificados na revis&#227;o <span>tratam da rela&#231;&#227;o entre a conversa e o planejamento do cuidado:</span> reformula&#231;&#227;o e revis&#227;o dos objetivos do cuidado e fechamento da conversa.</p><p><strong><span>Reformula&#231;&#227;o e revis&#227;o dos objetivos do cuidado.</span></strong> Conhecer o <em><strong><span>progn&#243;stico</span></strong></em> n&#227;o &#233; um objetivo em si mesmo. Essa informa&#231;&#227;o deve ajudar paciente, fam&#237;lia e equipe a compreender o que &#233; importante agora e quais tratamentos fazem sentido diante dessas prioridades. Conversar sobre <em><strong><span>objetivos do cuidado</span></strong></em> &#233; diferente de simplesmente perguntar <em><span>&#8220;quer ser intubado?&#8221;</span></em> ou <em><span>&#8220;quer ser reanimado?&#8221;</span></em>. Primeiro precisamos compreender aquilo que a pessoa valoriza; depois podemos discutir quais interven&#231;&#245;es s&#227;o coerentes com esses objetivos.</p><p><span>Al&#233;m disso, os objetivos do cuidado precisam ser revisitados ao longo do tempo.</span> A condi&#231;&#227;o cl&#237;nica muda, novas informa&#231;&#245;es aparecem e aquilo que importa para a pessoa tamb&#233;m pode mudar. Uma conversa isolada sobre n&#227;o realizar <em><strong><span>reanima&#231;&#227;o cardiopulmonar (RCP)</span></strong></em>, por exemplo, n&#227;o substitui uma discuss&#227;o mais ampla sobre o cuidado desejado &#8212; e uma decis&#227;o tomada em determinado momento n&#227;o encerra necessariamente a discuss&#227;o.</p><p><strong><span>Fechamento da conversa.</span></strong> Fechar n&#227;o significa resolver tudo. Uma conversa pode terminar com tristeza, sil&#234;ncio, d&#250;vida ou necessidade de tempo. O importante &#233; verificar o que foi compreendido, esclarecer d&#250;vidas poss&#237;veis, sintetizar o que foi discutido e combinar os pr&#243;ximos passos. <span>Tamb&#233;m &#233; importante deixar claro que a conversa poder&#225; ser retomada. A comunica&#231;&#227;o em </span><em><strong><span>fim de vida</span></strong></em><span> costuma ocorrer ao longo de uma sequ&#234;ncia de encontros, acompanhando mudan&#231;as cl&#237;nicas, d&#250;vidas e decis&#245;es que surgem durante a trajet&#243;ria da doen&#231;a.</span></p><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong><span>Divida</span></strong> a conversa em diferentes encontros. N&#227;o &#233; necess&#225;rio discutir <em><strong><span>progn&#243;stico</span></strong></em>, prefer&#234;ncias, <em><strong><span>planejamento antecipado de cuidados</span></strong></em> e decis&#245;es terap&#234;uticas de uma s&#243; vez.</p></li><li><p><strong><span>Priorize</span></strong> o que precisa ser compreendido ou decidido em cada encontro, deixando expl&#237;cito que a conversa continuar&#225;.</p></li><li><p><strong><span>Relacione</span></strong><span> o </span><em><strong><span>progn&#243;stico</span></strong></em><span> aos valores, prioridades e preocupa&#231;&#245;es da pessoa para construir </span><em><strong><span>objetivos do cuidado</span></strong></em><span> e, a partir deles, discutir quais tratamentos fazem sentido.</span></p></li><li><p><strong><span>Retome</span></strong> decis&#245;es quando o contexto mudar. <span>Mudan&#231;as na condi&#231;&#227;o cl&#237;nica, nas possibilidades terap&#234;uticas ou nas prioridades da pessoa s&#227;o motivos</span> para revisitar <em><strong><span>progn&#243;stico</span></strong></em>, <em><strong><span>objetivos do cuidado</span></strong></em> e decis&#245;es previamente discutidas.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; &nbsp;N&#227;o espere por &#8220;a conversa de <em><strong>fim de vida</strong></em>&#8221;. Mudan&#231;as cl&#237;nicas, piora funcional, redu&#231;&#227;o das possibilidades terap&#234;uticas ou decis&#245;es importantes podem ser oportunidades para iniciar &#8212; ou retomar &#8212; conversas sobre <em><strong>progn&#243;stico</strong></em> e <em><strong>objetivos do cuidado</strong></em>. Quanto mais entendemos a comunica&#231;&#227;o em <em><strong>fim de vida</strong></em> como um processo, menos dependemos de encontrar o &#8220;momento certo&#8221; para uma &#250;nica grande conversa.</p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>Os Cuidados Paliativos t&#234;m uma linguagem pr&#243;pria.</strong><br>O Gloss&#225;rio Paliativo re&#250;ne mais de 400 conceitos, organizados em uma biblioteca gratuita e atualizada continuamente para apoiar sua pr&#225;tica cl&#237;nica. </h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png" width="1456" height="485" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:485,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" title="" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" 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href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/esperanca/"><span>Esperan&#231;a</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/fim-de-vida/"><span>Fim de vida</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/ma-noticia/"><span>M&#225; not&#237;cia</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/objetivo-do-cuidado/"><span>Objetivo do cuidado</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/planejamento-antecipado-de-cuidado-pac/"><span>Planejamento antecipado de cuidado (PAC)</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/prognostico/"><span>Progn&#243;stico</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/protocolo-pensa/"><span>Protocolo PENSA</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/protocolo-spikes/"><span>Protocolo SPIKES</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/sofrimento/"><span>Sofrimento</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/tomada-de-decisao-compartilhada/"><span>Tomada de decis&#227;o compartilhada</span></a></p><p>O <em><strong>Gloss&#225;rio Paliativo</strong></em> cresce continuamente, com novos conceitos incorporados a cada edi&#231;&#227;o das <em><strong>P&#237;lulas Paliativas</strong></em>.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Explorar o gloss&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/"><span>Explorar o gloss&#225;rio</span></a></p><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Chen W, Chung JOK, Lam KKW, Molassiotis A. End-of-life communication strategies for healthcare professionals: a scoping review. Palliat Med. 2023;37(1):61-74.</p></li><li><p>Canosa HG. Brazilian PENSA protocol: practical guide to difficult communication. Rev Assoc Med Bras. 2024;70(9):e20240674.</p></li><li><p>Cherny NI, Fallon MT, Kaasa S, Portenoy RK, Currow DC, eds. Oxford Textbook of Palliative Medicine. 6th ed. Oxford: Oxford University Press; 2021.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #084]]></title><description><![CDATA[Xerostomia]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-084</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-084</guid><pubDate>Wed, 09 Sep 2026 12:02:45 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/891cd6e1-500a-4d01-8202-aa986dc571dd_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Categorias</strong>: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-sintomas">Manejo de sintomas</a>
<strong>Autor(a)</strong>: Juliana Martins, m&#233;dica cl&#237;nica e paliativista
<strong>Publicado em</strong>: 09/09/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p><em><strong><span>Xerostomia</span></strong></em> &#8212; o termo t&#233;cnico para boca seca &#8212; pode parecer um desconforto menor diante de <em><strong><span>dor</span></strong></em>, <em><strong><span>dispneia</span></strong></em>, <em><strong><span>n&#225;usea</span></strong></em> ou outros problemas que costumam ocupar o centro da aten&#231;&#227;o no <em><strong><span>manejo dos sintomas</span></strong></em>. Mas, para quem convive com ela todos os dias, pode significar dificuldade para falar, comer, engolir e dormir &#8212; al&#233;m de alterar o paladar, favorecer infec&#231;&#245;es e interferir na intera&#231;&#227;o social.</p><p>Nesta #PP, vamos discutir por que a <em><strong><span>xerostomia</span></strong></em> &#233; t&#227;o frequente em pessoas acompanhadas pelos <em><strong><span>Cuidados Paliativos</span></strong></em>, como identific&#225;-la e quais estrat&#233;gias podem ser utilizadas para aliviar esse <em><strong><span>sintoma</span></strong></em>.</p><p></p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? 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Uma revis&#227;o sistem&#225;tica publicada em 2026 encontrou preval&#234;ncias entre 40% e 83,5% em pacientes com c&#226;ncer avan&#231;ado, em torno de 60% naqueles com DPOC ou insufici&#234;ncia card&#237;aca avan&#231;adas e de 59% entre pessoas hospitalizadas por complica&#231;&#245;es relacionadas ao HIV/AIDS. Ou seja, &#233; um <em><strong><span>sintoma</span></strong></em> prevalente em diferentes doen&#231;as acompanhadas pelos <em><strong><span>Cuidados Paliativos</span></strong></em>.</p><p>Embora os termos sejam frequentemente usados como equivalentes, <em><strong><span>xerostomia</span></strong></em> e <em><strong><span>hipossaliva&#231;&#227;o</span></strong></em> n&#227;o significam a mesma coisa. <em><strong><span>Xerostomia</span></strong></em> &#233; a sensa&#231;&#227;o subjetiva de boca seca relatada pelo paciente &#8212; ou seja, o <em><strong><span>sintoma</span></strong></em> que poder&#225; ser gerador de <em><strong><span>sofrimento</span></strong></em>. J&#225; a <em><strong><span>hipossaliva&#231;&#227;o</span></strong></em> corresponde &#224; redu&#231;&#227;o objetiva da produ&#231;&#227;o de saliva. As duas condi&#231;&#245;es podem ocorrer simultaneamente, mas nem sempre est&#227;o associadas: uma pessoa pode apresentar <em><strong><span>xerostomia</span></strong></em> mesmo sem redu&#231;&#227;o importante do fluxo salivar.</p><p>A <em><strong><span>xerostomia</span></strong></em> n&#227;o depende apenas do volume de saliva produzido: altera&#231;&#245;es em sua composi&#231;&#227;o tamb&#233;m podem contribuir para o <em><strong><span>sintoma</span></strong></em>. Por ser uma experi&#234;ncia subjetiva, a <em><strong><span>xerostomia</span></strong></em> &#233; identificada a partir do relato do paciente e deve ser investigada ativamente. Uma pergunta simples, como &#8220;Sua boca fica seca?&#8221;, deve fazer parte da avalia&#231;&#227;o, enquanto o exame da cavidade oral fornece informa&#231;&#245;es complementares.</p><p>No exame da cavidade oral, alguns achados podem sugerir <em><strong><span>hipossaliva&#231;&#227;o</span></strong></em>: mucosa oral seca ou pegajosa, aus&#234;ncia do habitual ac&#250;mulo de saliva no assoalho da boca, saliva espessa ou filamentosa, l&#237;ngua seca ou fissurada e l&#225;bios ressecados ou rachados. Tamb&#233;m &#233; importante procurar altera&#231;&#245;es e complica&#231;&#245;es associadas &#224; redu&#231;&#227;o da saliva, como candid&#237;ase oral, c&#225;ries, doen&#231;a periodontal e dificuldade no uso de pr&#243;teses dent&#225;rias. Ainda assim, a aus&#234;ncia desses achados n&#227;o exclui <em><strong><span>xerostomia</span></strong></em>, que permanece, por defini&#231;&#227;o, uma experi&#234;ncia subjetiva.</p><div><hr></div><h4>Antes de tratar, procure a causa</h4><p>Medicamentos est&#227;o entre as causas mais importantes de <em><strong><span>xerostomia</span></strong></em>, especialmente em pacientes expostos &#224; <em><strong><span>polifarm&#225;cia</span></strong></em>. Diferentes f&#225;rmacos podem contribuir simultaneamente para a redu&#231;&#227;o da secre&#231;&#227;o salivar ou para a sensa&#231;&#227;o de boca seca, e seu efeito pode ser cumulativo. Aten&#231;&#227;o especial deve ser dada &#224; carga anticolin&#233;rgica dos medicamentos, frequente em prescri&#231;&#245;es de pacientes acompanhados pelos <em><strong><span>Cuidados Paliativos</span></strong></em>.</p><p>Revisar a prescri&#231;&#227;o faz parte do tratamento. Algumas quest&#245;es s&#227;o importantes: algum medicamento pode estar contribuindo? Ele continua necess&#225;rio? &#201; poss&#237;vel reduzir a dose, substitu&#237;-lo ou suspend&#234;-lo? Isso n&#227;o significa retirar automaticamente medicamentos importantes apenas porque podem causar <em><strong><span>xerostomia</span></strong></em>, mas avaliar sua indica&#231;&#227;o, benef&#237;cio atual e dose. Em alguns pacientes, reduzir a carga anticolin&#233;rgica total da prescri&#231;&#227;o pode ser mais fact&#237;vel do que encontrar &#8212; e retirar &#8212; um &#250;nico medicamento respons&#225;vel.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!6TAF!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4174df13-0180-4ec4-83dd-8178e185cda3_1127x576.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!6TAF!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4174df13-0180-4ec4-83dd-8178e185cda3_1127x576.png 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Principais classes de medicamentos associadas &#224; xerostomia, com exemplos de f&#225;rmacos frequentemente utilizados em Cuidados Paliativos.</figcaption></figure></div><p>Al&#233;m dos medicamentos, outras condi&#231;&#245;es podem contribuir para a <em><strong><span>xerostomia</span></strong></em>. A <em><strong><span>radioterapia</span></strong></em> de cabe&#231;a e pesco&#231;o pode comprometer diretamente a fun&#231;&#227;o das gl&#226;ndulas salivares, assim como sua infiltra&#231;&#227;o por tumores. Desidrata&#231;&#227;o e desnutri&#231;&#227;o tamb&#233;m podem reduzir a produ&#231;&#227;o salivar, enquanto fatores como <em><strong><span>ansiedade</span></strong></em> e <em><strong><span>depress&#227;o</span></strong></em> podem contribuir para a percep&#231;&#227;o de boca seca.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? Digite seu e-mail abaixo e subscreva gratuitamente para receber um novo conte&#250;do toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>Estimular ou substituir a saliva?</h4><p>Depois de corrigir o que for poss&#237;vel, o tratamento sintom&#225;tico segue dois caminhos principais: estimular a saliva que o paciente ainda consegue produzir ou tentar substitu&#237;-la.</p><p>Quando existe fun&#231;&#227;o residual das gl&#226;ndulas salivares, medidas simples podem ajudar. Gomas de mascar e balas ou pastilhas sem a&#231;&#250;car podem estimular a produ&#231;&#227;o salivar por meio da mastiga&#231;&#227;o e do est&#237;mulo gustat&#243;rio. Para pessoas que utilizam pr&#243;teses dent&#225;rias, devem-se preferir gomas menos aderentes. Alimentos e produtos de sabor &#225;cido tamb&#233;m estimulam a saliva&#231;&#227;o, mas seu uso frequente merece cautela pelo risco de irrita&#231;&#227;o da mucosa e eros&#227;o dent&#225;ria. Quando essas medidas s&#227;o insuficientes e existe fun&#231;&#227;o salivar residual, a <em><strong><span>pilocarpina</span></strong></em> pode ser considerada para estimular a secre&#231;&#227;o salivar. A <em><strong><span>pilocarpina</span></strong></em> pode ser administrada por via oral e seus principais <em><strong><span>efeitos adversos</span></strong></em> decorrem de sua a&#231;&#227;o colin&#233;rgica, incluindo sudorese, n&#225;usea e aumento da frequ&#234;ncia urin&#225;ria. &#201; contraindicada em pessoas com asma n&#227;o controlada e deve ser utilizada com cautela em algumas condi&#231;&#245;es cardiovasculares e oftalmol&#243;gicas.</p><p>Quando a estimula&#231;&#227;o &#233; insuficiente ou h&#225; pouca fun&#231;&#227;o salivar residual, podem ser utilizados <em><strong><span>substitutos salivares</span></strong></em>, dispon&#237;veis principalmente na forma de sprays, g&#233;is e pastilhas. Esses produtos n&#227;o reproduzem todas as propriedades f&#237;sicas e qu&#237;micas da saliva natural e seu efeito tende a ser tempor&#225;rio, mas podem proporcionar al&#237;vio da <em><strong><span>xerostomia</span></strong></em>.</p><p>A escolha da formula&#231;&#227;o pode ser individualizada conforme a necessidade e a prefer&#234;ncia do paciente. Sprays s&#227;o f&#225;ceis de aplicar ao longo do dia, enquanto formula&#231;&#245;es mais viscosas, como os g&#233;is, tendem a permanecer por mais tempo sobre a mucosa e podem ser particularmente &#250;teis quando se deseja um efeito mais prolongado, como durante a noite. A escolha deve considerar a prefer&#234;ncia do paciente, a facilidade de uso e o al&#237;vio proporcionado.</p><p>Tamb&#233;m &#233; importante considerar a composi&#231;&#227;o dos <em><strong><span>substitutos salivares</span></strong></em>. Em pessoas com dentes naturais, devem-se preferir formula&#231;&#245;es com pH neutro, j&#225; que produtos &#225;cidos podem favorecer a desmineraliza&#231;&#227;o e a eros&#227;o dent&#225;ria. Como a redu&#231;&#227;o do fluxo salivar tamb&#233;m aumenta o risco de c&#225;ries, o uso regular de produtos fluoretados deve fazer parte dos cuidados com a sa&#250;de bucal. Alguns substitutos salivares j&#225; cont&#234;m fluoreto em sua composi&#231;&#227;o. Alguns produtos &#224; base de mucina s&#227;o de origem su&#237;na, aspecto que pode ser relevante diante de prefer&#234;ncias culturais, religiosas ou alimentares.</p><p>Medidas mais simples continuam tendo espa&#231;o: umidifica&#231;&#227;o frequente da boca e dos l&#225;bios e pequenos goles de &#225;gua ao longo do dia s&#227;o estrat&#233;gias acess&#237;veis e bem toleradas, embora seu efeito seja bastante curto &#8212; em um estudo citado pelo Oxford, o al&#237;vio durou, em m&#233;dia, apenas 12 minutos. Apesar disso, muitos pacientes preferem a &#225;gua por sua familiaridade, tolerabilidade, disponibilidade e custo. A adequa&#231;&#227;o da consist&#234;ncia dos alimentos e a higiene oral tamb&#233;m devem acompanhar essas estrat&#233;gias.</p><p>&#201; importante reconhecer as limita&#231;&#245;es do tratamento da <em><strong><span>xerostomia</span></strong></em>. Embora existam v&#225;rias estrat&#233;gias recomendadas, poucas foram avaliadas em estudos de boa qualidade. Na pr&#225;tica, isso significa que muitas vezes ser&#225; necess&#225;rio experimentar, avaliar o al&#237;vio obtido e ajustar a estrat&#233;gia de acordo com a resposta e a prefer&#234;ncia do paciente.</p><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong><span>Pergunte</span></strong> ativamente sobre <em><strong><span>xerostomia</span></strong></em>. Lembre-se de que a aus&#234;ncia de sinais evidentes ao exame da boca n&#227;o exclui o <em><strong><span>sintoma</span></strong></em>.</p></li><li><p><strong><span>Examine</span></strong> a cavidade oral em busca de sinais de <em><strong><span>hipossaliva&#231;&#227;o</span></strong></em> e de suas poss&#237;veis complica&#231;&#245;es, como candid&#237;ase oral, c&#225;ries e doen&#231;a periodontal.</p></li><li><p><strong><span>Revise</span></strong> a prescri&#231;&#227;o, considerando n&#227;o apenas medicamentos isolados, mas a <em><strong><span>polifarm&#225;cia</span></strong></em> e a carga anticolin&#233;rgica do conjunto de medicamentos.</p></li><li><p><strong><span>Individualize</span></strong> o tratamento: corrija causas modific&#225;veis, estimule a produ&#231;&#227;o de saliva quando poss&#237;vel e utilize <em><strong><span>substitutos salivares</span></strong></em> ou medidas simples de umidifica&#231;&#227;o de acordo com a necessidade, prefer&#234;ncia e possibilidade de uso pelo paciente.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; Quando um paciente relata <em><strong><span>xerostomia</span></strong></em>, &#233; tentador responder imediatamente com uma prescri&#231;&#227;o. Mas, antes de acrescentar mais um produto, pergunte o que ele j&#225; faz quando a boca fica seca e se isso funciona. &#192;s vezes, pequenos goles de &#225;gua s&#227;o suficientes; em outras situa&#231;&#245;es, um gel ou spray ser&#225; mais confort&#225;vel. O melhor tratamento n&#227;o &#233; necessariamente o mais elaborado, mas aquele que proporciona al&#237;vio, &#233; bem tolerado e cabe na rotina do paciente.</p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>Os Cuidados Paliativos t&#234;m uma linguagem pr&#243;pria.</strong><br>O Gloss&#225;rio Paliativo re&#250;ne mais de 350 conceitos, organizados em uma biblioteca gratuita e atualizada continuamente para apoiar sua pr&#225;tica cl&#237;nica.</h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:485,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, 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fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>&#128073; Esta edi&#231;&#227;o cita 17 conceitos, dispon&#237;veis gratuitamente no <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/">Gloss&#225;rio Paliativo</a>:</p><p><a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/ansiedade"><span>Ansiedade</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/cuidados-paliativos"><span>Cuidados Paliativos</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/depressao"><span>Depress&#227;o</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/dispneia"><span>Dispneia</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/doenca-ameacadora-a-vida"><span>Doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/dor"><span>Dor</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/efeito-adverso"><span>Efeito adverso</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/hipossalivacao"><span>Hipossaliva&#231;&#227;o</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/manejo-de-sintomas"><span>Manejo de sintomas</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/nausea"><span>N&#225;usea</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/pilocarpina"><span>Pilocarpina</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/polifarmacia"><span>Polifarm&#225;cia</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/radioterapia"><span>Radioterapia</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/sintoma"><span>Sintoma</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/sofrimento"><span>Sofrimento</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/substituto-salivar"><span>Substituto salivar</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/xerostomia"><span>Xerostomia</span></a></p><p></p><p>O <em><strong>Gloss&#225;rio Paliativo</strong></em> cresce continuamente, com novos conceitos incorporados a cada edi&#231;&#227;o das <em><strong>P&#237;lulas Paliativas</strong></em>.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Explorar o gloss&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/"><span>Explorar o gloss&#225;rio</span></a></p><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Van der Meulen AI, Stoppelenburg A, Theunissen M, de Nijs EJM, van den Beuken-van Everdingen MHJ, van der Linden YM. Dry mouth in palliative care: A systematic review of clinical practice guidelines around the world. Palliative Medicine. 2026;40(7):933-957.</p></li><li><p>Davies AN. Oral care. In: Cherny NI, Fallon MT, Kaasa S, Portenoy RK, Currow DC, eds. Oxford Textbook of Palliative Medicine. 6th ed. Oxford University Press; 2021:656-672.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílulas Paliativas: conhecimento para a prática, toda semana]]></title><description><![CDATA[Conte&#250;do gratuito, conciso e baseado em evid&#234;ncias para profissionais de sa&#250;de que querem aprofundar seus conhecimentos em Cuidados Paliativos.]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilulas-paliativas</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilulas-paliativas</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Tourinho]]></dc:creator><pubDate>Mon, 07 Sep 2026 08:29:17 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/52ca8b5d-af29-44e4-89e3-b8e2339af12c_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>As <em><strong>P&#237;lulas Paliativas</strong></em> nasceram em janeiro de 2025, como uma iniciativa da <em><strong>Escola de Habilidades Paliativas</strong></em> para aproximar conhecimento e pr&#225;tica. Desde ent&#227;o, uma nova P&#237;lula &#233; publicada a cada quarta-feira, explorando quest&#245;es que fazem parte do cuidado de pessoas com doen&#231;as graves e de suas fam&#237;lias.</p><p>Cada edi&#231;&#227;o parte de um tema dos <strong>Fundamentos</strong> ou de uma das <strong>Habilidades Paliativas</strong> e re&#250;ne evid&#234;ncias, conceitos, ferramentas e a experi&#234;ncia de profissionais que atuam na &#225;rea. Tudo em uma leitura concisa, pensada para aprofundar o conhecimento e ajudar a lev&#225;-lo para a pr&#225;tica.</p><p>Ao longo desse percurso, as P&#237;lulas v&#234;m formando um acervo crescente de conhecimento em Cuidados Paliativos, dispon&#237;vel gratuitamente para consulta e aprofundamento.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><strong>Receba gratuitamente uma nova P&#237;lula Paliativa toda quarta-feira.</strong></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h3>Explore as P&#237;lulas Paliativas</h3><p>Com dezenas de edi&#231;&#245;es j&#225; publicadas, h&#225; diferentes caminhos para explorar o acervo. Voc&#234; pode navegar pelas trilhas e temas abaixo ou consultar todas as P&#237;lulas em ordem de publica&#231;&#227;o.</p><p><strong>Explore por temas:</strong></p><p style="text-align: center;"><a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/t/fundamentos">Fundamentos</a> &#8226; <a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/t/avaliacao-prognostica">Avalia&#231;&#227;o progn&#243;stica</a> &#8226; <a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/t/comunicacao-compassiva">Comunica&#231;&#227;o compassiva</a> &#8226; <a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/t/manejo-de-sintomas">Manejo de sintomas</a> &#8226; <a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/t/tomada-de-decisao">Tomada de decis&#227;o</a> &#8226; <a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/t/resolucao-de-conflitos">Resolu&#231;&#227;o de conflitos</a> &#8226; <a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/t/manejo-de-fim-de-vida">Manejo de fim de vida</a> &#8226; <a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/t/gestao-em-cuidados-paliativos">Gest&#227;o em Cuidados Paliativos</a> &#8226; <a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/t/educacao-em-cuidados-paliativos">Educa&#231;&#227;o em Cuidados Paliativos</a> &#8226; <a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/t/educacao-para-a-morte">Educa&#231;&#227;o para a morte</a></p><p>Ou, se preferir, <a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/archive">veja todas as edi&#231;&#245;es publicadas &#8594;</a></p><div><hr></div><h3>Conhecimento para a pr&#225;tica</h3><p><strong>Uma estrutura pensada para transformar conhecimento em a&#231;&#227;o</strong></p><p>Cada P&#237;lula parte de uma quest&#227;o relevante para os Cuidados Paliativos, relacionada aos Fundamentos da &#225;rea ou a uma das <em><strong>Habilidades Paliativas</strong></em>. A partir dela, reunimos e analisamos diferentes fontes para construir um conte&#250;do conciso, baseado em evid&#234;ncias e conectado &#224; pr&#225;tica.</p><p>A leitura &#233; organizada para ajudar a compreender o tema e transform&#225;-lo em a&#231;&#227;o. Em <strong>Contexto</strong>, apresentamos o problema e por que ele importa. Em seguida, o conte&#250;do &#233; desenvolvido em t&#243;picos que aprofundam os principais conceitos, evid&#234;ncias e quest&#245;es relacionadas ao tema. Em <strong>Modo de usar</strong>, traduzimos esse conhecimento em orienta&#231;&#245;es para o dia a dia profissional. E, na <strong>Dica da especialista</strong>, compartilhamos insights constru&#237;dos a partir da experi&#234;ncia de quem j&#225; atua em Cuidados Paliativos.</p><p>Conceitos, ferramentas, refer&#234;ncias e links permitem aprofundar a leitura e apoiar sua aplica&#231;&#227;o no cuidado e na tomada de decis&#245;es.</p><div><hr></div><h3>Gloss&#225;rio Paliativo</h3><p><strong>Um conceito ficou pelo caminho?</strong></p><p>O <em><strong>Gloss&#225;rio Paliativo</strong></em> re&#250;ne mais de 400 conceitos, escalas, medicamentos e express&#245;es relacionados aos Cuidados Paliativos para consulta r&#225;pida durante a leitura, o estudo ou a pr&#225;tica cl&#237;nica.</p><p>Nas P&#237;lulas, os termos que fazem parte do Gloss&#225;rio aparecem destacados em <em><strong>negrito e it&#225;lico</strong></em>. Ao final de cada edi&#231;&#227;o da P&#237;lula, a se&#231;&#227;o <em><strong>Gloss&#225;rio Paliativo</strong></em> re&#250;ne todos os verbetes citados, com links diretos para consult&#225;-los no Gloss&#225;rio Paliativo.</p><p><strong><a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/">Explore o Gloss&#225;rio Paliativo &#8594;</a></strong></p><div><hr></div><h3>Conhecimento tamb&#233;m se compartilha</h3><p>Queremos que as <em><strong>P&#237;lulas Paliativas</strong></em> cheguem a cada vez mais profissionais de sa&#250;de. Por isso, criamos um programa que reconhece os leitores que nos ajudam a ampliar essa rede.</p><p>Ao compartilhar as P&#237;lulas por meio do seu link pessoal, cada novo assinante indicado conta para o Programa de Recompensas. &#192; medida que novos leitores chegam pela sua indica&#231;&#227;o, voc&#234; pode receber livros, aulas e outros conte&#250;dos da <em><strong>Escola de Habilidades Paliativas.</strong></em></p><p><strong>Quanto mais gente compartilha, mais longe esse conhecimento pode chegar.</strong></p><div class="digest-post-embed" data-attrs="{&quot;nodeId&quot;:&quot;173e791d-789b-4288-a751-508e2e2130da&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Compartilhe seu link pessoal e acumule indica&#231;&#245;es para receber livros, aulas e outros conte&#250;dos da Escola de Habilidades Paliativas.&quot;,&quot;cta&quot;:null,&quot;showBylines&quot;:true,&quot;showDescription&quot;:true,&quot;showImage&quot;:true,&quot;size&quot;:&quot;md&quot;,&quot;isEditorNode&quot;:true,&quot;title&quot;:&quot;Programa de Recompensas das P&#237;lulas Paliativas &#127873;&quot;,&quot;publishedBylines&quot;:[{&quot;id&quot;:129111129,&quot;name&quot;:&quot;Fernanda Tourinho&quot;,&quot;bio&quot;:&quot;m&#233;dica paliativista e fundadora da Escola de Habilidades Paliativas&quot;,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fbe9e0326-c46c-4a6d-8b0f-da3b52450c74_4000x6000.jpeg&quot;,&quot;is_guest&quot;:false,&quot;bestseller_tier&quot;:null}],&quot;post_date&quot;:&quot;2025-09-12T11:03:30.630Z&quot;,&quot;cover_image&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e8d42985-22cd-40f8-98b4-64f1b358e24e_1260x900.png&quot;,&quot;cover_image_alt&quot;:null,&quot;canonical_url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/programa-de-recompensas-das-pilulas&quot;,&quot;section_name&quot;:null,&quot;video_upload_id&quot;:null,&quot;id&quot;:173234033,&quot;type&quot;:&quot;newsletter&quot;,&quot;reaction_count&quot;:15,&quot;comment_count&quot;:0,&quot;publication_id&quot;:3375171,&quot;publication_name&quot;:&quot;P&#237;lulas Paliativas&quot;,&quot;publication_logo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zTO2!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8a56e03e-897f-4576-b4ea-7d05a305fdc6_256x256.png&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;youtube_url&quot;:null,&quot;show_links&quot;:null,&quot;feed_url&quot;:null}"></div><div><hr></div><h3>Por tr&#225;s das P&#237;lulas</h3><p>As <em><strong>P&#237;lulas Paliativas</strong></em> s&#227;o uma iniciativa da <em><strong>Escola de Habilidades Paliativas</strong></em>, criada para ampliar o acesso a conhecimento confi&#225;vel e aplic&#225;vel em <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>.</p><p>Cada edi&#231;&#227;o &#233; escrita por um profissional convidado com experi&#234;ncia no tema abordado. Assim, as P&#237;lulas re&#250;nem conhecimentos e perspectivas de paliativistas de diferentes &#225;reas e regi&#245;es do Brasil, mantendo uma estrutura editorial comum.</p><p>Antes da publica&#231;&#227;o, todas as edi&#231;&#245;es passam por revis&#227;o por pares realizada por <strong>Fernanda Tourinho e Juliana Martins</strong>, respons&#225;veis pela curadoria e revis&#227;o editorial das <em><strong>P&#237;lulas Paliativas</strong></em>.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><strong>Receba as P&#237;lulas Paliativas. </strong>Uma nova P&#237;lula, gratuitamente, toda quarta-feira.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #083]]></title><description><![CDATA[Interven&#231;&#227;o f&#250;til vs Potencialmente inapropriada]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-083</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-083</guid><pubDate>Wed, 02 Sep 2026 12:03:10 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/252c8d00-63bc-4eed-a62a-e43fbd8696f3_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">Categorias: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/tomada-de-decisao">Tomada de decis&#227;o</a>
Autor(a): Tainara Gomes, m&#233;dica cl&#237;nica e paliativista
Publicado em: 02/09/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>Principalmente no dia a dia hospitalar, &#233; corriqueiro que a equipe de sa&#250;de se depare com pedidos de continuidade ou de institui&#231;&#227;o de interven&#231;&#245;es que parecem n&#227;o trazer benef&#237;cio efetivo ao paciente &#8212; seja porque j&#225; n&#227;o alcan&#231;am o objetivo fisiol&#243;gico esperado, seja porque o benef&#237;cio que ainda proporcionam pode n&#227;o compensar o <em><strong><span>sofrimento</span></strong></em> que imp&#245;em.</p><p>Nessas situa&#231;&#245;es, termos como <em><strong><span>futilidade terap&#234;utica</span></strong></em>, <em><strong><span>obstina&#231;&#227;o terap&#234;utica</span></strong></em> e <em><strong><span>interven&#231;&#227;o potencialmente inapropriada</span></strong></em> aparecem com frequ&#234;ncia &#8212; muitas vezes como se fossem sin&#244;nimos. Mas essa imprecis&#227;o n&#227;o &#233; apenas sem&#226;ntica: pode favorecer tanto a manuten&#231;&#227;o de interven&#231;&#245;es sem benef&#237;cio quanto decis&#245;es unilaterais mal fundamentadas. Nesta <em><strong><span>#PP</span></strong></em>, vamos entender por que <em><strong><span>interven&#231;&#227;o f&#250;til</span></strong></em> e <em><strong><span>interven&#231;&#227;o potencialmente inapropriada</span></strong></em> n&#227;o s&#227;o a mesma coisa &#8212; e por que distingui-las importa para a <em><strong><span>tomada de decis&#227;o</span></strong></em>.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? 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A proposta teve grande repercuss&#227;o, mas tamb&#233;m foi criticada por apresentar como objetivos julgamentos que envolviam valores &#8212; especialmente quando se tentava determinar quando um benef&#237;cio seria pequeno demais para justificar uma interven&#231;&#227;o.</p><p>Diante da dificuldade em obter consenso sobre crit&#233;rios capazes de definir a <em><strong><span>futilidade terap&#234;utica</span></strong></em>, vale voltar &#224; pr&#243;pria origem da palavra. O termo deriva do latim <em><span>futilis</span></em>, utilizado para descrever um recipiente largo na parte superior e estreito na inferior, que tombava e derramava seu conte&#250;do quando enchido. Essa origem evoca a imagem das Danaides, da mitologia grega, condenadas a encher eternamente um recipiente que nunca retinha a &#225;gua. N&#227;o &#233; dif&#237;cil imaginar por que essa met&#225;fora encontrou espa&#231;o na medicina: diante de algumas situa&#231;&#245;es, a equipe de sa&#250;de pode experimentar justamente a sensa&#231;&#227;o de carregar &#225;gua em um balde furado, trabalhando continuamente em dire&#231;&#227;o a um objetivo que n&#227;o pode ser alcan&#231;ado.</p><p>Em 2015, uma declara&#231;&#227;o conjunta de cinco sociedades &#8212; <em><span>American Thoracic Society (ATS), American Association of Critical Care Nurses (AACN), American College of Chest Physicians (ACCP), European Society of Intensive Care Medicine (ESICM)</span></em> e <em><span>Society of Critical Care Medicine (SCCM)</span></em> &#8212; prop&#244;s uma terminologia espec&#237;fica para discutir interven&#231;&#245;es cujo benef&#237;cio &#233; question&#225;vel.</p><p>A declara&#231;&#227;o recomenda reservar o termo <em><strong><span>interven&#231;&#227;o f&#250;til</span></strong></em> para a rara circunst&#226;ncia em que uma interven&#231;&#227;o n&#227;o consegue atingir o objetivo fisiol&#243;gico pretendido. &#201; o caso, por exemplo, do uso de <em><strong><span>antimicrobianos</span></strong></em> contra microrganismos sabidamente resistentes ou da <em><strong><span>reanima&#231;&#227;o cardiopulmonar (RCP)</span></strong></em> quando uma condi&#231;&#227;o irrevers&#237;vel impossibilita o restabelecimento da circula&#231;&#227;o espont&#226;nea, como na ruptura do mioc&#225;rdio.</p><p>J&#225; o termo <em><strong><span>interven&#231;&#227;o potencialmente inapropriada</span></strong></em> deve ser utilizado para uma situa&#231;&#227;o muito mais comum: aquela em que a interven&#231;&#227;o tem alguma possibilidade de alcan&#231;ar o efeito fisiol&#243;gico pretendido, mas existem outras considera&#231;&#245;es &#233;ticas que levam a equipe de sa&#250;de a considerar que ela n&#227;o deveria ser oferecida.</p><p>A escolha das palavras &#233; particularmente interessante. &#8220;Inapropriada&#8221; sinaliza que o julgamento n&#227;o depende apenas da <em><span>expertise</span></em> t&#233;cnica, mas tamb&#233;m envolve valores; &#8220;potencialmente&#8221; indica que esse julgamento ainda &#233; preliminar e deve ser submetido a um processo adequado de delibera&#231;&#227;o e <em><strong><span>resolu&#231;&#227;o de conflitos</span></strong></em> antes de ser considerado definitivo.</p><p>Essa distin&#231;&#227;o ajuda tamb&#233;m a reduzir o risco de transformar um julgamento carregado de valores em uma suposta constata&#231;&#227;o t&#233;cnica. Quando rotulamos com excessiva facilidade uma interven&#231;&#227;o como f&#250;til, podemos ocultar sob esse termo nossos pr&#243;prios valores e vieses &#8212; inclusive julgamentos sobre a qualidade ou o valor da vida daquele paciente.</p><p>Na pr&#225;tica, isso implica condutas diferentes:</p><ul><li><p><em><strong><span>Interven&#231;&#245;es f&#250;teis</span></strong></em> n&#227;o devem ser oferecidas, pois s&#227;o incapazes de alcan&#231;ar o objetivo fisiol&#243;gico pretendido.</p></li><li><p><em><strong><span>Interven&#231;&#245;es potencialmente inapropriadas</span></strong></em> n&#227;o s&#227;o, por defini&#231;&#227;o, interven&#231;&#245;es que &#8220;n&#227;o funcionam&#8221;. Como podem alcan&#231;ar o efeito fisiol&#243;gico pretendido, sua indica&#231;&#227;o deve ser discutida &#224; luz dos benef&#237;cios e &#244;nus esperados, dos valores e prefer&#234;ncias do paciente e dos <em><strong><span>objetivos do cuidado</span></strong></em>.</p></li></ul><p>Portanto, diante de uma <em><strong><span>interven&#231;&#227;o potencialmente inapropriada</span></strong></em>, a quest&#227;o n&#227;o &#233; apenas &#8220;isso funciona?&#8221;, mas tamb&#233;m &#8220;esse resultado faz sentido para este paciente?&#8221;.</p><div><hr></div><h4>Como navegar por essas situa&#231;&#245;es?</h4><p>Para reduzir o risco de que vieses ou a <em><strong><span>disson&#226;ncia cognitiva</span></strong></em> interfiram nessas decis&#245;es, vale retomar a <em><strong><a href="https://open.substack.com/pub/pilulaspaliativas/p/pilula-paliativa-13"><span>#PP013 Delibera&#231;&#227;o moral</span></a></strong></em>. A maior parte dos conflitos em <em><strong><span>fim de vida</span></strong></em> n&#227;o envolve interven&#231;&#245;es estritamente in&#250;teis do ponto de vista fisiol&#243;gico, mas interven&#231;&#245;es que podem funcionar tecnicamente e que, ainda assim, a equipe considera eticamente problem&#225;ticas diante do quadro global do paciente.</p><p>Chamar essas interven&#231;&#245;es de f&#250;teis pode transmitir &#224; <em><strong><span>fam&#237;lia</span></strong></em> a ideia de uma afirma&#231;&#227;o factual incontest&#225;vel &#8212; &#8220;n&#227;o vai funcionar&#8221; &#8212; quando, na verdade, estamos diante de algo diferente: &#8220;pode funcionar, mas precisamos discutir se devemos faz&#234;-lo&#8221;. Essa diferen&#231;a importa: enquanto uma impossibilidade fisiol&#243;gica pode ser sustentada por conhecimento t&#233;cnico, julgamentos sobre o valor ou a proporcionalidade de uma interven&#231;&#227;o exigem delibera&#231;&#227;o e di&#225;logo.</p><p>Ainda assim, &#8220;potencialmente inapropriada&#8221; pode parecer uma express&#227;o vaga para orientar decis&#245;es: inapropriada para quem e segundo qual crit&#233;rio? Essa inquieta&#231;&#227;o permanece presente no debate bio&#233;tico. Uma forma de organizar o racioc&#237;nio diante dessas situa&#231;&#245;es &#233; percorrer algumas etapas:</p><ol><li><p><strong><span>Verifique se existe futilidade fisiol&#243;gica estrita.</span></strong> Pergunte: <em><span>a interven&#231;&#227;o tem alguma possibilidade de atingir o objetivo fisiol&#243;gico pretendido?</span></em> Se a resposta for n&#227;o, estamos diante de <em><strong><span>futilidade terap&#234;utica</span></strong></em> em seu sentido mais restrito. &#201; importante, por&#233;m, explicitar qual era o objetivo da interven&#231;&#227;o e por que ele n&#227;o pode ser alcan&#231;ado, evitando confundir &#8220;<em><span>n&#227;o considero indicado</span></em>&#8221; em &#8220;<em><span>n&#227;o funciona</span></em>&#8221;.</p></li><li><p><strong><span>Se houver possibilidade de efeito, avalie a proporcionalidade.</span></strong> Pergunte: <em><span>o benef&#237;cio esperado justifica os &#244;nus impostos pela interven&#231;&#227;o?</span></em> Considere n&#227;o apenas a possibilidade de produzir determinado efeito fisiol&#243;gico, mas sua magnitude e dura&#231;&#227;o, os riscos, os <em><strong><span>efeitos adversos</span></strong></em>, o <em><strong><span>sofrimento</span></strong></em> associado e, sobretudo, sua rela&#231;&#227;o com os <em><strong><span>objetivos do cuidado</span></strong></em> daquele paciente.</p></li><li><p><strong><span>Esclare&#231;a os valores em jogo.</span></strong> O que significa benef&#237;cio para aquele paciente? O que paciente e <em><strong><span>fam&#237;lia</span></strong></em> querem dizer quando pedem para &#8220;fazer tudo&#8221;? O que a pr&#243;pria equipe considera um resultado aceit&#225;vel &#8212; e por qu&#234;? Frequentemente, o conflito pode nascer de expectativas n&#227;o alinhadas ou de diferentes interpreta&#231;&#245;es sobre o que constitui benef&#237;cio, e n&#227;o necessariamente de discord&#226;ncia sobre os fatos cl&#237;nicos.</p></li><li><p><strong><span>Busque um processo justo, n&#227;o apenas uma decis&#227;o unilateral.</span></strong> Quando o desacordo persiste mesmo ap&#243;s uma comunica&#231;&#227;o cuidadosa, o caminho n&#227;o deve ser simplesmente a imposi&#231;&#227;o da perspectiva de um dos lados. Segunda opini&#227;o, discuss&#227;o interprofissional, consulta ao comit&#234; de bio&#233;tica ou estrutura equivalente e tempo para elabora&#231;&#227;o podem integrar um processo estruturado de resolu&#231;&#227;o do conflito. O objetivo n&#227;o &#233; apenas chegar a uma decis&#227;o, mas garantir que ela seja constru&#237;da por um processo clinicamente fundamentado, transparente e eticamente justific&#225;vel.</p><p></p></li></ol><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? Digite seu e-mail abaixo e subscreva gratuitamente para receber um novo conte&#250;do toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>O Brasil e as normas regulat&#243;rias</h4><p>O par&#225;grafo &#250;nico do artigo 41 do <em><strong><span>C&#243;digo de &#201;tica M&#233;dica</span></strong></em> (Resolu&#231;&#227;o CFM n&#186; 2.217/2018) &#233; assertivo: nos casos de doen&#231;a incur&#225;vel e terminal, o m&#233;dico deve oferecer todos os <em><strong><span>Cuidados Paliativos</span></strong></em> dispon&#237;veis e n&#227;o deve empreender a&#231;&#245;es diagn&#243;sticas ou terap&#234;uticas in&#250;teis ou obstinadas, considerando sempre a vontade expressa do paciente ou, quando ele n&#227;o puder manifest&#225;-la, a de seu <em><strong><span>representante legal</span></strong></em>. Assim, o marco &#233;tico-profissional que orienta a atua&#231;&#227;o da classe m&#233;dica no Brasil n&#227;o obriga o uso de todos os recursos tecnol&#243;gicos dispon&#237;veis &#8212; e reconhece que existem situa&#231;&#245;es em que determinadas interven&#231;&#245;es n&#227;o devem ser institu&#237;das ou mantidas.</p><p>No estado de S&#227;o Paulo, a Resolu&#231;&#227;o CREMESP n&#186; 355/2022 avan&#231;a justamente na distin&#231;&#227;o que discutimos nesta <em><strong><span>#PP</span></strong></em>. Seu pr&#243;prio anexo define <em><strong><span>futilidade terap&#234;utica</span></strong></em> como a interven&#231;&#227;o que, segundo as melhores evid&#234;ncias dispon&#237;veis, n&#227;o alcan&#231;a o objetivo fisiol&#243;gico pretendido, enquanto o tratamento potencialmente inapropriado ainda apresenta alguma possibilidade de alcan&#231;&#225;-lo, mas h&#225; considera&#231;&#245;es &#233;ticas que podem justificar sua contraindica&#231;&#227;o.</p><p>Essa diferen&#231;a produz consequ&#234;ncias pr&#225;ticas. Para as <em><strong><span>interven&#231;&#245;es potencialmente inapropriadas</span></strong></em>, o artigo 2&#186; determina que sua indica&#231;&#227;o ou contraindica&#231;&#227;o seja compartilhada e que se busque consenso entre equipe de sa&#250;de e paciente ou <em><strong><span>fam&#237;lia</span></strong></em>. Persistindo o desacordo, recomenda-se o envolvimento da equipe especializada em <em><strong><span>Cuidados Paliativos</span></strong></em> e/ou de comit&#234;s de &#233;tica ou bio&#233;tica. Ou seja: quando uma interven&#231;&#227;o pode funcionar fisiologicamente, mas sua adequa&#231;&#227;o est&#225; em discuss&#227;o, n&#227;o basta apresentar um julgamento de valor como se fosse um fato t&#233;cnico.</p><p>Analisar os fatos, reconhecer conex&#245;es e perceber detalhes que poderiam passar despercebidos no cotidiano &#233; uma forma de aprimorar o racioc&#237;nio cl&#237;nico &#8212; como na Penseira de Dumbledore, em &#8220;Harry Potter e o C&#225;lice de Fogo&#8221;, onde os pensamentos e mem&#243;rias podem ser revisitadas e examinadas sob novas perspectivas.</p><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong><span>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</span></strong></h5><ul><li><p><strong><span>Evite</span></strong> usar <em><strong><span>futilidade</span></strong></em> <em><strong><span>terap&#234;utica </span></strong></em>como sin&#244;nimo de tratamento desproporcional, indesejado ou de benef&#237;cio question&#225;vel.</p></li><li><p><strong><span>Reconhe&#231;a</span></strong> quando estiver diante de uma <em><strong><span>interven&#231;&#227;o potencialmente inapropriada</span></strong></em>: se ela pode funcionar, mas existem raz&#245;es &#233;ticas para questionar sua indica&#231;&#227;o, explicite quais s&#227;o essas raz&#245;es e quais valores est&#227;o envolvidos.</p></li><li><p><strong><span>Busque</span></strong> um processo de <em><strong><span>tomada de decis&#227;o compartilhada</span></strong></em> diante de desacordos persistentes, recorrendo, quando necess&#225;rio, &#224; segunda opini&#227;o, &#224; equipe de <em><strong><span>Cuidados Paliativos</span></strong></em> e aos comit&#234;s de &#233;tica ou bio&#233;tica.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong><span>Voc&#234; j&#225; tem o </span></strong><em><strong><span>e-pali</span></strong></em><strong><span> ou costuma ler </span></strong><em><strong><span>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</span></strong></em><strong><span> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</span></strong></h5><p>&#128161; Na pr&#225;tica, sempre que voc&#234; pensar &#8220;esse tratamento &#233; f&#250;til&#8221;, experimente completar a frase: &#8220;f&#250;til para alcan&#231;ar qual objetivo?&#8221;. Se a interven&#231;&#227;o realmente n&#227;o puder atingir o objetivo fisiol&#243;gico pretendido, estamos falando de <em><strong><span>futilidade terap&#234;utica</span></strong></em>. Mas, se ela pode funcionar e, ainda assim, voc&#234; acredita que n&#227;o deveria ser realizada, pare por um instante: provavelmente existem valores envolvidos nessa conclus&#227;o. Nome&#225;-los &#233; o primeiro passo para transformar um julgamento em uma decis&#227;o que possa ser discutida com paciente, <em><strong><span>fam&#237;lia</span></strong></em> e equipe.</p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong><span>Os Cuidados Paliativos t&#234;m uma linguagem pr&#243;pria. </span></strong>O Gloss&#225;rio Paliativo re&#250;ne mais de 400 conceitos, organizados em uma biblioteca gratuita e atualizada continuamente para apoiar sua pr&#225;tica cl&#237;nica.</h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png" width="1456" height="485" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:485,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><strong><span>&#128073; Esta edi&#231;&#227;o cita 17 conceitos, dispon&#237;veis gratuitamente no Gloss&#225;rio Paliativo:</span></strong></p><p><a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/antimicrobiano"><span>Antimicrobiano</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/cuidados-paliativos"><span>Cuidados Paliativos</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/codigo-de-etica-medica-cem"><span>C&#243;digo de &#201;tica M&#233;dica (CEM)</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/deliberacao-moral"><span>Delibera&#231;&#227;o moral</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/dissonancia-cognitiva"><span>Disson&#226;ncia cognitiva</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/efeito-adverso"><span>Efeito adverso</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/familia"><span>Fam&#237;lia</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/fim-de-vida"><span>Fim de vida</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/futilidade-terapeutica"><span>Futilidade terap&#234;utica</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/intervencao-futil"><span>Interven&#231;&#227;o f&#250;til</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/objetivo-do-cuidado"><span>Objetivo do cuidado</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/obstinacao-terapeutica"><span>Obstina&#231;&#227;o terap&#234;utica</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/representante-legal"><span>Representante legal</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/reanimacao-cardiopulmonar-rcp"><span>Reanima&#231;&#227;o cardiopulmonar (RCP)</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/sofrimento"><span>Sofrimento</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/tomada-de-decisao-compartilhada"><span>Tomada de decis&#227;o compartilhada</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/tratamento-ou-intervencao-potencialmente-inapropriado"><span>Tratamento (ou interven&#231;&#227;o) potencialmente inapropriado</span></a></p><p>O <em><strong><span>Gloss&#225;rio Paliativo</span></strong></em> cresce continuamente, com novos conceitos incorporados a cada edi&#231;&#227;o das <em><strong><span>P&#237;lulas Paliativas</span></strong></em>.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Explorar o gloss&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/"><span>Explorar o gloss&#225;rio</span></a></p><p></p><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Schneiderman LJ, Jecker NS, Jonsen AR. <em><span>Medical Futility: Its Meaning and Ethical Implications. </span></em>Ann Intern Med. 1990;112(12):949-954.</p></li><li><p>Bosslet GT, Pope TM, Rubenfeld GD, et al. <em><span>An Official ATS/AACN/ACCP/ESICM/SCCM Policy Statement: Responding to Requests for Potentially Inappropriate Treatments in Intensive Care Units. </span></em>Am J Respir Crit Care Med. 2015;191(11):1318-1330.</p></li><li><p>UpToDate. <em><span>Palliative care: Medically futile and potentially inappropriate (inadvisable) therapies of questionable benefit. </span></em>Revis&#227;o cont&#237;nua.</p></li><li><p>Silva, J. Conflitos Morais em Bio&#233;tica Cl&#237;nica. Editora Plenavoz (MG). 2022. 222p.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #082 ]]></title><description><![CDATA[Identifica&#231;&#227;o de necessidades paliativas complexas]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-082</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-082</guid><pubDate>Wed, 26 Aug 2026 12:04:21 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2dc37b43-5271-475c-9809-1c4429169327_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Categorias</strong>: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/fundamentos">Fundamentos</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/tomada-de-decisao">Tomada de decis&#227;o</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/gestao-em-cuidados-paliativos">Gest&#227;o em cuidados paliativos</a>, 
<strong>Autor(a)</strong>: Juliana Martins, m&#233;dica cl&#237;nica e paliativista
<strong>Publicado em</strong>: 26/08/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>Estimativas globais indicam que mais de 56 milh&#245;es de pessoas necessitam de <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> a cada ano, e essa demanda tende a crescer com o envelhecimento populacional e o aumento das doen&#231;as cr&#244;nicas. Diante de uma necessidade t&#227;o ampla, seria invi&#225;vel que todos esses pacientes fossem acompanhados diretamente por equipes especializadas. Como j&#225; discutimos em edi&#231;&#245;es anteriores &#8212; como na <em><strong><a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-025">#PP025 Ferramentas de Triagem em Cuidados Paliativos</a></strong></em> e na <em><strong><a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-008">#PP008 Servi&#231;os de Cuidados Paliativos</a></strong></em> &#8212;, os <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> precisam fazer parte das compet&#234;ncias dos profissionais que assistem pessoas com <em><strong>doen&#231;as amea&#231;adoras &#224; vida</strong></em>, reservando-se a atua&#231;&#227;o especializada principalmente para situa&#231;&#245;es que demandem <em><strong>habilidades paliativas </strong></em>avan&#231;adas.</p><p>Identificar uma <em><strong>necessidade paliativa</strong></em> n&#227;o significa, portanto, indicar automaticamente o acompanhamento por uma equipe especializada. O desafio seguinte &#233; reconhecer a complexidade dessas necessidades e compreender quais podem ser manejadas pela equipe que j&#225; acompanha o paciente, desde que capacitada em <em><strong>habilidades paliativas </strong></em>b&#225;sicas, e quais demandam <em><strong>Cuidados Paliativos avan&#231;ados</strong></em>.</p><p>Nesta <em><strong>#PP</strong></em>, discutiremos como identificar <em><strong>necessidades paliativas </strong></em>complexas e utilizar essa avalia&#231;&#227;o para orientar a participa&#231;&#227;o de profissionais com compet&#234;ncias avan&#231;adas em <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? Subscreva seu e-mail gratuitamente para receber novos conte&#250;dos toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>O que &#233; complexidade em Cuidados Paliativos?</h4><p>A palavra &#8220;complexo&#8221; define aquilo que &#233; composto por m&#250;ltiplos elementos inter-relacionados ou que apresenta dificuldade de compreens&#227;o ou resolu&#231;&#227;o. Em <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>, complexidade diz respeito &#224; natureza da situa&#231;&#227;o vivenciada pelo paciente e &#224; extens&#227;o das necessidades e demandas de cuidado que dela resultam. Ela pode ser influenciada pelo <em><strong>diagn&#243;stico</strong></em>, pelo <em><strong>progn&#243;stico</strong></em> ou pela intensidade dos <em><strong>sintomas</strong></em>, mas n&#227;o &#233; determinada isoladamente por nenhum desses fatores. Por exemplo, uma <em><strong>dor</strong></em> intensa pode ser adequadamente manejada por uma equipe capacitada em <em><strong>habilidades paliativas</strong></em> b&#225;sicas e com acesso aos recursos necess&#225;rios. Essa mesma situa&#231;&#227;o pode tornar-se complexa quando sua resolu&#231;&#227;o exige compet&#234;ncias ou recursos que a equipe n&#227;o possui. Assim, intensidade, gravidade e complexidade n&#227;o s&#227;o sin&#244;nimos: <em><strong>sintomas</strong></em> intensos ou doen&#231;as e complica&#231;&#245;es graves podem envolver necessidades relativamente simples de manejar, enquanto situa&#231;&#245;es de menor gravidade podem ser complexas.</p><p>Al&#233;m disso, a complexidade n&#227;o &#233; uma caracter&#237;stica inerente ao paciente, nem resulta da simples soma de problemas. Ela emerge da intera&#231;&#227;o entre as necessidades do paciente e da <em><strong>fam&#237;lia</strong></em>, os recursos dispon&#237;veis e a capacidade de resposta dos profissionais e servi&#231;os envolvidos no cuidado. Por isso, pode variar conforme o contexto e se modificar ao longo da trajet&#243;ria da doen&#231;a.</p><div><hr></div><h4>De onde vem a complexidade?</h4><p>A complexidade &#233; multifatorial e pode emergir de diferentes dimens&#245;es da experi&#234;ncia de adoecimento e do cuidado. Para facilitar sua compreens&#227;o, podemos organizar didaticamente os fatores que contribuem para a complexidade em alguns grupos. Essa divis&#227;o n&#227;o constitui uma classifica&#231;&#227;o, e esses fatores frequentemente se sobrep&#245;em:</p><ul><li><p>Paciente e <em><strong>fam&#237;lia</strong></em>: necessidades f&#237;sicas, psicoemocionais, sociais, familiares e espirituais; capacidade de cuidado e suporte familiar; condi&#231;&#245;es socioecon&#244;micas.</p></li><li><p>Rela&#231;&#245;es, comunica&#231;&#227;o e tomada de decis&#227;o: dificuldades de comunica&#231;&#227;o; conflitos entre paciente, familiares e profissionais; dificuldades na tomada de decis&#227;o; e quest&#245;es bio&#233;ticas relacionadas ao cuidado.</p></li><li><p>Equipe de sa&#250;de: conflitos entre profissionais e aus&#234;ncia das compet&#234;ncias t&#233;cnicas necess&#225;rias para responder a determinadas necessidades.</p></li><li><p>Servi&#231;o e rede de cuidado: disponibilidade de recursos, acesso a medicamentos e tecnologias, organiza&#231;&#227;o e continuidade do cuidado, possibilidade de acompanhamento e acesso aos diferentes profissionais e servi&#231;os da rede.</p></li></ul><p>Esses fatores n&#227;o atuam de forma independente. Uma necessidade pode adquirir maior complexidade quando se associa a outras demandas ou quando os recursos e compet&#234;ncias necess&#225;rios para atend&#234;-la n&#227;o est&#227;o dispon&#237;veis. Assim, compreender a complexidade exige olhar n&#227;o apenas para o que o paciente e sua <em><strong>fam&#237;lia</strong></em> precisam, mas tamb&#233;m para as rela&#231;&#245;es envolvidas no cuidado e para a capacidade da equipe, do servi&#231;o e da rede de responder a essas necessidades.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? 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A <em><strong>Pol&#237;tica Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP)</strong></em> prev&#234; acesso aos <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> em todos os pontos da <em><strong>Rede de Aten&#231;&#227;o &#224; Sa&#250;de (RAS)</strong></em>, ao mesmo tempo em que prop&#245;e regula&#231;&#227;o assistencial, coordena&#231;&#227;o do cuidado, defini&#231;&#227;o de fluxos e articula&#231;&#227;o entre as equipes assistenciais e aquelas especializadas em <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>. Nesse contexto, avaliar a complexidade pode contribuir para direcionar a atua&#231;&#227;o das equipes especializadas &#224;s situa&#231;&#245;es que mais necessitam de sua <em>expertise</em>, sem restringir o acesso &#224; abordagem paliativa.</p><p>Reconhecer e dimensionar todos os fatores que contribuem para a complexidade de forma n&#227;o sistematizada pode ser dif&#237;cil. Por isso, diferentes instrumentos foram desenvolvidos para apoiar essa avalia&#231;&#227;o. Revis&#245;es da literatura mostram grande diversidade entre eles quanto &#224;s dimens&#245;es avaliadas e &#224; forma de classificar a <em><strong>complexidade</strong></em>, destacando <em><strong>HexCom</strong></em>, <em><strong>IDC-Pal</strong></em> e <em><strong>ID-PALL</strong></em> entre os instrumentos que permitem avalia&#231;&#245;es mais abrangentes das necessidades individuais.</p><p>O <em><strong>HexCom</strong></em> organiza a avalia&#231;&#227;o em diferentes dimens&#245;es das necessidades e considera tamb&#233;m os recursos dispon&#237;veis para responder a elas. O <em><strong>IDC-Pal</strong></em> identifica elementos de complexidade relacionados ao paciente, &#224; <em><strong>fam&#237;lia</strong></em> e &#224; organiza&#231;&#227;o do cuidado, permitindo classificar as situa&#231;&#245;es como n&#227;o complexas, complexas ou altamente complexas. J&#225; o <em><strong>ID-PALL</strong></em> &#233; um instrumento breve desenvolvido para auxiliar profissionais n&#227;o especialistas a identificar pessoas com necessidades de <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> e <strong>diferenciar situa&#231;&#245;es que podem ser atendidas por </strong><em><strong>Cuidados Paliativos b&#225;sicos</strong></em><strong> daquelas que podem demandar </strong><em><strong>Cuidados Paliativos avan&#231;ados</strong></em><strong>.</strong></p><p>No Brasil, ainda s&#227;o limitadas as op&#231;&#245;es de instrumentos adaptados ao nosso contexto. O <em><strong>ID-PALL</strong></em> possui vers&#227;o traduzida e adaptada transculturalmente para o portugu&#234;s brasileiro &#8212; o <em><strong>ID-PALL-BR</strong></em>&#8212;, enquanto n&#227;o identificamos vers&#245;es brasileiras do <em><strong>HexCom</strong></em> e do <em><strong>IDC-Pal</strong></em>; este &#250;ltimo possui vers&#227;o adaptada para o portugu&#234;s europeu.</p><p>Nenhum instrumento, entretanto, substitui a avalia&#231;&#227;o cl&#237;nica. Mais do que produzir uma classifica&#231;&#227;o ou pontua&#231;&#227;o, avaliar a complexidade significa perguntar se as necessidades daquela pessoa e de sua <em><strong>fam&#237;lia</strong></em> podem ser adequadamente atendidas com as compet&#234;ncias e recursos dispon&#237;veis naquele contexto. Quando essas necessidades excedem essa capacidade de resposta, deve-se considerar o envolvimento de profissionais ou equipes com maior n&#237;vel de <em>expertise</em> em <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>.</p><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong>Identifique</strong> as <em><strong>necessidades paliativas</strong></em>, lembrando que sua presen&#231;a n&#227;o significa automaticamente necessidade de acompanhamento por uma equipe especializada.</p></li><li><p><strong>Avalie</strong> a <em><strong>complexidade</strong></em> considerando as necessidades do paciente e da <em><strong>fam&#237;lia</strong></em>, os recursos dispon&#237;veis e a capacidade de resposta da equipe e da rede de cuidado.</p></li><li><p><strong>Reconhe&#231;a</strong> a complexidade ao longo da trajet&#243;ria da doen&#231;a: necessidades, recursos e capacidade de resposta podem se modificar com o tempo.</p></li><li><p><strong>Direcione</strong> compet&#234;ncias e recursos especializados para as situa&#231;&#245;es que deles necessitam, favorecendo a coordena&#231;&#227;o do cuidado e o acesso aos <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; Quando estiver diante de uma situa&#231;&#227;o que parece complexa, experimente mudar a pergunta. Em vez de pensar apenas <em><span>&#8220;o que este paciente precisa?&#8221;</span></em>, pergunte tamb&#233;m <em><span>&#8220;o que temos dispon&#237;vel para responder a essas necessidades?&#8221;</span></em>. Muitas vezes, a complexidade n&#227;o est&#225; em um problema isolado, mas na dist&#226;ncia entre aquilo de que o paciente e sua <em><strong><span>fam&#237;lia</span></strong></em> precisam e aquilo que conseguimos oferecer naquele contexto. Reconhecer essa dist&#226;ncia ajuda a identificar quando &#233; necess&#225;rio mobilizar outros profissionais ou recursos.</p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>Os Cuidados Paliativos t&#234;m uma linguagem pr&#243;pria.</strong><br>O Gloss&#225;rio Paliativo re&#250;ne mais de 400 conceitos, organizados em uma biblioteca gratuita e atualizada continuamente para apoiar sua pr&#225;tica cl&#237;nica.</h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1456w" sizes="100vw"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png" width="1456" height="485" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:485,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1272,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>&#128073; Esta edi&#231;&#227;o cita 18 conceitos, dispon&#237;veis gratuitamente no <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/">Gloss&#225;rio Paliativo</a>:</p><p style="text-align: center;"><a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/cuidados-paliativos"><span>Cuidados Paliativos</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/cuidados-paliativos-avancados"><span>Cuidados Paliativos avan&#231;ados</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/cuidados-paliativos-basicos"><span>Cuidados Paliativos b&#225;sicos</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/diagnostico"><span>Diagn&#243;stico</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/doenca-ameacadora-a-vida"><span>Doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/dor"><span>Dor</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/familia"><span>Fam&#237;lia</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/habilidades-paliativas"><span>Habilidades paliativas</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/hexagono-de-complexidade-hexcom"><span>Hex&#225;gono de complexidade (HexCom)</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/id-pall-br"><span>ID-PALL-BR</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/identification-des-patients-necessitant-des-soins-palliatifs-generaux-et-specialises-id-pall"><span>Identification des Patients n&#233;cessitant des Soins Palliatifs G&#233;n&#233;raux et Sp&#233;cialis&#233;s (ID-PALL)</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/instrumento-diagnostico-de-la-complejidad-en-cuidados-paliativos-idc-pal"><span>Instrumento Diagn&#243;stico de la Complejidad en Cuidados Paliativos (IDC-Pal)</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/necessidade-paliativa"><span>Necessidade paliativa</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/politica-publica-de-cuidados-paliativos-pncp"><span>Pol&#237;tica P&#250;blica de Cuidados Paliativos (PNCP)</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/prognostico"><span>Progn&#243;stico</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/rede-de-atencao-a-saude-ras"><span>Rede de Aten&#231;&#227;o &#224; Sa&#250;de (RAS)</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/sintoma"><span>Sintoma</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/sistema-unico-de-saude-sus"><span>Sistema &#218;nico de Sa&#250;de (SUS)</span></a></p><p>O <em><strong>Gloss&#225;rio Paliativo</strong></em> cresce continuamente, com novos conceitos incorporados a cada edi&#231;&#227;o das <em><strong>P&#237;lulas Paliativas</strong></em>.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Explorar o gloss&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/"><span>Explorar o gloss&#225;rio</span></a></p><p></p><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Grant M, de Graaf E, Teunissen S. A systematic review of classification systems to determine complexity of patient care needs in palliative care. Palliative Medicine. 2021;35(4):636&#8211;650.</p></li><li><p>Cerullo G, et al. Complexity of patient care needs in palliative care: a scoping review. Annals of Palliative Medicine. 2023;12(4):791&#8211;802.</p></li><li><p>Busquet-Duran X, et al. Describing complexity in palliative home care through HexCom: a cross-sectional, multicenter study. Journal of Multidisciplinary Healthcare. 2020;13:297&#8211;308.</p></li><li><p>Esteban-P&#233;rez M, et al. Assessing face validity of the HexCom Model for capturing complexity in clinical practice: a Delphi study. Healthcare. 2021;9(2):165.</p></li><li><p>Mart&#237;n-Rosell&#243; ML, Fern&#225;ndez-L&#243;pez A, Sanz-Amores R, G&#243;mez-Garc&#237;a R, Vidal-Espa&#241;a F, Cia-Ramos R. IDC-Pal: Instrumento diagn&#243;stico de la complejidad en cuidados paliativos. Documento de apoyo al PAI Cuidados Paliativos. Sevilla: Consejer&#237;a de Igualdad, Salud y Pol&#237;ticas Sociales, Junta de Andaluc&#237;a; 2014.</p></li><li><p>Teike L&#252;thi, F., Bernard, M., Behaghel, G., Burgniard, S., Larkin, P., &amp; Borasio, G. D. (2024). Implementation of the ID-PALL Assessment Tool for Palliative Care Needs: A Feasibility and Prevalence Study in a Tertiary Hospital. Palliative medicine reports, 5(1), 350&#8211;358.</p></li><li><p>Pedroso et al. Translation and cross-cultural adaptation of the Identification des patients n&#233;cessitant des soins palliatifs g&#233;n&#233;raux et sp&#233;cialis&#233;s (ID-PALL&#169;) to Brazilian Portuguese. Palliative &amp; Supportive Care. 2026.</p><p>Brasil. Minist&#233;rio da Sa&#250;de. Portaria GM/MS n&#186; 3.681, de 7 de maio de 2024. Institui a Pol&#237;tica Nacional de Cuidados Paliativos no &#226;mbito do Sistema &#218;nico de Sa&#250;de (SUS).</p></li><li><p>Cherny NI, Fallon M, Kaasa S, Portenoy RK, Currow DC, eds. Oxford Textbook of Palliative Medicine. 6th ed. Oxford University Press; 2021.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #081]]></title><description><![CDATA[Fadiga]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-081</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-081</guid><pubDate>Wed, 19 Aug 2026 12:03:26 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ec66eea9-5866-4982-87fb-a4601cab0644_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Categorias</strong>: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/avaliacao-prognostica">Avalia&#231;&#227;o progn&#243;stica</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-sintomas">Manejo de sintomas</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-fim-de-vida">Manejo de fim de vida</a>
<strong>Autor(a)</strong>: Juliana Martins, m&#233;dica cl&#237;nica e paliativista
<strong>Publicado em</strong>: 19/08/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>Sentir-se cansado ap&#243;s um dia intenso ou uma noite mal dormida faz parte da experi&#234;ncia de qualquer pessoa. Mas, para quem vive com uma <em><strong>doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida</strong></em>, o cansa&#231;o pode assumir outra dimens&#227;o: persistir apesar do repouso, limitar atividades cotidianas e consumir a pouca energia dispon&#237;vel para aquilo que realmente importa.</p><p>A <em><strong>fadiga</strong></em> &#233; um sintoma frequente em pessoas acompanhadas pelos <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>, mas nem sempre recebe a mesma aten&#231;&#227;o que <em><strong>dor</strong></em>, <em><strong>dispneia</strong></em> ou outros sintomas f&#237;sicos. Parte dessa invisibilidade pode estar relacionada &#224; dificuldade de defini-la, mensur&#225;-la e, principalmente, trat&#225;-la. Nesta <em><strong>#PP</strong></em>, vamos entender o que caracteriza a <em><strong>fadiga</strong></em> e o que podemos fazer diante dela.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? Subscreva seu e-mail gratuitamente para receber novos conte&#250;dos toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4><span>Cansa&#231;o &#233; </span><em><strong><span>fadiga</span></strong></em><span>?</span></h4><p>A <em><strong>fadiga</strong></em> &#233; uma experi&#234;ncia subjetiva de cansa&#231;o ou exaust&#227;o associada &#224; percep&#231;&#227;o de menor capacidade para realizar atividades f&#237;sicas ou mentais. Diferentemente do cansa&#231;o habitual, pode ser persistente, desproporcional &#224; atividade realizada e n&#227;o melhorar adequadamente com o repouso. Em pessoas com c&#226;ncer, pode estar relacionada tanto &#224; pr&#243;pria doen&#231;a quanto ao seu tratamento, mas tamb&#233;m &#233; frequente em outras <em><strong>doen&#231;as amea&#231;adoras &#224; vida</strong></em>. Grande parte das evid&#234;ncias dispon&#237;veis, entretanto, vem de estudos realizados em pacientes oncol&#243;gicos.</p><p>Al&#233;m da dimens&#227;o f&#237;sica, a <em><strong>fadiga</strong></em> pode apresentar componentes cognitivos e emocionais. Por isso, &#233; importante diferenci&#225;-la de sintomas ou condi&#231;&#245;es que podem ser descritos de maneira semelhante, como <em>sonol&#234;ncia</em>, <em><strong>fraqueza muscular</strong></em>, <em><strong>depress&#227;o</strong></em>, <em><strong>delirium</strong></em> e lentifica&#231;&#227;o psicomotora. A pergunta &#8220;voc&#234; est&#225; cansado?&#8221; pode n&#227;o ser suficiente para compreender o que a pessoa est&#225; experimentando.</p><p>A avalia&#231;&#227;o deve considerar n&#227;o apenas a intensidade da <em><strong>fadiga</strong></em>, mas tamb&#233;m sua repercuss&#227;o sobre a <em><strong>funcionalidade</strong></em>. Uma escala num&#233;rica de 0 a 10 pode ser utilizada para rastreamento e acompanhamento, enquanto instrumentos como o <em><strong>Brief Fatigue Inventory</strong></em> permitem avaliar tamb&#233;m sua interfer&#234;ncia em diferentes dimens&#245;es da vida cotidiana, como atividades gerais, trabalho, rela&#231;&#245;es interpessoais e capacidade de aproveitar a vida. Mais importante do que uma medida isolada &#233; acompanhar sua evolu&#231;&#227;o, uma vez que mudan&#231;as ao longo do tempo podem ajudar a identificar fatores que contribuem para o sintoma e avaliar a resposta &#224;s interven&#231;&#245;es propostas.</p><div><hr></div><h4><span>De onde vem a </span><em><strong><span>fadiga</span></strong></em><span>?</span></h4><p>Em <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>, dificilmente existe uma &#250;nica explica&#231;&#227;o para a <em><strong>fadiga</strong></em>. A pr&#243;pria doen&#231;a e seus tratamentos podem contribuir, assim como anemia, infec&#231;&#245;es, desidrata&#231;&#227;o, altera&#231;&#245;es metab&#243;licas ou end&#243;crinas, <em><strong>caquexia</strong></em>, redu&#231;&#227;o do condicionamento f&#237;sico e doen&#231;as concomitantes. Outros sintomas &#8212; como <em><strong>dor</strong></em>, <em><strong>dispneia</strong></em>, <em><strong>ansiedade</strong></em>, <em><strong>depress&#227;o</strong></em> e altera&#231;&#245;es do sono &#8212; tamb&#233;m podem intensific&#225;-la. A revis&#227;o dos medicamentos &#233; parte importante dessa investiga&#231;&#227;o: <em><strong>opioides, corticosteroides</strong></em> e outros medicamentos sedativos, al&#233;m da <em><strong>polifarm&#225;cia</strong></em> e de <em><strong>intera&#231;&#245;es medicamentosas</strong></em>, podem estar envolvidos.</p><p>A investiga&#231;&#227;o deve ser orientada pela hist&#243;ria cl&#237;nica e pelo exame f&#237;sico. Exames complementares podem ser necess&#225;rios quando houver suspeita de condi&#231;&#245;es potencialmente trat&#225;veis, mas identificar uma altera&#231;&#227;o n&#227;o significa necessariamente que ela seja respons&#225;vel pela <em><strong>fadiga</strong></em>. Por exemplo, um paciente pode apresentar anemia e <em><strong>fadiga</strong></em> simultaneamente sem que a primeira seja a principal causa da segunda. Por isso, quando uma poss&#237;vel causa &#233; tratada, o sintoma deve ser reavaliado para verificar se houve benef&#237;cio.</p><p>Antes de investigar ou tratar, tr&#234;s perguntas ajudam a orientar a abordagem::</p><ul><li><p>A <em><strong>fadiga</strong></em> &#233; um problema relevante para esta pessoa?</p></li><li><p>Quais s&#227;o suas causas mais prov&#225;veis?</p></li><li><p>Existe alguma interven&#231;&#227;o com uma rela&#231;&#227;o razo&#225;vel entre benef&#237;cios e &#244;nus?</p></li></ul><p>Em <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>, procurar causas potencialmente revers&#237;veis n&#227;o significa necessariamente investigar todas as causas poss&#237;veis, mas identificar aquelas cuja abordagem possa trazer benef&#237;cio compat&#237;vel com os <em><strong>objetivos do cuidado</strong></em>.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? 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Nesses casos, o manejo deve combinar estrat&#233;gias individualizadas, farmacol&#243;gicas e n&#227;o farmacol&#243;gicas, considerando a condi&#231;&#227;o cl&#237;nica, a <em><strong>funcionalidade</strong></em> e aquilo que a pessoa deseja conseguir fazer.</p><p>Uma das estrat&#233;gias &#233; a <em><strong>conserva&#231;&#227;o de energia</strong></em>, que busca reduzir o gasto desnecess&#225;rio e direcionar a energia dispon&#237;vel para as atividades mais importantes. Uma forma pr&#225;tica de orientar essa estrat&#233;gia &#233; utilizar os 4 Ps:</p><ul><li><p>Planejamento (<em>planning</em>): organizar previamente as atividades, distribuindo as tarefas ao longo do dia ou da semana e aproveitando os per&#237;odos de maior disposi&#231;&#227;o;</p></li><li><p>Ritmo (<em>pacing</em>): alternar atividade e descanso, realizar as tarefas em um ritmo sustent&#225;vel e fazer pausas antes de atingir a exaust&#227;o;</p></li><li><p>Posicionamento (<em>positioning</em>): adaptar a postura e o ambiente para reduzir o esfor&#231;o necess&#225;rio, como realizar determinadas atividades sentado ou manter objetos de uso frequente ao alcance;</p></li><li><p>Prioriza&#231;&#227;o (<em>prioritizing</em>): identificar quais atividades s&#227;o mais importantes para a pessoa, delegando, adiando ou deixando de realizar aquelas que consomem energia sem contribuir de maneira significativa para seus objetivos.</p></li></ul><p>Conservar energia, entretanto, n&#227;o significa recomendar repouso indiscriminadamente. Quando a condi&#231;&#227;o cl&#237;nica permite, atividade f&#237;sica e exerc&#237;cio individualizados podem ajudar a preservar a <em><strong>funcionalidade</strong></em> e reduzir o descondicionamento. A evid&#234;ncia de redu&#231;&#227;o da <em><strong>fadiga</strong></em> com a atividade f&#237;sica &#233; mais consistente durante e ap&#243;s o tratamento do c&#226;ncer; em pacientes com <em><strong>doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida</strong></em> acompanhados pelos <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>, os resultados ainda s&#227;o menos consistentes.</p><p>Tamb&#233;m n&#227;o existe um medicamento capaz de tratar rotineiramente a <em><strong>fadiga</strong></em> em todas as pessoas. <em><strong>Corticosteroides</strong></em> podem produzir benef&#237;cio de curto prazo em alguns pacientes com c&#226;ncer avan&#231;ado, mas sua utiliza&#231;&#227;o deve considerar o <em><strong>progn&#243;stico</strong></em> e o risco de <em><strong>efeitos adversos</strong></em>. Os psicoestimulantes tamb&#233;m foram estudados, mas a evid&#234;ncia permanece inconsistente e n&#227;o sustenta seu uso rotineiro. Mais do que procurar uma &#250;nica interven&#231;&#227;o, o manejo da <em><strong>fadiga</strong></em> costuma exigir a combina&#231;&#227;o de diferentes estrat&#233;gias direcionadas &#224;s necessidades de cada pessoa.</p><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong>Pergunte</strong> ativamente sobre <em><strong>fadiga</strong></em> e avalie seu impacto na <em><strong>funcionalidade</strong></em> e nas atividades importantes para a pessoa.</p></li><li><p><strong>Diferencie</strong> <em><strong>fadiga</strong></em> de sonol&#234;ncia, <em><strong>fraqueza muscular</strong></em>, <em><strong>depress&#227;o</strong></em> e outras condi&#231;&#245;es percebidas como &#8220;falta de energia&#8221;.</p></li><li><p><strong>Investigue</strong> causas potencialmente trat&#225;veis quando sua identifica&#231;&#227;o puder resultar em benef&#237;cio para aquela pessoa.</p></li><li><p><strong>Oriente</strong> estrat&#233;gias de <em><strong>conserva&#231;&#227;o de energia</strong></em> utilizando os 4 Ps: planejamento, ritmo, posicionamento e prioriza&#231;&#227;o.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; <span>Nem sempre precisamos eliminar a </span><em><strong><span>fadiga</span></strong></em><span> para que o tratamento tenha sido bem-sucedido. Uma pequena melhora pode ser suficiente para que ela deixe de ocupar um lugar t&#227;o importante entre os problemas percebidos pela pessoa. Por isso, al&#233;m de perguntar &#8220;quanto &#233; sua </span><em><strong><span>fadiga</span></strong></em><span> de zero a dez?&#8221;, experimente perguntar: &#8220;O que voc&#234; gostaria de conseguir fazer se tivesse um pouco mais de energia?&#8221;. A resposta ajuda a transformar o controle do </span><em><strong><span>sintoma</span></strong></em><span> em um objetivo concreto e significativo para aquela pessoa.</span></p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>Os Cuidados Paliativos t&#234;m uma linguagem pr&#243;pria.</strong><br>O Gloss&#225;rio Paliativo re&#250;ne mais de 350 conceitos, organizados em uma biblioteca gratuita e atualizada continuamente para apoiar sua pr&#225;tica cl&#237;nica.</h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, 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fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>&#128073; Esta edi&#231;&#227;o cita 16 conceitos, dispon&#237;veis gratuitamente no <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/">Gloss&#225;rio Paliativo</a>:</p><p><a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/ansiedade">Ansiedade</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/caquexia">Caquexia</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/conservacao-de-energia">Conserva&#231;&#227;o de energia</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/cuidados-paliativos">Cuidados Paliativos</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/delirium">Delirium</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/depressao">Depress&#227;o</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/dispneia">Dispneia</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/doenca-ameacadora-a-vida">Doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/dor">Dor</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/fadiga">Fadiga</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/fraqueza-muscular">Fraqueza muscular</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/funcionalidade">Funcionalidade</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/opioide">Opioide</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/polifarmacia">Polifarm&#225;cia</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/prognostico">Progn&#243;stico</a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/sintoma">Sintoma</a></p><p>O <em><strong>Gloss&#225;rio Paliativo</strong></em> cresce continuamente, com novos conceitos incorporados a cada edi&#231;&#227;o das <em><strong>P&#237;lulas Paliativas</strong></em>.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Explorar o gloss&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/"><span>Explorar o gloss&#225;rio</span></a></p><p></p><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Bruera E, Yennurajalingam S. Overview of fatigue in palliative care. UpToDate. Atualizado em 22 jun. 2026.</p></li><li><p>Fallon M, et al., eds. Oxford Textbook of Palliative Medicine. 6th ed. Oxford: Oxford University Press; 2021. (Cap&#237;tulo 12.1 &#8211; Fatigue).</p></li><li><p>Fabi A, Bhargava R, Fatigoni S, et al. Cancer-related fatigue: ESMO Clinical Practice Guidelines for diagnosis and treatment. Ann Oncol. 2020;31(6):713-723.</p></li><li><p>Bower JE, Lacchetti C, Alici Y, et al. Management of Fatigue in Adult Survivors of Cancer: ASCO-Society for Integrative Oncology Guideline Update. J Clin Oncol. 2024;42(20):2456-2487.</p></li><li><p>Stone P, Minton O, Richardson A, et al. Methylphenidate versus placebo for fatigue in patients with advanced cancer: the MePFAC randomised controlled trial. Health Technol Assess. 2025;29(36):1-47.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #080]]></title><description><![CDATA[Direitos da pessoa com doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida (Parte 1): Prote&#231;&#227;o Jur&#237;dica]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-080</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-080</guid><pubDate>Wed, 12 Aug 2026 12:03:42 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/93f4f14a-8b92-4260-b2be-83a016c51f15_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Categorias</strong>: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-sintomas">Manejo de sintomas</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-fim-de-vida">Manejo de fim de vida</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/educacao-para-a-morte">Educa&#231;&#227;o para a morte</a>, <a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/t/tomada-de-decisao">Tomada de decis&#227;o</a>, <a href="https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/t/resolucao-de-conflitos">Resolu&#231;&#227;o de conflitos</a>
<strong>Autor(a)</strong>: Cassiana Souza, assistente social e paliativista
<strong>Publicado em</strong>: 12/08/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>&#192; medida que uma <em><strong>doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida</strong></em> evolui, muitas pessoas passam a enfrentar dificuldades para administrar quest&#245;es financeiras, acessar servi&#231;os digitais ou tomar decis&#245;es sobre a pr&#243;pria vida. Essas limita&#231;&#245;es podem ampliar o <em><strong>sofrimento</strong></em> do paciente e de sua fam&#237;lia, especialmente quando dificultam o exerc&#237;cio de direitos e da <em><strong>autonomia</strong></em>. Nesses momentos, preservar direitos deixa de depender apenas do seu reconhecimento e passa a exigir planejamento para que continuem sendo exercidos ao longo da trajet&#243;ria da doen&#231;a.</p><p>Na <em><a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/p/pilula-paliativa-079">#PP</a></em><a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/p/pilula-paliativa-079"> 079 - Direitos da pessoa com doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida (Parte 1): Prote&#231;&#227;o Social</a>, discutimos como benef&#237;cios previdenci&#225;rios, assistenciais e outros recursos de <em><strong>prote&#231;&#227;o social</strong></em> podem reduzir as <em><strong>vulnerabilidades</strong></em> decorrentes do adoecimento e aliviar a dimens&#227;o social da <em><strong>dor total</strong></em>. Nesta segunda parte, ampliaremos essa discuss&#227;o, abordando o papel do <em><strong>planejamento jur&#237;dico</strong></em> na preserva&#231;&#227;o da <em><strong>autonomia</strong></em> e do exerc&#237;cio desses direitos.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? Subscreva seu e-mail gratuitamente para receber novos conte&#250;dos toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>Quem pode representar o paciente?</h4><p>Ao longo da trajet&#243;ria de uma <em><strong>doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida</strong></em>, algumas pessoas podem perder, de forma tempor&#225;ria ou permanente, a <em><strong>capacidade decis&#243;ria</strong></em> necess&#225;ria para praticar determinados atos da vida civil. Altera&#231;&#245;es cognitivas, rebaixamento do n&#237;vel de consci&#234;ncia, <em><strong>delirium</strong></em> ou progress&#227;o de doen&#231;as neurol&#243;gicas s&#227;o exemplos de situa&#231;&#245;es que podem comprometer essa capacidade, dificultando desde a assinatura de documentos at&#233; a administra&#231;&#227;o de quest&#245;es financeiras e patrimoniais.</p><p>O planejamento do cuidado tamb&#233;m deve envolver antecipar aspectos jur&#237;dicos que preservem o exerc&#237;cio de direitos ao longo da evolu&#231;&#227;o da doen&#231;a. Quest&#245;es como movimenta&#231;&#227;o banc&#225;ria, solicita&#231;&#227;o de benef&#237;cios, assinatura de documentos ou representa&#231;&#227;o perante &#243;rg&#227;os p&#250;blicos podem se tornar desafiadoras quando a pessoa perde a capacidade de praticar esses atos de forma aut&#244;noma.</p><p>Enquanto preserva sua <em><strong>capacidade decis&#243;ria</strong></em>, a pessoa pode nomear um procurador por meio de uma <em><strong>procura&#231;&#227;o p&#250;blica</strong></em>, autorizando algu&#233;m de sua confian&#231;a a represent&#225;-la em atos administrativos, patrimoniais ou previdenci&#225;rios, como movimenta&#231;&#227;o banc&#225;ria, representa&#231;&#227;o junto ao <em><strong>Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)</strong></em> e resolu&#231;&#227;o de quest&#245;es burocr&#225;ticas. A procura&#231;&#227;o depende da manifesta&#231;&#227;o livre de vontade e permanece v&#225;lida apenas durante a vida do outorgante.</p><p>Quando a pessoa j&#225; n&#227;o possui capacidade para manifestar sua vontade, a <em><strong>procura&#231;&#227;o p&#250;blica</strong></em> deixa de ser uma alternativa. Nesses casos, poder&#225; ser necess&#225;ria a <em><strong>curatela</strong></em>, medida judicial destinada &#224; nomea&#231;&#227;o de um representante para determinados atos da vida civil. A <em><strong>curatela</strong></em> n&#227;o implica perda completa da <em><strong>autonomia</strong></em>, pois sua extens&#227;o deve ser definida judicialmente conforme as necessidades concretas da pessoa.</p><p>Embora a <em><strong>curatela</strong></em> ofere&#231;a uma solu&#231;&#227;o jur&#237;dica quando a pessoa j&#225; perdeu a capacidade de praticar determinados atos da vida civil, o ideal &#233; que essas conversas aconte&#231;am antes desse momento. Sempre que poss&#237;vel, essas conversas devem ocorrer enquanto a pessoa ainda consegue expressar livremente sua vontade, com maiores chances de que as escolhas reflitam a vontade da pr&#243;pria pessoa e possam ser implementadas com seguran&#231;a e menor necessidade de interven&#231;&#227;o judicial ao longo da evolu&#231;&#227;o da doen&#231;a.</p><p>Essas situa&#231;&#245;es evidenciam que preservar o exerc&#237;cio de direitos tamb&#233;m exige planejamento. Como cada instrumento jur&#237;dico responde a necessidades espec&#237;ficas, compreender suas finalidades e o momento mais adequado para sua utiliza&#231;&#227;o &#233; essencial para orientar pacientes e familiares e identificar a ferramenta mais apropriada para cada situa&#231;&#227;o.</p><div><hr></div><h4>Procura&#231;&#227;o p&#250;blica, curatela e testamento vital: qual a diferen&#231;a?</h4><p>Embora frequentemente discutidos em conjunto, <em><strong>procura&#231;&#227;o p&#250;blica</strong></em>, <em><strong>curatela</strong></em> e <em><strong>testamento vital</strong></em> possuem finalidades distintas. Enquanto os dois primeiros tratam da representa&#231;&#227;o da pessoa em determinados atos da vida civil, o <em><strong>testamento vital</strong></em> registra antecipadamente suas prefer&#234;ncias em rela&#231;&#227;o aos cuidados de sa&#250;de quando ela j&#225; n&#227;o puder manifestar sua vontade.</p><p>A <em><strong>procura&#231;&#227;o p&#250;blica</strong></em> &#233; um instrumento pelo qual a pr&#243;pria pessoa, enquanto possui capacidade para faz&#234;-lo, atribui a algu&#233;m de sua confian&#231;a poderes para represent&#225;-la em determinados atos, que podem envolver quest&#245;es administrativas, patrimoniais, banc&#225;rias ou previdenci&#225;rias. Os poderes concedidos dependem do que estiver previsto na procura&#231;&#227;o e podem ser mais amplos ou restritos conforme a finalidade pretendida.</p><p>Uma aplica&#231;&#227;o frequente desse instrumento ocorre no &#226;mbito previdenci&#225;rio. Existe a possibilidade de cadastramento de <em><strong>procura&#231;&#227;o para fins previdenci&#225;rios</strong></em> junto ao <em><strong>INSS</strong></em>. Esse instrumento permite que outra pessoa represente o benefici&#225;rio em determinados atos relacionados aos seus <em><strong>benef&#237;cios previdenci&#225;rios</strong></em>, observadas as situa&#231;&#245;es e exig&#234;ncias estabelecidas pelo pr&#243;prio Instituto. O cadastro pode ser solicitado pelo Meu INSS e, em situa&#231;&#245;es espec&#237;ficas, por atendimento presencial.</p><p>A <em><strong>curatela</strong></em>, por sua vez, &#233; uma medida determinada pelo Poder Judici&#225;rio quando uma pessoa necessita de apoio ou representa&#231;&#227;o para determinados atos da vida civil. Sua extens&#227;o deve ser definida conforme as necessidades concretas da pessoa e n&#227;o significa, por si s&#243;, incapacidade para todos os atos da vida civil. <em><strong>Procura&#231;&#227;o p&#250;blica</strong></em> e <em><strong>curatela</strong></em>, portanto, n&#227;o s&#227;o necessariamente excludentes: uma <em><strong>procura&#231;&#227;o p&#250;blica</strong></em> previamente constitu&#237;da pode coexistir com a <em><strong>curatela</strong></em>, cabendo analisar os poderes concedidos ao procurador e os limites estabelecidos judicialmente ao curador.</p><p>J&#225; o <em><strong>testamento vital</strong></em> &#8212; uma das formas de <em><strong>Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV)</strong></em>, tema da <em><strong><a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/p/pilula-paliativa-015">#PP015 Testamento Vital</a></strong></em> &#8212; diz respeito &#224;s decis&#245;es sobre cuidados de sa&#250;de. Por meio dele, a pessoa pode registrar previamente suas prefer&#234;ncias em rela&#231;&#227;o aos cuidados que deseja ou n&#227;o receber em situa&#231;&#245;es de incapacidade decis&#243;ria, especialmente no contexto da terminalidade. Al&#233;m disso, no &#226;mbito das <em><strong>DAV</strong></em>, pode indicar algu&#233;m de sua confian&#231;a para represent&#225;-la nas decis&#245;es em sa&#250;de quando n&#227;o puder manifestar sua vontade &#8212; ou seja, nomear seu <em><strong>procurador para cuidados de sa&#250;de</strong></em>. Essa fun&#231;&#227;o n&#227;o se confunde com a representa&#231;&#227;o para atos administrativos, previdenci&#225;rios ou patrimoniais.</p><p>Compreender essas diferen&#231;as evita equ&#237;vocos frequentes na pr&#225;tica cl&#237;nica e permite orientar pacientes e familiares de forma mais segura. Esses instrumentos podem coexistir, cada um destinado a responder a necessidades espec&#237;ficas e a preservar, tanto quanto poss&#237;vel, a <em><strong>autonomia</strong></em> e o exerc&#237;cio de direitos ao longo da trajet&#243;ria de adoecimento.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!pvTm!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2593e0ba-46b6-42ff-90d7-4a2bc5fdfbe7_1536x1024.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!pvTm!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2593e0ba-46b6-42ff-90d7-4a2bc5fdfbe7_1536x1024.png 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Principais diferen&#231;as entre procura&#231;&#227;o p&#250;blica, curatela e diretivas antecipadas de vontade (DAV), instrumentos com finalidades distintas que podem coexistir na preserva&#231;&#227;o da autonomia e do exerc&#237;cio de direitos.</figcaption></figure></div><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? Digite seu e-mail abaixo e subscreva gratuitamente para receber um novo conte&#250;do toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>A transforma&#231;&#227;o digital exige planejamento</h4><p>Nas &#250;ltimas d&#233;cadas, a revolu&#231;&#227;o digital impactou diversos aspectos da nossa vida e, consequentemente, tamb&#233;m o cuidado &#8212; como discutimos na <em><strong><a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/p/pilula-paliativa-076">#PP076 Legado Digital</a></strong></em>. O exerc&#237;cio de muitos direitos passou a depender do acesso a plataformas digitais: <em><strong>benef&#237;cios previdenci&#225;rios</strong></em>, informa&#231;&#245;es cadastrais, movimenta&#231;&#245;es banc&#225;rias, assinatura de documentos e diversos servi&#231;os p&#250;blicos s&#227;o acessados por meio de aplicativos, portais eletr&#244;nicos e mecanismos de autentica&#231;&#227;o digital.</p><p>Na pr&#225;tica, isso significa que dificuldades aparentemente simples &#8212; como localizar um e-mail antigo, recuperar a senha do celular, acessar uma conta <a href="http://gov.br/">Gov.br</a> ou utilizar a autentica&#231;&#227;o em dois fatores &#8212; podem impedir familiares de exercer direitos e resolver quest&#245;es administrativas, especialmente quando essas responsabilidades passam a ser assumidas de forma repentina ap&#243;s a perda da capacidade do paciente.</p><p>Por isso, o planejamento jur&#237;dico tamb&#233;m deve considerar a organiza&#231;&#227;o da vida digital. Mais do que reunir documentos em uma pasta, &#233; importante que a pessoa, enquanto preserva sua <em><strong>capacidade decis&#243;ria</strong></em>, converse com familiares sobre informa&#231;&#245;es essenciais, organize documentos, mantenha registros acess&#237;veis e avalie quais acessos poder&#227;o ser compartilhados oportunamente. Antecipar essas conversas reduz barreiras pr&#225;ticas e contribui para que os direitos continuem sendo exercidos ao longo da evolu&#231;&#227;o da doen&#231;a.</p><p>Hoje, parte importante do exerc&#237;cio de direitos depende do acesso ao ambiente digital. Planejar esses aspectos &#233; mais uma forma de preservar a <em><strong>autonomia</strong></em> da pessoa enquanto ela ainda consegue participar e ter voz ativa nas decis&#245;es. Assim como a <em><strong>prote&#231;&#227;o social</strong></em> discutida na edi&#231;&#227;o anterior, o planejamento jur&#237;dico n&#227;o existe para substituir a vontade do paciente, mas para garantir que ela possa continuar sendo respeitada ao longo da evolu&#231;&#227;o da doen&#231;a.</p><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong>Converse</strong> precocemente sobre quem poder&#225; representar o paciente.</p></li><li><p><strong>Esclare&#231;a</strong> as diferen&#231;as entre <em><strong>procura&#231;&#227;o p&#250;blica</strong></em>, <em><strong>curatela</strong></em> e <em><strong>testamento vital</strong></em>.</p></li><li><p><strong>Oriente</strong> pacientes e familiares a organizar documentos e acessos digitais antes que surjam dificuldades.</p></li><li><p><strong>Envolva</strong> o <em><strong>Servi&#231;o Social</strong></em> e outros profissionais sempre que houver d&#250;vidas sobre direitos e representa&#231;&#227;o legal.</p></li><li><p><strong>Forne&#231;a</strong> o n&#250;mero de telefone 135 para orienta&#231;&#245;es relacionadas aos <em><strong>INSS</strong></em>.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; A maior parte das dificuldades jur&#237;dicas que encontramos no <em><strong><span>fim de vida</span></strong></em> poderia ter sido evitada por uma conversa realizada meses antes. Quando o paciente ainda preserva sua capacidade decis&#243;ria, pequenas medidas &#8212; como organizar documentos, definir um procurador ou discutir prefer&#234;ncias de cuidado &#8212; costumam ser muito mais simples do que resolver essas quest&#245;es em meio a uma crise.</p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>Os Cuidados Paliativos t&#234;m uma linguagem pr&#243;pria.</strong><br>O Gloss&#225;rio Paliativo re&#250;ne mais de 350 conceitos, organizados em uma biblioteca gratuita e atualizada continuamente para apoiar sua pr&#225;tica cl&#237;nica.</h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1272,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1272w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 1456w" sizes="100vw"><img 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>&#128073; Esta edi&#231;&#227;o cita 21 conceitos, dispon&#237;veis gratuitamente no <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/">Gloss&#225;rio Paliativo</a>:</p><p><a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/autonomia"><span>Autonomia</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/beneficio-previdenciario"><span>Benef&#237;cio previdenci&#225;rio</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/capacidade-decisoria"><span>Capacidade decis&#243;ria</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/curatela"><span>Curatela</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/delirium"><span>Delirium</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/diretivas-antecipadas-de-vontade-dav"><span>Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV)</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/doenca-ameacadora-a-vida"><span>Doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/dor-total"><span>Dor total</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/fim-de-vida"><span>Fim de vida</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/instituto-nacional-do-seguro-social-inss"><span>Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/legado-digital"><span>Legado digital</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/procuracao-para-fins-previdenciarios"><span>Procura&#231;&#227;o para fins previdenci&#225;rios</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/procuracao-publica"><span>Procura&#231;&#227;o p&#250;blica</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/procurador-para-cuidados-de-saude"><span>Procurador para cuidados de sa&#250;de</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/protecao-juridica"><span>Prote&#231;&#227;o jur&#237;dica</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/protecao-social"><span>Prote&#231;&#227;o social</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/servico-social"><span>Servi&#231;o Social</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/sofrimento"><span>Sofrimento</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/terminalidade"><span>Terminalidade</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/testamento-vital"><span>Testamento vital</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/vulnerabilidade"><span>Vulnerabilidade</span></a></p><p>O <em><strong>Gloss&#225;rio Paliativo</strong></em> cresce continuamente, com novos conceitos incorporados a cada edi&#231;&#227;o das <em><strong>P&#237;lulas Paliativas</strong></em>.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Explorar o gloss&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/"><span>Explorar o gloss&#225;rio</span></a></p><p></p><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Brasil. Conselho Federal de Medicina. Resolu&#231;&#227;o CFM n&#186; 1.995, de 9 de agosto de 2012. Disp&#245;e sobre as diretivas antecipadas de vontade dos pacientes. <em>Di&#225;rio Oficial da Uni&#227;o</em>. 31 ago 2012.</p></li><li><p>Brasil. Lei n&#186; 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o C&#243;digo Civil. <em>Di&#225;rio Oficial da Uni&#227;o</em>. 11 jan 2002.</p></li><li><p>Conselho Nacional de Justi&#231;a. Recomenda&#231;&#227;o CNJ n&#186; 103, de 4 de junho de 2021. Recomenda aos cart&#243;rios de notas medidas relacionadas &#224;s diretivas antecipadas de vontade e &#224; publicidade dos atos notariais. <em>Di&#225;rio da Justi&#231;a Eletr&#244;nico</em>. 2021.</p></li><li><p>Brasil. Minist&#233;rio da Gest&#227;o e da Inova&#231;&#227;o em Servi&#231;os P&#250;blicos. <em><a href="http://Gov.br">Gov.br</a>: conta de acesso aos servi&#231;os p&#250;blicos digitais</em> [Internet]. Bras&#237;lia: Governo Federal [citado 2026 ago 3]. Dispon&#237;vel em: <a href="https://www.gov.br/governodigital/pt-br/conta-gov-br">https://www.gov.br/governodigital/pt-br/conta-gov-br</a></p></li><li><p>Conselho Federal de Servi&#231;o Social. <em>Par&#226;metros para atua&#231;&#227;o de assistentes sociais na pol&#237;tica de sa&#250;de</em>. Bras&#237;lia: CFESS; 2010.</p></li><li><p>Brasil. Instituto Nacional do Seguro Social. Instru&#231;&#227;o Normativa PRES/INSS n&#186; 128, de 28 de mar&#231;o de 2022. Disciplina as regras, procedimentos e rotinas necess&#225;rias &#224; efetiva aplica&#231;&#227;o das normas de direito previdenci&#225;rio. Art. 534. Di&#225;rio Oficial da Uni&#227;o. 29 mar 2022.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #079]]></title><description><![CDATA[Direitos da pessoa com doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida (Parte 1): Prote&#231;&#227;o Social]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-079</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-079</guid><pubDate>Wed, 05 Aug 2026 12:01:18 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3e7be12f-64dc-472b-8059-a8cdcb3bf4c5_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Categorias</strong>: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-sintomas">Manejo de sintomas</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-fim-de-vida">Manejo de fim de vida</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/gestao-em-cuidados-paliativos">Gest&#227;o em cuidados paliativos</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/educacao-para-a-morte">Educa&#231;&#227;o para a morte</a>
<strong>Autor(a)</strong>: Cassiana Souza, assistente social e paliativista
<strong>Publicado em</strong>: 05/08/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>Quando pensamos no cuidado de pessoas com <em><strong>doen&#231;as amea&#231;adoras &#224; vida</strong></em>, &#233; comum que nossa aten&#231;&#227;o se volte aos sintomas f&#237;sicos, &#224;s decis&#245;es terap&#234;uticas e ao <em><strong>sofrimento</strong></em> emocional. No entanto, o adoecimento tamb&#233;m pode interromper o trabalho, reduzir a renda familiar, aumentar despesas e comprometer o acesso a recursos essenciais para o tratamento. Mais do que dificuldades pr&#225;ticas, essas repercuss&#245;es constituem uma importante fonte de <em><strong>sofrimento</strong></em>, compondo a dimens&#227;o social da <em><strong>dor total</strong></em> (para revisar este tema, leia a <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/p/pilula-paliativa-010">#PP 010 - Dor total</a>).</p><p>Quest&#245;es previdenci&#225;rias, assistenciais e socioecon&#244;micas passam, ent&#227;o, a fazer parte do cotidiano de pacientes e familiares. Reconhecer essas necessidades e orientar o acesso aos direitos fazem parte do cuidado integral &#224; pessoa com <em><strong>doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida</strong></em>, sendo essa uma atribui&#231;&#227;o fundamental &#8212; embora n&#227;o exclusiva &#8212; do profissional do <em><strong>Servi&#231;o Social</strong></em>.</p><p>Nesta e na pr&#243;xima edi&#231;&#227;o da <em><strong>#PP</strong></em>, abordaremos diferentes dimens&#245;es dos direitos da pessoa com <em><strong>doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida</strong></em>. Nesta primeira parte, o foco ser&#225; a <em><strong>prote&#231;&#227;o social</strong></em> e o papel dos benef&#237;cios assistenciais, previdenci&#225;rios e socioassistenciais na redu&#231;&#227;o das <em><strong>vulnerabilidades</strong></em> decorrentes do adoecimento. Na pr&#243;xima, discutiremos a <em><strong>prote&#231;&#227;o jur&#237;dica</strong></em> e o planejamento necess&#225;rio para preservar o exerc&#237;cio desses direitos ao longo da trajet&#243;ria da doen&#231;a.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? Subscreva seu e-mail gratuitamente para receber novos conte&#250;dos toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>O que &#233; prote&#231;&#227;o social?</h4><p>A <em><strong>prote&#231;&#227;o social</strong></em> compreende o conjunto de pol&#237;ticas e benef&#237;cios destinados a garantir renda, seguran&#231;a e condi&#231;&#245;es m&#237;nimas de subsist&#234;ncia &#224;s pessoas que, em decorr&#234;ncia do adoecimento, apresentam incapacidade para o trabalho ou vivenciam situa&#231;&#245;es de <em><strong>vulnerabilidade</strong></em> socioecon&#244;mica.</p><p>O objetivo desta <em><strong>#PP</strong></em> n&#227;o &#233; detalhar todos os crit&#233;rios de concess&#227;o de cada benef&#237;cio. Essas avalia&#231;&#245;es v&#227;o muito al&#233;m de uma lista de doen&#231;as ou <em><strong>CIDs</strong></em> e consideram, de forma individualizada, aspectos cl&#237;nicos, funcionais e socioecon&#244;micos. A proposta &#233; ajudar o leitor a reconhecer os principais instrumentos de <em><strong>prote&#231;&#227;o social</strong></em>, compreender quais institui&#231;&#245;es est&#227;o envolvidas e identificar quando esses direitos podem fazer parte do <em><strong>plano de cuidado</strong></em>.</p><p>Em outras palavras, sempre que o adoecimento comprometer a capacidade funcional ou laboral, ou repercutir de forma significativa nas condi&#231;&#245;es de subsist&#234;ncia da pessoa e de sua fam&#237;lia, deve-se considerar a possibilidade de acesso aos benef&#237;cios sociais e previdenci&#225;rios.</p><p>Entre os principais instrumentos de <em><strong>prote&#231;&#227;o social</strong></em>, destacam-se os <em><strong>benef&#237;cios previdenci&#225;rios</strong></em>, destinados aos segurados do <em><strong>Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)</strong></em>, e o <em><strong>Benef&#237;cio de Presta&#231;&#227;o Continuada (BPC)</strong></em>, previsto na <em><strong>Lei Org&#226;nica da Assist&#234;ncia Social (LOAS)</strong></em>, destinado &#224; pessoa com defici&#234;ncia e ao idoso com 65 anos ou mais que preencham os crit&#233;rios legais, especialmente aqueles relacionados &#224; renda familiar.</p><div><hr></div><h4>Outros recursos de prote&#231;&#227;o social</h4><p>A <em><strong>prote&#231;&#227;o social</strong></em> n&#227;o se limita aos benef&#237;cios previdenci&#225;rios e assistenciais. O <em><strong>Servi&#231;o Social</strong></em> tamb&#233;m atua na identifica&#231;&#227;o de <em><strong>benef&#237;cios eventuais</strong></em> e na articula&#231;&#227;o de recursos da rede socioassistencial e da rede de sa&#250;de capazes de minimizar dificuldades decorrentes do adoecimento.</p><p>Entre os recursos dispon&#237;veis est&#227;o o <em><strong>Tratamento Fora do Domic&#237;lio (TFD)</strong></em>, um recurso do <em><strong>Sistema &#218;nico de Sa&#250;de (SUS)</strong></em> &#8212; e n&#227;o um benef&#237;cio socioassistencial &#8212; destinado a apoiar o deslocamento de pacientes que necessitam realizar tratamento em outro munic&#237;pio, podendo incluir transporte e, conforme a regulamenta&#231;&#227;o local, aux&#237;lio para alimenta&#231;&#227;o e hospedagem; as <em><strong>casas de apoio</strong></em>, destinadas ao acolhimento tempor&#225;rio de pacientes e familiares durante tratamentos realizados fora do munic&#237;pio de resid&#234;ncia; e o <em><strong>aux&#237;lio funeral</strong></em>, que pode contribuir para despesas relacionadas ao sepultamento.</p><p>Mais do que encaminhar benef&#237;cios, o trabalho do <em><strong>Servi&#231;o Social consiste em reconhecer necessidades, articular recursos dispon&#237;veis e construir estrat&#233;gias compat&#237;veis com a realidade de cada pessoa e de sua fam&#237;lia, fortalecendo sua</strong> autonomia e reduzindo as <strong>vulnerabilidades</strong></em> produzidas pelo adoecimento.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bBfm!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0160945c-47fb-4e2b-a69e-dcd17f6f8d16_1805x1051.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" 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class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? 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Cada benef&#237;cio possui crit&#233;rios pr&#243;prios para concess&#227;o, e sua solicita&#231;&#227;o deve considerar n&#227;o apenas o enquadramento legal, mas tamb&#233;m as condi&#231;&#245;es da pessoa e de sua rede de apoio para enfrentar as demandas que esse processo pode gerar.</p><p>Por isso, a decis&#227;o de iniciar um requerimento deve ser constru&#237;da a partir de uma avalia&#231;&#227;o individualizada, considerando o quadro cl&#237;nico, o <em><strong>progn&#243;stico</strong></em>, o contexto socioecon&#244;mico e o potencial benef&#237;cio que esse processo poder&#225; trazer para a pessoa e sua fam&#237;lia. Em algumas situa&#231;&#245;es, antecipar esse planejamento reduz <em><strong>vulnerabilidades</strong></em>; em outras, iniciar um processo burocr&#225;tico pode representar uma sobrecarga desnecess&#225;ria naquele momento.</p><p>Na pr&#225;tica, isso significa que o momento mais adequado para solicitar um benef&#237;cio nem sempre coincide com o momento em que ele se torna legalmente poss&#237;vel. Por exemplo, embora uma pessoa em <em><strong>fase ativa de morte</strong></em> possa preencher os crit&#233;rios para requerer o <em><strong>Benef&#237;cio de Presta&#231;&#227;o Continuada (BPC)</strong></em>, iniciar um processo administrativo que frequentemente leva meses para ser conclu&#237;do dificilmente trar&#225; benef&#237;cios concretos e pode deslocar a aten&#231;&#227;o da fam&#237;lia para tr&#226;mites burocr&#225;ticos justamente nos &#250;ltimos dias de vida. Em contrapartida, pacientes clinicamente est&#225;veis, mas com prov&#225;vel incapacidade permanente para o trabalho, n&#227;o precisam aguardar a alta hospitalar para iniciar esse planejamento, desde que preencham os crit&#233;rios previstos para o benef&#237;cio.</p><p>&#201; importante lembrar que o indeferimento de um benef&#237;cio n&#227;o significa, necessariamente, que a pessoa n&#227;o tenha direito a ele. Quando houver negativa administrativa &#8212; especialmente em solicita&#231;&#245;es do <em><strong>BPC</strong></em> &#8212; &#233; poss&#237;vel apresentar recurso e, em algumas situa&#231;&#245;es, buscar a revis&#227;o da decis&#227;o pela Justi&#231;a Federal. Embora a atua&#231;&#227;o de advogado n&#227;o seja obrigat&#243;ria para o requerimento inicial, o apoio de um profissional especializado ou da Defensoria P&#250;blica pode ser &#250;til quando houver necessidade de recorrer da decis&#227;o administrativa.</p><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong>Pergunte</strong> sobre trabalho, renda e impacto financeiro do adoecimento durante a avalia&#231;&#227;o, especialmente quando houver perda de <em><strong>funcionalidade</strong></em>.</p></li><li><p><strong>Encaminhe</strong> precocemente ao <em><strong>Servi&#231;o Social</strong></em> sempre que identificar poss&#237;vel necessidade de benef&#237;cios previdenci&#225;rios, assistenciais ou outros recursos de <em><strong>prote&#231;&#227;o social</strong></em>.</p></li><li><p><strong>Evite</strong> presumir que a proximidade da morte determina o momento ideal para solicitar benef&#237;cios; a decis&#227;o deve considerar o contexto cl&#237;nico, funcional e socioecon&#244;mico de cada pessoa.</p></li><li><p><strong>Conhe&#231;a</strong> os recursos dispon&#237;veis na sua regi&#227;o, como <em><strong>Tratamento Fora do Domic&#237;lio (TFD)</strong></em> e <em><strong>casas de apoio</strong></em>, para ampliar as possibilidades de cuidado.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; <span>Os direitos sociais costumam ser lembrados apenas quando a fam&#237;lia j&#225; est&#225; em crise financeira ou diante de uma necessidade urgente. Sempre que poss&#237;vel, converse sobre esse tema antes que isso aconte&#231;a. Identificar precocemente uma perda de capacidade laboral, uma situa&#231;&#227;o de </span><em><strong><span>vulnerabilidade</span></strong></em><span> ou a necessidade de tratamento em outro munic&#237;pio permite que o planejamento seja feito com mais tranquilidade e amplia as chances de que os recursos realmente fa&#231;am diferen&#231;a na vida da pessoa e de sua fam&#237;lia.</span></p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>Os Cuidados Paliativos t&#234;m uma linguagem pr&#243;pria.</strong><br>O Gloss&#225;rio Paliativo re&#250;ne mais de 350 conceitos, organizados em uma biblioteca gratuita e atualizada continuamente para apoiar sua pr&#225;tica cl&#237;nica.</h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>&#128073; Esta edi&#231;&#227;o cita 20 conceitos, dispon&#237;veis gratuitamente no <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/">Gloss&#225;rio Paliativo</a>:</p><p><a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/autonomia"><span>Autonomia</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/auxilio-funeral"><span>Aux&#237;lio funeral</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/beneficio-de-prestacao-continuada-bpc"><span>BPC</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/beneficio-eventual"><span>Benef&#237;cio eventual</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/beneficio-previdenciario"><span>Benef&#237;cio previdenci&#225;rio</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/casa-de-apoio"><span>Casa de apoio</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/classificacao-internacional-de-doenca-cid"><span>CID</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/doenca-ameacadora-a-vida"><span>Doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/fase-ativa-de-morte"><span>Fase ativa de morte</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/funcionalidade"><span>Funcionalidade</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/instituto-nacional-do-seguro-social-inss"><span>INSS</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/lei-organica-da-assistencia-social-loas"><span>LOAS</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/protecao-juridica"><span>Prote&#231;&#227;o jur&#237;dica</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/protecao-social"><span>Prote&#231;&#227;o social</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/rede-socioassistencial"><span>Rede socioassistencial</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/servico-social"><span>Servi&#231;o Social</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/sistema-unico-de-saude-sus"><span>SUS</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/sofrimento"><span>Sofrimento</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/tratamento-fora-do-domicilio-tfd"><span>TFD</span></a> &#8226; <a href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/vulnerabilidade"><span>Vulnerabilidade</span></a></p><p>O <em><strong>Gloss&#225;rio Paliativo</strong></em> cresce continuamente, com novos conceitos incorporados a cada edi&#231;&#227;o das <em><strong>P&#237;lulas Paliativas</strong></em>.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandatourinho.com.br/glossario/&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Explorar o gloss&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/"><span>Explorar o gloss&#225;rio</span></a></p><p></p><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Brasil. Lei n&#186; 8.742, de 7 de dezembro de 1993. Disp&#245;e sobre a organiza&#231;&#227;o da Assist&#234;ncia Social e d&#225; outras provid&#234;ncias. <em><span>Di&#225;rio Oficial da Uni&#227;o</span></em>. 8 dez 1993.</p></li><li><p>Brasil. Minist&#233;rio da Cidadania. Secretaria Nacional de Assist&#234;ncia Social. Departamento de Benef&#237;cios Assistenciais. <em><span>Benef&#237;cio de Presta&#231;&#227;o Continuada: perguntas frequentes</span></em>. Bras&#237;lia: Minist&#233;rio da Cidadania; 2021.</p></li><li><p>Brasil. Minist&#233;rio da Sa&#250;de. Secretaria de Assist&#234;ncia &#224; Sa&#250;de. Portaria SAS/MS n&#186; 55, de 24 de fevereiro de 1999. Disp&#245;e sobre a rotina do Tratamento Fora do Domic&#237;lio no Sistema &#218;nico de Sa&#250;de (SUS). <em><span>Di&#225;rio Oficial da Uni&#227;o</span></em>. 26 fev 1999.</p></li><li><p>Instituto Nacional do Seguro Social. <em><span>Benef&#237;cio assistencial &#224; pessoa com defici&#234;ncia (BPC/LOAS)</span></em> [Internet]. Bras&#237;lia: INSS; 2023 [citado 2026 ago 3]. Dispon&#237;vel em: <a href="https://www.gov.br/inss/pt-br/direitos-e-deveres/beneficios-assistenciais/beneficio-assistencial-a-pessoa-com-deficiencia-bpc-loas?utm_source=chatgpt.com"><span>https://www.gov.br/inss/pt-br/direitos-e-deveres/beneficios-assistenciais/beneficio-assistencial-a-pessoa-com-deficiencia-bpc-loas</span></a></p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #078]]></title><description><![CDATA[Dispneia]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-078</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-078</guid><pubDate>Wed, 29 Jul 2026 12:02:19 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/5ff614b9-8f32-4a9e-8a14-5dfde28d24f4_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Categorias</strong>: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-sintomas">Manejo de sintomas</a>
<strong>Autor(a)</strong>: Juliana Martins, m&#233;dica cl&#237;nica e paliativista
<strong>Publicado em</strong>: 29/07/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>A <em><strong><span>dispneia</span></strong></em> &#233; um dos sintomas mais prevalentes em pessoas com <em><strong><span>doen&#231;as amea&#231;adoras &#224; vida</span></strong><span> e</span></em> &#233; compreendida como uma experi&#234;ncia multidimensional. Sua presen&#231;a est&#225; associada a maior <em><strong><span>sofrimento</span></strong></em>, pior <em><strong><span>qualidade de vida</span></strong></em>, maior procura por servi&#231;os de emerg&#234;ncia e maior sobrecarga para familiares e cuidadores. Apesar disso, ainda &#233; comum que seu manejo seja limitado &#224; oferta de oxig&#234;nio ou ao tratamento da doen&#231;a de base. O al&#237;vio desse sintoma exige uma abordagem sistem&#225;tica, que combine investiga&#231;&#227;o das causas revers&#237;veis, medidas n&#227;o farmacol&#243;gicas e tratamento farmacol&#243;gico direcionado ao <em><strong><span>sofrimento</span></strong></em> da pessoa. Esta <em><strong><span>#PP</span></strong></em> apresenta os princ&#237;pios que orientam essa abordagem.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? Subscreva seu e-mail gratuitamente para receber novos conte&#250;dos toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>Dispneia &#233; um sintoma, n&#227;o um diagn&#243;stico</h4><p>A <em><strong>dispneia</strong></em> &#233; definida como uma experi&#234;ncia subjetiva de desconforto respirat&#243;rio, cuja intensidade nem sempre corresponde &#224; gravidade das altera&#231;&#245;es fisiol&#243;gicas. Assim como ocorre com a <em><strong>dor</strong></em>, o relato do paciente &#233; o padr&#227;o-ouro para sua avalia&#231;&#227;o.</p><p>A percep&#231;&#227;o da <em><strong>dispneia</strong></em> resulta da intera&#231;&#227;o entre mecanismos fisiol&#243;gicos, fatores psicol&#243;gicos, contexto social e experi&#234;ncias pr&#233;vias. Por isso, duas pessoas com a mesma satura&#231;&#227;o de oxig&#234;nio ou a mesma doen&#231;a pulmonar podem apresentar n&#237;veis completamente diferentes de <em><strong>sofrimento</strong></em>.</p><p>Ao avaliar um paciente com dispneia, deve-se responder algumas perguntas:</p><ul><li><p>A <em><strong>dispneia</strong></em> surgiu de forma aguda ou progressiva?</p></li><li><p>H&#225; evid&#234;ncias de causas potencialmente revers&#237;veis, como <em><strong>broncoespasmo</strong></em>, infec&#231;&#227;o, insufici&#234;ncia card&#237;aca, anemia, derrame pleural ou tromboembolismo pulmonar?</p></li><li><p>Em quais situa&#231;&#245;es ela ocorre? Apenas aos esfor&#231;os ou tamb&#233;m em repouso?</p></li><li><p>Qual &#233; o impacto sobre a <em><strong>funcionalidade</strong></em> e sobre as atividades que o paciente considera importantes?</p></li><li><p>H&#225; sintomas associados, como <em><strong>ansiedade, tosse</strong></em> ou <em><strong>dor tor&#225;cica</strong></em>?</p></li></ul><p>Essas informa&#231;&#245;es permitem caracterizar o sintoma quanto &#224; intensidade, evolu&#231;&#227;o temporal, fatores desencadeantes, de al&#237;vio e sintomas associados. Tamb&#233;m orientam a investiga&#231;&#227;o da etiologia e ajudam a identificar causas potencialmente revers&#237;veis.</p><p>As possibilidades diagn&#243;sticas s&#227;o numerosas e variam conforme a doen&#231;a de base. Em pessoas com c&#226;ncer, mecanismos diretamente relacionados ao tumor ou ao seu tratamento s&#227;o frequentes, enquanto, nas demais condi&#231;&#245;es, predominam outras causas cl&#237;nicas. Organizar essas etiologias facilita o racioc&#237;nio diagn&#243;stico e ajuda a identificar interven&#231;&#245;es que podem aliviar a <em><strong>dispneia</strong></em>.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2YPH!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4c0dc5a2-158d-454c-a30a-5836e5978bda_1888x903.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2YPH!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4c0dc5a2-158d-454c-a30a-5836e5978bda_1888x903.png 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">Investiga&#231;&#227;o etiol&#243;gica da dispneia. A investiga&#231;&#227;o da dispneia deve contemplar causas oncol&#243;gicas e n&#227;o oncol&#243;gicas potencialmente revers&#237;veis, sempre correlacionadas ao contexto cl&#237;nico do paciente.</figcaption></figure></div><p>Sempre que poss&#237;vel, deve-se tratar a causa revers&#237;vel identificada. Entretanto, o tratamento etiol&#243;gico e o controle sintom&#225;tico n&#227;o s&#227;o etapas sequenciais: ambos devem ser institu&#237;dos de forma concomitante, de acordo com as necessidades do paciente.</p><div><hr></div><h4>Oxig&#234;nio nem sempre &#233; a resposta</h4><p>O manejo da <em><strong>dispneia</strong></em> exige reconhecer que a sensa&#231;&#227;o de falta de ar n&#227;o depende exclusivamente da presen&#231;a de <em><strong>hipoxemia</strong></em>. Em pacientes sem <em><strong>hipoxemia</strong></em>, o uso rotineiro de oxig&#234;nio suplementar n&#227;o demonstra benef&#237;cio consistente no al&#237;vio da <em><strong>dispneia</strong></em> quando comparado ao ar ambiente. Nesses casos, medidas simples podem produzir al&#237;vio semelhante.</p><p>O direcionamento de um ventilador port&#225;til ou de um leque para o rosto estimula receptores do nervo trig&#234;meo e reduz a percep&#231;&#227;o da falta de ar em muitos pacientes. Posicionamento, t&#233;cnicas respirat&#243;rias, <em><strong>conserva&#231;&#227;o de energia</strong></em> e <em><strong>reabilita&#231;&#227;o pulmonar</strong></em> tamb&#233;m fazem parte do tratamento e devem ser associados &#224;s demais medidas de controle sintom&#225;tico. Al&#233;m de reduzir a intensidade da <em><strong>dispneia</strong></em>, essas estrat&#233;gias aumentam a <em><strong>autonomia</strong></em> da pessoa e oferecem recursos para que ela consiga lidar com novos epis&#243;dios de <em><strong>dispneia</strong></em> com maior seguran&#231;a.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? Digite seu e-mail abaixo e subscreva gratuitamente para receber um novo conte&#250;do toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>Opioide n&#227;o &#233; s&#243; pra dor</h4><p>Existe receio frequente quanto ao uso de <em><strong>opioides</strong></em> para tratamento da <em><strong>dispneia</strong></em>, principalmente pelo medo de depress&#227;o respirat&#243;ria. No entanto, quando utilizados em doses baixas e titulados de forma adequada, eles reduzem a percep&#231;&#227;o da falta de ar sem produzir piora clinicamente relevante da fun&#231;&#227;o respirat&#243;ria. A <em><strong>morfina</strong></em> permanece como o medicamento com maior experi&#234;ncia cl&#237;nica para esse objetivo. Seu benef&#237;cio parece decorrer da redu&#231;&#227;o da resposta central ao desconforto respirat&#243;rio e da diminui&#231;&#227;o da demanda ventilat&#243;ria associada ao <em><strong>sofrimento</strong></em>.</p><p>J&#225; os <em><strong>benzodiazep&#237;nicos</strong></em> n&#227;o tratam diretamente a <em><strong>dispneia</strong></em>. Seu uso deve ser reservado para situa&#231;&#245;es em que exista <em><strong>ansiedade</strong></em> importante associada ou quando outras medidas j&#225; foram empregadas e o sofrimento persiste.</p><p>Nos casos de <em><strong>dispneia refrat&#225;ria</strong></em>, isto &#233;, quando todas as medidas dispon&#237;veis falharam em aliviar um <em><strong>sofrimento</strong></em> intenso, pode ser necess&#225;rio discutir interven&#231;&#245;es mais avan&#231;adas, incluindo <em><strong>seda&#231;&#227;o paliativa</strong></em> (para mais sobre o tema, leia a <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/p/pilula-paliativa-051">#PP051 Seda&#231;&#227;o paliativa</a>).</p><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong>Avalie</strong> a <em><strong>dispneia</strong></em> a partir do relato do paciente, e n&#227;o apenas da satura&#231;&#227;o de oxig&#234;nio.</p></li><li><p><strong>Investigue</strong> causas potencialmente revers&#237;veis sem retardar o controle sintom&#225;tico.</p></li><li><p><strong>Associe</strong> medidas n&#227;o farmacol&#243;gicas ao tratamento medicamentoso, como ventilador port&#225;til, posicionamento e t&#233;cnicas respirat&#243;rias e de <em><strong>conserva&#231;&#227;o de energia</strong></em>.</p></li><li><p><strong>Utilize</strong> <em><strong>opioides</strong></em> de forma criteriosa quando houver <em><strong>dispneia</strong></em>, mesmo na aus&#234;ncia de <em><strong>dor</strong></em>.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161;Um dos erros mais frequentes &#233; interpretar a <em><strong><span>dispneia</span></strong></em> apenas como um problema respirat&#243;rio. Muitas vezes, o maior componente do <em><strong><span>sofrimento</span></strong></em> est&#225; relacionado ao medo de sufocar, &#224; perda de <em><strong><span>autonomia</span></strong></em> ou &#224; <em><strong><span>ansiedade</span></strong></em> desencadeada pela sensa&#231;&#227;o de falta de ar. Permanecer ao lado do paciente, transmitir seguran&#231;a, orientar a respira&#231;&#227;o e explicar o que est&#225; acontecendo podem aliviar tanto quanto um medicamento.</p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>O gloss&#225;rio paliativo traz os principais termos que voc&#234; precisa conhecer em cuidados paliativos. A cada edi&#231;&#227;o da P&#237;lula Paliativa voc&#234; encontrar&#225; neste espa&#231;o os termos citados.</strong></h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://speckled-python-dcf.notion.site/1634cf5e72e98157b580f4e584f8a9dd?pvs=4" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, 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fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Ansiedade: </strong><em>Estado afetivo caracterizado por apreens&#227;o, tens&#227;o e antecipa&#231;&#227;o de perigo, com componentes emocionais, f&#237;sicos e cognitivos. Pode ser uma resposta adaptativa a situa&#231;&#245;es de estresse, mas torna-se patol&#243;gica quando &#233; persistente, desproporcional e interfere no funcionamento cotidiano.

</em><strong>Autonomia: </strong><em>Princ&#237;pio bio&#233;tico que define a capacidade do sujeito de se autodeterminar, decidir por si pr&#243;prio.

</em><strong>Broncoespasmo: </strong><em>Contra&#231;&#227;o da musculatura lisa dos br&#244;nquios, levando ao estreitamento das vias a&#233;reas e causando aumento da resist&#234;ncia ao fluxo de ar. Pode manifestar-se por dispneia, sibil&#226;ncia, tosse e sensa&#231;&#227;o de aperto no peito.

</em><strong>Conserva&#231;&#227;o de energia: </strong><em>Conjunto de estrat&#233;gias que visam otimizar o uso da energia corporal para preservar a independ&#234;ncia e o conforto durante as atividades do cotidiano. Envolve o planejamento de tarefas, o uso de pausas programadas, a prioriza&#231;&#227;o de atividades significativas e o uso de dispositivos auxiliares. Em pessoas com dispneia, fadiga ou limita&#231;&#227;o funcional, essas t&#233;cnicas reduzem o esfor&#231;o respirat&#243;rio e previnem crises, promovendo maior qualidade de vida.

</em><strong>Dispneia: </strong><em>Sensa&#231;&#227;o subjetiva de dificuldade ou desconforto para respirar, com intensidade vari&#225;vel. Resulta da intera&#231;&#227;o de fatores fisiol&#243;gicos, psicol&#243;gicos, sociais e ambientais, podendo desencadear respostas f&#237;sicas e emocionais.

</em><strong>Doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida: </strong><em>Condi&#231;&#227;o de sa&#250;de de qualquer etiologia, ativa, grave, progressiva e que causa sofrimento multidimensional ao paciente, seus familiares e cuidadores.

</em><strong>Dor tor&#225;cica: </strong><em>Dor ou desconforto localizado na regi&#227;o do t&#243;rax, com causas que variam desde condi&#231;&#245;es benignas at&#233; emerg&#234;ncias m&#233;dicas. Em Cuidados Paliativos, pode estar relacionada ao c&#226;ncer, doen&#231;as cardiovasculares, pulmonares, musculoesquel&#233;ticas ou gastrointestinais, e seu manejo depende da identifica&#231;&#227;o da causa e do tratamento adequado da dor e dos sintomas associados.

</em><strong>Funcionalidade: </strong><em>Capacidade de uma pessoa realizar, com ou sem apoio, atividades f&#237;sicas, cognitivas, sociais e afetivas do cotidiano. Em Cuidados Paliativos, &#233; um marcador cl&#237;nico importante para avaliar independ&#234;ncia e orientar o plano de cuidados. Pode ser medida por escalas como o &#205;ndice de Barthel, Escala de Katz e PPS.

</em><strong>Hipoxemia: </strong><em>Redu&#231;&#227;o da concentra&#231;&#227;o de oxig&#234;nio no sangue arterial, geralmente definida por diminui&#231;&#227;o da press&#227;o parcial de oxig&#234;nio (PaO&#8322;) e/ou da satura&#231;&#227;o arterial de oxig&#234;nio (SaO&#8322;/SpO&#8322;), conforme o contexto cl&#237;nico e os crit&#233;rios utilizados.

</em><strong>Morfina: </strong><em>Opioide natural forte, agonista de receptores &#956;, utilizado como f&#225;rmaco de refer&#234;ncia para compara&#231;&#227;o de pot&#234;ncia entre opioides.

</em><strong>Opioide:</strong><em> Termo que engloba os alcaloides derivados da papoula (Papaver somniferum), seus an&#225;logos sint&#233;ticos e as subst&#226;ncias end&#243;genas que se ligam aos receptores opioides distribu&#237;dos por todo o corpo. Como medicamentos, s&#227;o utilizados principalmente para o controle da dor, mas tamb&#233;m podem ser eficazes no al&#237;vio de outros sintomas.

</em><strong>Qualidade de vida: </strong><em>De acordo com a Organiza&#231;&#227;o Mundial de Sa&#250;de (OMS) &#233; &#8220;a percep&#231;&#227;o que um indiv&#237;duo tem da sua posi&#231;&#227;o na vida. Esta percep&#231;&#227;o &#233; feita em rela&#231;&#227;o aos seus objetivos, expectativas, padr&#245;es e preocupa&#231;&#245;es, e no contexto da cultura e dos sistemas de valores em que vive.&#8220;

</em><strong>Tosse: </strong><em>Reflexo natural de defesa do sistema respirat&#243;rio, marcado pela expuls&#227;o s&#250;bita e ruidosa de ar para remover secre&#231;&#245;es, part&#237;culas ou irritantes das vias a&#233;reas.

</em><strong>Reabilita&#231;&#227;o pulmonar: </strong><em>Programa estruturado e multidisciplinar que combina exerc&#237;cios f&#237;sicos, educa&#231;&#227;o em sa&#250;de e interven&#231;&#245;es para promover mudan&#231;as de comportamento, com o objetivo de reduzir sintomas, melhorar a capacidade funcional, aumentar a qualidade de vida e otimizar o manejo das doen&#231;as respirat&#243;rias cr&#244;nicas.

</em><strong>Seda&#231;&#227;o paliativa: </strong><em>Redu&#231;&#227;o intencional e monitorada do n&#237;vel de consci&#234;ncia de paciente com doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida em vig&#234;ncia de sintoma refrat&#225;rio, seja ele f&#237;sico, psicoemocional ou existencial.

</em><strong>Sofrimento: </strong><em>Experi&#234;ncia repulsiva e sua emo&#231;&#227;o negativa correspondente. Pode ser de natureza f&#237;sica, psicoemocional, social e/ou espiritual.</em></pre></div><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Twycross R, Wilcock A, Howard P, eds. Palliative Care Formulary (PCF7). Nottingham: <a href="http://Palliativedrugs.com">Palliativedrugs.com</a>; 2024.</p></li><li><p>Cherny NI, Fallon MT, Kaasa S, Portenoy RK, Currow DC, eds. Oxford Textbook of Palliative Medicine. 6th ed. Oxford University Press; 2021.</p></li><li><p>Hui D, Maddocks M, Johnson MJ, et al. Management of breathlessness in patients with advanced serious illness. UpToDate. Atualizado periodicamente.</p></li><li><p>Johnson MJ, Currow DC. Chronic breathlessness: epidemiology, mechanisms and assessment. UpToDate. Atualizado periodicamente.</p></li><li><p>Bausewein C, Johnson MJ, Simon ST, et al. Chronic breathlessness: practical management beyond pharmacological treatment. <em>ERJ Open Res</em>. 2025;11(6):00205-2025.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #077]]></title><description><![CDATA[Hiperalgesia induzida por opioides]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-077</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-077</guid><pubDate>Wed, 22 Jul 2026 12:02:37 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b8a51d19-8609-4820-9c74-58e65c89950c_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Categorias</strong>: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-sintomas">Manejo de sintomas</a>
<strong>Autor(a)</strong>: Juliana Martins, m&#233;dica cl&#237;nica e paliativista
<strong>Publicado em</strong>: 22/07/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>Quando um paciente apresenta piora da <em><strong><span>dor</span></strong></em> durante o uso de <em><strong><span>opioides</span></strong></em>, a rea&#231;&#227;o mais intuitiva costuma ser aumentar a dose. Na maioria das vezes, essa ser&#225; realmente a conduta correta: a doen&#231;a pode ter progredido, surgido uma nova causa de <em><strong><span>dor</span></strong></em> ou desenvolvido <em><strong><span>toler&#226;ncia</span></strong></em> aos <em><strong><span>opioides</span></strong></em>. Entretanto, h&#225; uma situa&#231;&#227;o rara e paradoxal em que o pr&#243;prio <em><strong><span>opioide</span></strong></em> pode aumentar a sensibilidade &#224; <em><strong><span>dor</span></strong></em>: a <em><strong><span>hiperalgesia induzida por opioides (HIO)</span></strong></em>. Reconhecer esse fen&#244;meno &#233; particularmente importante em <em><strong><span>Cuidados Paliativos</span></strong></em>, pois uma escalada sucessiva da dose pode agravar ainda mais os sintomas quando a <em><strong><span>HIO</span></strong></em> est&#225; presente, aumentando o <em><strong><span>sofrimento</span></strong></em> do paciente. Na <em><strong><span>#PP</span></strong></em> de hoje discutiremos este importante tema.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? Subscreva seu e-mail gratuitamente para receber novos conte&#250;dos toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>O que &#233;?</h4><p>A <em><strong>hiperalgesia induzida por opioides (HIO)</strong></em> &#233; um fen&#244;meno paradoxal no qual a exposi&#231;&#227;o aos <em><strong>opioides</strong></em> aumenta a sensibilidade &#224; <em><strong>dor</strong></em>, em vez de reduzi-la. Clinicamente, pode manifestar-se por <em><strong>hiperalgesia</strong></em> &#8212; resposta exacerbada a est&#237;mulos dolorosos &#8212; e, em alguns casos, por <em><strong>alodinia</strong></em>, quando est&#237;mulos habitualmente indolores passam a provocar dor.</p><p>Diferentemente da <em><strong>toler&#226;ncia</strong></em> aos <em><strong>opioides</strong></em>, na <em><strong>HIO</strong></em> o problema n&#227;o &#233; a redu&#231;&#227;o do efeito analg&#233;sico do medicamento, mas uma resposta paradoxal em que o pr&#243;prio <em><strong>opioide</strong></em> passa a amplificar a percep&#231;&#227;o da <em><strong>dor</strong></em>. Essa distin&#231;&#227;o &#233; fundamental, pois as condutas s&#227;o diferentes.<br>O fen&#244;meno parece ser mais frequentemente descrito ap&#243;s uso prolongado ou em doses elevadas de <em><strong>opioides</strong></em>, embora possa ocorrer em diferentes contextos cl&#237;nicos.</p><p>Embora os mecanismos ainda n&#227;o estejam completamente esclarecidos, acredita-se que a exposi&#231;&#227;o prolongada aos <em><strong>opioides</strong></em> promova altera&#231;&#245;es no processamento da <em><strong>dor</strong></em> no sistema nervoso central, especialmente por meio da ativa&#231;&#227;o dos <em><strong>receptores</strong></em> <em><strong>NMDA</strong></em> e da <em><strong>sensibiliza&#231;&#227;o dolorosa central</strong></em>. Como consequ&#234;ncia, o organismo passa a responder de forma exagerada aos est&#237;mulos dolorosos.</p><p>Embora seja reproduzida com facilidade em modelos experimentais, sua relev&#226;ncia cl&#237;nica permanece debatida. Uma revis&#227;o sistem&#225;tica envolvendo mais de 2.700 participantes encontrou evid&#234;ncias de <em><strong>HIO</strong></em> principalmente em testes experimentais de sensibilidade t&#233;rmica, mas ressaltou que sua identifica&#231;&#227;o cl&#237;nica ainda apresenta importantes limita&#231;&#245;es metodol&#243;gicas. Em outras palavras, a melhor evid&#234;ncia dispon&#237;vel indica que o fen&#244;meno pode ocorrer em humanos, mas &#233; raro e sua demonstra&#231;&#227;o depende do m&#233;todo utilizado para avalia&#231;&#227;o da <em><strong>dor</strong></em>. Assim, embora a <em><strong>HIO</strong></em> seja um fen&#244;meno biologicamente plaus&#237;vel e demonstr&#225;vel em humanos, as melhores evid&#234;ncias sugerem que sua ocorr&#234;ncia cl&#237;nica &#233; rara.</p><div><hr></div><h4>Como suspeitar?</h4><p>Suspeitar de <em><strong>HIO</strong></em> exige cautela, pois praticamente todas as suas manifesta&#231;&#245;es podem ser explicadas por condi&#231;&#245;es muito mais comuns.</p><p>O maior desafio &#233; justamente diferenciar a <em><strong>HIO</strong></em> de situa&#231;&#245;es muito mais frequentes. A progress&#227;o da doen&#231;a costuma produzir piora localizada da <em><strong>dor</strong></em>, geralmente acompanhada por novos achados cl&#237;nicos ou radiol&#243;gicos. A <em><strong>toler&#226;ncia</strong></em> aos <em><strong>opioides</strong></em>, por sua vez, leva &#224; redu&#231;&#227;o progressiva do efeito analg&#233;sico, mas o aumento da dose costuma restabelecer o controle da <em><strong>dor</strong></em>.</p><p>J&#225; na <em><strong>HIO</strong></em>, o quadro tende a ser diferente: a <em><strong>dor</strong></em> torna-se mais difusa, menos relacionada ao local original e frequentemente acompanhada por hipersensibilidade cut&#226;nea. Em alguns pacientes, a <em><strong>HIO</strong></em> pode coexistir com sinais de <em><strong>neurotoxicidade induzida por opioides</strong></em>, como <em><strong>mioclonias</strong></em> e <em><strong>delirium</strong></em>. Outro aspecto sugestivo &#233; a piora da <em><strong>dor</strong></em> ap&#243;s sucessivos aumentos da dose, seguida de melhora ap&#243;s a redu&#231;&#227;o da dose ou a <em><strong>rota&#231;&#227;o de opioides</strong></em>. Nenhum desses achados confirma o diagn&#243;stico, de forma que a <em><strong>HIO</strong></em> permanece um diagn&#243;stico essencialmente cl&#237;nico e de exclus&#227;o. At&#233; o momento, n&#227;o existe exame complementar capaz de confirmar o diagn&#243;stico.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? 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A primeira etapa consiste em reavaliar cuidadosamente outras causas de piora da <em><strong>dor</strong></em>: progress&#227;o da doen&#231;a, nova s&#237;ndrome dolorosa, <em><strong>abstin&#234;ncia</strong></em>, <em><strong>dor neurop&#225;tica</strong></em> n&#227;o tratada, <em><strong>sofrimento</strong></em> psicoemocional e <em><strong>analgesia</strong></em> insuficiente.</p><p>Quando a suspeita permanece elevada, a estrat&#233;gia mais aceita consiste em reduzir gradualmente a dose do <em><strong>opioide</strong></em> ou realizar <em><strong>rota&#231;&#227;o de opioides</strong></em>, associando medidas multimodais de controle da <em><strong>dor</strong></em>. Redu&#231;&#245;es abruptas devem ser evitadas e a resposta cl&#237;nica reavaliada continuamente. Em alguns pacientes, pode ser &#250;til otimizar medicamentos n&#227;o opioides e considerar f&#225;rmacos com a&#231;&#227;o sobre <em><strong>receptores NMDA</strong></em>, como a <em><strong>cetamina</strong></em>, em contextos selecionados.</p><p>Em <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>, reconhecer a <em><strong>HIO</strong></em> significa evitar tanto a escalada inadequada dos <em><strong>opioides</strong></em> quanto a redu&#231;&#227;o injustificada de um tratamento ainda ben&#233;fico. Como se trata de um fen&#244;meno raro, seu diagn&#243;stico exige cautela e cuidadosa revis&#227;o das hip&#243;teses mais prov&#225;veis.</p><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong>Reavalie</strong> a causa da piora da <em><strong>dor</strong></em> antes de simplesmente aumentar a dose do <em><strong>opioide</strong></em>.</p></li><li><p><strong>Evite</strong> diagnosticar <em><strong>HIO</strong></em> antes de excluir causas mais comuns de piora da <em><strong>dor</strong></em>. <em><strong>HIO</strong></em> &#233; uma causa rara!</p></li><li><p><strong>Considere</strong> <em><strong>rota&#231;&#227;o de opioides</strong></em> quando houver forte suspeita de <em><strong>HIO</strong></em>.</p></li><li><p><strong>Associe</strong> estrat&#233;gias multimodais de analgesia em vez de depender exclusivamente da escalada da dose.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; <em><span>Na pr&#225;tica cl&#237;nica, a </span><strong><span>HIO</span></strong><span> costuma ser muito mais lembrada do que realmente encontrada. Antes de atribuir a piora da </span><strong><span>dor</span></strong><span> ao </span><strong><span>opioide</span></strong><span>, pergunte-se: "Existe uma explica&#231;&#227;o mais prov&#225;vel?" Na imensa maioria das vezes, a resposta ser&#225; sim. O diagn&#243;stico de </span><strong><span>HIO</span></strong><span> exige cautela justamente porque um falso diagn&#243;stico pode levar &#224; redu&#231;&#227;o inadequada de um medicamento que ainda est&#225; oferecendo benef&#237;cio ao paciente.</span></em></p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>O gloss&#225;rio paliativo traz os principais termos que voc&#234; precisa conhecer em cuidados paliativos. A cada edi&#231;&#227;o da P&#237;lula Paliativa voc&#234; encontrar&#225; neste espa&#231;o os termos citados.</strong></h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://speckled-python-dcf.notion.site/1634cf5e72e98157b580f4e584f8a9dd?pvs=4" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:485,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:&quot;https://speckled-python-dcf.notion.site/1634cf5e72e98157b580f4e584f8a9dd?pvs=4&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, 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</em><strong>Analgesia: </strong><em>Conjunto de interven&#231;&#245;es destinadas a aliviar ou eliminar a dor, incluindo medidas farmacol&#243;gicas, n&#227;o farmacol&#243;gicas e intervencionistas.

</em><strong>Alodinia: </strong><em>Dor desencadeada por est&#237;mulos que normalmente n&#227;o s&#227;o dolorosos, como toque leve ou varia&#231;&#245;es t&#233;rmicas, frequentemente associada a les&#245;es ou disfun&#231;&#245;es do sistema nervoso somatossensorial, como dor neurop&#225;tica.

</em><strong>Cetamina:</strong><em> F&#225;rmaco anest&#233;sico dissociativo que atua como antagonista dos receptores NMDA (N-metil-D-aspartato) no sistema nervoso central.

</em><strong>Delirium: </strong><em>Dist&#250;rbio agudo, transit&#243;rio e geralmente revers&#237;vel, caracterizado pela altera&#231;&#227;o flutuante da aten&#231;&#227;o, da cogni&#231;&#227;o e do n&#237;vel de consci&#234;ncia. Geralmente, secund&#225;rio &#224; doen&#231;a org&#226;nica, representando uma disfun&#231;&#227;o neurol&#243;gica associada.

</em><strong>Dor:</strong><em> De acordo com a Associa&#231;&#227;o Internacional para o Estudo da Dor (IASP), &#233; &#8220;uma experi&#234;ncia sensitiva e emocional desagrad&#225;vel associada a uma les&#227;o tecidual real ou potencial, ou descrita nos termos de tal les&#227;o&#8221;.

</em><strong>Hiperalgesia:</strong><em> Resposta dolorosa exagerada a um est&#237;mulo, decorrente de sensibiliza&#231;&#227;o perif&#233;rica ou central.

</em><strong>Hiperalgesia induzida por opioides (HIO):</strong><em> Fen&#244;meno paradoxal no qual a exposi&#231;&#227;o aos opioides aumenta a sensibilidade &#224; dor, levando &#224; intensifica&#231;&#227;o da dor preexistente ou ao surgimento de dor.

</em><strong>Mioclonia: </strong><em>Contra&#231;&#227;o muscular s&#250;bita, breve e involunt&#225;ria, que pode ocorrer espontaneamente ou ser desencadeada por est&#237;mulos.

</em><strong>Neurotoxicidade induzida por opioides: </strong><em>S&#237;ndrome caracterizada pelo aparecimento de manifesta&#231;&#245;es neurol&#243;gicas relacionadas ao uso ou ac&#250;mulo de opioides, como mioclonias, alucina&#231;&#245;es, del&#237;rio, hiperexcitabilidade, hiperalgesia induzida por opioides e, em casos graves, convuls&#245;es.

</em><strong>Opioide: </strong><em>Termo que engloba os alcaloides derivados da papoula (Papaver somniferum), seus an&#225;logos sint&#233;ticos e as subst&#226;ncias end&#243;genas que se ligam aos receptores opioides distribu&#237;dos por todo o corpo. Como medicamentos, s&#227;o utilizados principalmente para o controle da dor, mas tamb&#233;m podem ser eficazes no al&#237;vio de outros sintomas.

</em><strong>Receptor NMDA: </strong><em>Receptor de glutamato envolvido na transmiss&#227;o da dor, na sensibiliza&#231;&#227;o central e na plasticidade sin&#225;ptica. Sua ativa&#231;&#227;o excessiva contribui para a cronifica&#231;&#227;o da dor e para a hiperalgesia, sendo alvo terap&#234;utico de medicamentos como a cetamina.

</em><strong>Rota&#231;&#227;o de opioide:</strong><em> Estrat&#233;gia terap&#234;utica que consiste na substitui&#231;&#227;o de um opioide por outro, utilizando doses equianalg&#233;sicas ajustadas, com o objetivo de melhorar o controle da dor e/ou reduzir efeitos adversos relacionados ao tratamento.

</em><strong>Sensibiliza&#231;&#227;o dolorosa central: </strong><em>Processo de amplifica&#231;&#227;o da transmiss&#227;o nociceptiva no sistema nervoso central, resultando em aumento da sensibilidade &#224; dor, redu&#231;&#227;o do limiar doloroso e persist&#234;ncia da dor mesmo na aus&#234;ncia de est&#237;mulos nocivos proporcionais.

</em><strong>Sofrimento:</strong><em> Experi&#234;ncia repulsiva e sua emo&#231;&#227;o negativa correspondente. Pode ser de natureza f&#237;sica, psicoemocional, social e/ou espiritual.

</em><strong>Toler&#226;ncia:</strong><em> Fen&#244;meno farmacol&#243;gico no qual, ap&#243;s uso repetido, h&#225; redu&#231;&#227;o do efeito da subst&#226;ncia.</em></pre></div><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Fallon MT, Kaasa S. Oxford Textbook of Palliative Medicine. 6th ed. Oxford University Press; 2024.</p></li><li><p>UpToDate. Prevention and management of side effects in patients receiving opioids for chronic pain: Opioid-induced hyperalgesia.</p></li><li><p>Higgins C, Smith BH, Matthews K. Evidence of opioid-induced hyperalgesia in clinical populations after chronic opioid exposure: a systematic review and meta-analysis. Br J Anaesth. 2019;122(6):e114-e126.</p></li><li><p>Lee M, Silverman SM, Hansen H, Patel VB, Manchikanti L. A comprehensive review of opioid-induced hyperalgesia. Pain Physician. 2011;14:145-161.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #076]]></title><description><![CDATA[Legado digital]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-076</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-076</guid><pubDate>Wed, 15 Jul 2026 14:03:17 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/761d2d50-1e33-4d29-a3e4-a9278242a4b2_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Categorias</strong>: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/tomada-de-decisao">Tomada de decis&#227;o</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-fim-de-vida">Manejo de fim de vida</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/educacao-para-a-morte">Educa&#231;&#227;o para a morte</a>
<strong>Autor(a)</strong>: Juliana Martins, m&#233;dica cl&#237;nica e paliativista
<strong>Publicado em</strong>: 15/07/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>Quando pensamos em <em><strong>legado</strong></em>, pensamos naquilo que permanece ap&#243;s a nossa morte: hist&#243;rias, valores, mem&#243;rias, v&#237;nculos e tudo o que deixamos para as pessoas que seguem vivendo. Parte desse <em><strong>legado</strong></em> pode assumir formas concretas, como cartas, fotografias ou objetos de valor afetivo. Hoje, entretanto, boa parte da nossa hist&#243;ria tamb&#233;m existe no ambiente digital: fotografias armazenadas em nuvem, mensagens, e-mails, redes sociais, documentos, v&#237;deos, m&#250;sicas, assinaturas digitais e at&#233; patrim&#244;nio financeiro.</p><p>Apesar disso, conversas sobre <em><strong>legado digital</strong></em> ainda s&#227;o pouco frequentes nos <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>. Em um mundo cada vez mais conectado, refletir sobre o destino desses bens digitais tornou-se mais uma oportunidade de exercer <em><strong>autonomia</strong></em>, preservar mem&#243;rias e reduzir dificuldades para quem permanece. Nesta <em><strong>#PP</strong></em>, discutiremos o conceito de <em><strong>legado digital</strong></em>, sua relev&#226;ncia para os <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> e como esse tema pode integrar o <em><strong>planejamento antecipado de cuidados</strong></em>.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? Subscreva seu e-mail gratuitamente para receber novos conte&#250;dos toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>O que &#233; o legado digital?</h4><p>O <em><strong>legado digital</strong></em> corresponde ao conjunto de informa&#231;&#245;es, arquivos, contas e registros produzidos ou armazenados em meios digitais ao longo da vida. Isso inclui fotografias, v&#237;deos, mensagens, e-mails, documentos em nuvem, redes sociais, servi&#231;os de <em>streaming</em>, contas banc&#225;rias digitais, aplicativos, criptomoedas e diversos outros ativos.</p><p>Enquanto fotografias, v&#237;deos, grava&#231;&#245;es de voz e <em>playlists</em> preservam lembran&#231;as, express&#245;es e aspectos da identidade da pessoa, contas banc&#225;rias digitais, investimentos, documentos eletr&#244;nicos, carteiras de criptomoedas, assinaturas e outros servi&#231;os online podem representar patrim&#244;nio, gerar implica&#231;&#245;es financeiras e demandar provid&#234;ncias legais pelos familiares. Para muitos pacientes e familiares, esses bens digitais j&#225; possuem import&#226;ncia semelhante &#224; dos bens f&#237;sicos, seja pelo seu valor afetivo, seja por suas implica&#231;&#245;es patrimoniais.</p><p>Al&#233;m das dimens&#245;es afetiva e patrimonial, existe uma terceira dimens&#227;o igualmente importante: a administrativa. O que acontecer&#225; com as contas digitais? Quem ter&#225; acesso &#224;s fotografias armazenadas na nuvem? Como os familiares encontrar&#227;o documentos importantes? Organizar essas informa&#231;&#245;es previamente reduz dificuldades pr&#225;ticas, evita a perda de acesso a informa&#231;&#245;es importantes e aumenta a chance de que os desejos da pessoa sejam respeitados.</p><p>Na pr&#225;tica, a aus&#234;ncia de planejamento pode gerar dificuldades que v&#227;o muito al&#233;m da perda de mem&#243;rias. N&#227;o &#233; raro que familiares encontrem obst&#225;culos para acessar contas ou documentos porque senhas foram perdidas, dispositivos permanecem bloqueados ou aplicativos exigem autentica&#231;&#227;o biom&#233;trica &#8212; como reconhecimento facial ou impress&#227;o digital &#8212; de algu&#233;m que j&#225; faleceu. Essas situa&#231;&#245;es podem atrasar processos administrativos, dificultar o acesso ao patrim&#244;nio e representar uma fonte adicional de <em><strong>sofrimento</strong></em> para quem permanece. Assim como planejamos o destino de bens materiais, documentos ou prefer&#234;ncias de cuidado, tamb&#233;m podemos planejar o destino daquilo que constru&#237;mos no ambiente digital.</p><p>Embora essas quest&#245;es fa&#231;am parte da vida de praticamente todas as pessoas, conversas sobre <em><strong>legado digital</strong></em> ainda s&#227;o pouco frequentes nos <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>. A literatura mostra que pacientes reconhecem a import&#226;ncia do tema e desejam discuti-lo, mas poucos profissionais o incorporam ao <em><strong>planejamento antecipado de cuidados</strong></em>. Essa lacuna parece decorrer mais da falta de familiaridade e seguran&#231;a dos profissionais para abordar o assunto do que da aus&#234;ncia de relev&#226;ncia cl&#237;nica.</p><div><hr></div><h4>Planejar no f&#237;sico e no digital</h4><p>Em uma sociedade cada vez mais digital, cuidar da pr&#243;pria presen&#231;a online tamb&#233;m passou a fazer parte do exerc&#237;cio da cidadania e, portanto, o <em><strong>legado digital</strong></em> deve ser compreendido uma dimens&#227;o complementar ao <em><strong>planejamento antecipado de cuidados</strong></em>. Assim como conversamos sobre prefer&#234;ncias para tratamentos futuros, tamb&#233;m podemos conversar sobre o destino daquilo que constru&#237;mos no ambiente digital.</p><p>Na pr&#225;tica, esse planejamento pode ser bastante simples. Vale orientar o paciente a elaborar uma lista de suas contas digitais &#8212; e-mail, redes sociais, armazenamento em nuvem, bancos digitais, aplicativos, servi&#231;os de <em>streaming</em> e outros &#8212; registrando o que gostaria que acontecesse com cada uma delas. Tamb&#233;m &#233; &#250;til definir uma pessoa de confian&#231;a para conhecer essas prefer&#234;ncias e identificar onde est&#227;o armazenadas informa&#231;&#245;es importantes. Essa estrat&#233;gia guarda grande semelhan&#231;a com o pr&#243;prio processo de <em><strong>planejamento antecipado de cuidados</strong></em>: assim como a pessoa pode nomear um <em><strong>procurador para cuidados de sa&#250;de</strong></em> para represent&#225;-la quando perder sua capacidade de decis&#227;o, tamb&#233;m pode identificar algu&#233;m de sua confian&#231;a para auxiliar na execu&#231;&#227;o de suas prefer&#234;ncias relacionadas ao <em><strong>legado digital</strong></em>.</p><p>Diversas plataformas j&#225; oferecem ferramentas espec&#237;ficas para o gerenciamento das contas ap&#243;s a morte, permitindo, por exemplo, indicar um contato de confian&#231;a para administrar a conta ap&#243;s a morte. O papel do profissional n&#227;o &#233; ensinar a configurar essas ferramentas, mas reconhecer que essa dimens&#227;o da vida existe e criar oportunidades para que ela seja discutida. &#201; importante lembrar que esse planejamento representa uma declara&#231;&#227;o de prefer&#234;ncias sobre o <em><strong>legado digital</strong></em> e n&#227;o se confunde com o <em><strong>testamento vital</strong></em><strong>,</strong> documento destinado a registrar prefer&#234;ncias relacionadas aos cuidados de sa&#250;de em situa&#231;&#245;es de incapacidade decis&#243;ria (aprenda mais sobre o tema na <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/p/pilula-paliativa-015">#PP 015 - Testamento Vital</a>).</p><p>As pol&#237;ticas para acesso, memorializa&#231;&#227;o ou exclus&#227;o de contas variam entre as plataformas e podem mudar ao longo do tempo. Ainda assim, registrar essas prefer&#234;ncias pode facilitar decis&#245;es futuras, orientar familiares e demonstrar a vontade previamente manifestada pela pr&#243;pria pessoa.</p><p>&#192; medida que o tema ganha relev&#226;ncia, tamb&#233;m cresce a oferta de materiais de apoio para pacientes, familiares e profissionais. Organiza&#231;&#245;es dedicadas ao tema, como a <em>Digital Legacy Association</em>, disponibilizam gratuitamente guias e materiais educativos sobre planejamento do <em><strong>legado digital</strong></em>, organiza&#231;&#227;o de contas, memorializa&#231;&#227;o de perfis e outros aspectos relacionados &#224; gest&#227;o dos bens digitais ap&#243;s a morte.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? 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Em um estudo qualitativo com profissionais de <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>, v&#237;deos, grava&#231;&#245;es de voz e m&#250;sicas foram descritos como recursos valiosos por preservarem a maneira de falar, o riso, pequenos gestos e outras caracter&#237;sticas &#250;nicas da pessoa. Muitos participantes relataram que esses registros podem despertar respostas emocionais ainda mais intensas do que fotografias impressas por transmitirem aspectos da personalidade que dificilmente seriam preservados de outra forma.</p><p>Al&#233;m dos desafios administrativos, a perda definitiva de fotografias, v&#237;deos, mensagens ou outros registros digitais pode representar uma forma de perda secund&#225;ria. Quando esses conte&#250;dos se tornam inacess&#237;veis ap&#243;s a morte &#8212; por aus&#234;ncia de planejamento, perda de senhas ou impossibilidade de acesso &#224;s contas &#8212; familiares podem vivenciar um <em><strong>sofrimento</strong></em> adicional, decorrente n&#227;o apenas da morte, mas tamb&#233;m da impossibilidade de preservar lembran&#231;as importantes.</p><p>Entretanto, nem toda experi&#234;ncia &#233; positiva. Mensagens programadas para serem enviadas ap&#243;s a morte, notifica&#231;&#245;es autom&#225;ticas de anivers&#225;rios ou recorda&#231;&#245;es inesperadas podem provocar <em><strong>sofrimento</strong></em> ou intensificar o <em><strong>luto</strong></em> em momentos indesejados. Assim, n&#227;o existe uma &#250;nica forma correta de lidar com o <em><strong>legado digital</strong></em>. Algumas pessoas desejam preservar suas contas como memoriais; outras preferem encerr&#225;-las definitivamente. Como em qualquer decis&#227;o nos <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>, o elemento central &#233; respeitar os valores, as prefer&#234;ncias e os objetivos de cada pessoa.</p><p>O <em><strong>legado digital</strong></em> amplia, para o ambiente virtual, princ&#237;pios que j&#225; orientam os <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>: respeito &#224; <em><strong>autonomia</strong></em>, uso do <em><strong>M&#233;todo Cl&#237;nico Centrado na Pessoa (MCCP)</strong></em> e aten&#231;&#227;o &#224;s necessidades de quem fica. Incorpor&#225;-lo &#224; pr&#225;tica cl&#237;nica n&#227;o significa tornar-se especialista em tecnologia, mas reconhecer que uma parte importante da vida das pessoas &#8212; de sua hist&#243;ria, de seus v&#237;nculos e de seu patrim&#244;nio &#8212; tamb&#233;m existe no ambiente digital.</p><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong>Pergunte</strong> se o paciente gostaria de conversar sobre o destino de seus arquivos, contas e mem&#243;rias digitais.</p></li><li><p><strong>Oriente</strong> o paciente a listar suas principais contas e bens digitais e registrar o que deseja que aconte&#231;a com cada um deles ap&#243;s sua morte.</p></li><li><p><strong>Estimule</strong> a escolha de uma pessoa de confian&#231;a para conhecer essas prefer&#234;ncias e auxiliar na execu&#231;&#227;o de seus desejos relacionados ao <em><strong>legado digital</strong></em>.</p></li><li><p><strong>Disponibilize</strong> materiais de apoio e recursos confi&#225;veis, como os da <em>Digital Legacy Association</em>, para pacientes e familiares que desejem aprofundar o planejamento de seu <em><strong>legado digital</strong></em>.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; Muitos profissionais evitam abordar o <em><strong><span>legado digital</span></strong></em> porque acreditam que precisar&#227;o explicar o funcionamento de redes sociais ou configura&#231;&#245;es de privacidade. A evid&#234;ncia mostra justamente o contr&#225;rio: nossa fun&#231;&#227;o n&#227;o &#233; sermos especialistas em tecnologia, mas especialistas em conversar sobre aquilo que importa para cada pessoa. Muitas vezes, perguntar <em><span>"Existe algo no seu celular ou computador que voc&#234; gostaria que sua fam&#237;lia pudesse guardar?"</span></em> &#233; suficiente para iniciar uma conversa profunda sobre identidade, v&#237;nculos e planejamento.</p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>O gloss&#225;rio paliativo traz os principais termos que voc&#234; precisa conhecer em cuidados paliativos. A cada edi&#231;&#227;o da P&#237;lula Paliativa voc&#234; encontrar&#225; neste espa&#231;o os termos citados.</strong></h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://speckled-python-dcf.notion.site/1634cf5e72e98157b580f4e584f8a9dd?pvs=4" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, 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<em><strong>Legado: </strong></em>Conjunto de valores, mem&#243;rias, ensinamentos, hist&#243;rias, bens materiais ou elementos simb&#243;licos que uma pessoa transmite e deixa para outras ap&#243;s sua morte. Em Cuidados Paliativos, o legado frequentemente est&#225; relacionado ao desejo de preservar significado, identidade e v&#237;nculos para as gera&#231;&#245;es futuras.

<em><strong>Legado digital: </strong></em>Conjunto de informa&#231;&#245;es, arquivos, contas, registros e conte&#250;dos produzidos ou armazenados em meios digitais durante a vida de uma pessoa, incluindo fotografias, v&#237;deos, mensagens, redes sociais, documentos e outros ativos digitais, cujo destino pode ser planejado como parte do cuidado de fim de vida.

<em><strong>Luto: </strong></em>Viv&#234;ncia natural diante de uma perda de um v&#237;nculo significativo, seja ou n&#227;o por morte. &#201; uma resposta multidimensional, com manifesta&#231;&#245;es emocionais, f&#237;sicas, sociais, espirituais e comportamentais. Em ingl&#234;s, tr&#234;s termos distintos costumam ser traduzidos como luto: 1. Bereavement &#8211; estado objetivo de perda, decorrente de um v&#237;nculo rompido.  2. Grief &#8211; resposta emocional e multidimensional &#224; perda. 3. Mourning &#8211; express&#227;o p&#250;blica do luto, mediada por rituais, normas culturais ou pr&#225;ticas espirituais. Em portugu&#234;s, luto pode abranger os tr&#234;s sentidos, o que exige aten&#231;&#227;o &#224; polissemia em contextos cl&#237;nicos, acad&#234;micos e culturais.

<em><strong>M&#233;todo Cl&#237;nico Centrado na Pessoa (MCCP): </strong></em>Abordagem do cuidado em sa&#250;de que coloca a pessoa - e n&#227;o apenas sua condi&#231;&#227;o cl&#237;nica - no centro do processo de cuidado. Prop&#245;e que o servi&#231;o de sa&#250;de se ajuste &#224;s necessidades, valores e prefer&#234;ncias do paciente, promovendo uma parceria ativa entre equipe, paciente, familiares e cuidadores. Essa abordagem busca garantir que todos sejam respeitados, bem informados, engajados nas decis&#245;es, apoiados e tratados com dignidade, compaix&#227;o e empatia.

<em><strong>Planejamento antecipado de cuidados: </strong></em>Processo no qual uma pessoa com capacidade decis&#243;ria preservada, com aux&#237;lio da equipe de sa&#250;de, expressa e registra seus valores, objetivos e prefer&#234;ncias em rela&#231;&#227;o a seus cuidados de sa&#250;de, com foco no fim da vida. Tem como objetivo garantir cuidados compat&#237;veis com a biografia da pessoa, devendo ter como produtos finais: 1) A constru&#231;&#227;o de um testamento vital e 2) A escolha de um procurador para cuidados de sa&#250;de. Em ingl&#234;s, diz-se &#8220;Advance Care Planning (ACP)&#8221;, de forma que tamb&#233;m pode ser traduzido como planejamento avan&#231;ado de cuidado.

<em><strong>Procurador para cuidados de sa&#250;de: </strong></em>Pessoa nomeada por outra para tomar decis&#245;es sobre seus cuidados de sa&#250;de quando esta n&#227;o puder mais expressar sua vontade. Cabe ao procurador esclarecer os desejos do paciente diante de situa&#231;&#245;es n&#227;o previstas no testamento vital, sendo sua posi&#231;&#227;o considerada a opini&#227;o leiga de maior relev&#226;ncia no processo decis&#243;rio &#8212; exceto, &#233; claro, pela pr&#243;pria vontade do paciente previamente expressa no testamento vital.

<em><strong>Sofrimento:</strong></em> Experi&#234;ncia repulsiva e sua emo&#231;&#227;o negativa correspondente. Pode ser de natureza f&#237;sica, psicoemocional, social e/ou espiritual.

<em><strong>Testamento vital:</strong></em> Tipo de diretiva antecipada de vontade (DAV), que versa sobre os tratamentos e prefer&#234;ncias de cuidados relacionados &#224; terminalidade da vida. Na Resolu&#231;&#227;o do Conselho Federal de Medicina N&#186; 1995/2012, &#233; trazida como sin&#244;nimo de DAV.</pre></div><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Stanley S, Hayes JA, Mogan C, et al. <em>Digital legacy in palliative care and end-of-life care planning: a scoping review</em>. BMJ Support Palliat Care. 2026.</p></li><li><p>Stanley S, Higginbotham K, Finucane A, Nwosu AC. <em>A grounded theory study exploring palliative care healthcare professionals&#8217; experiences of managing digital legacy as part of advance care planning for people receiving palliative care</em>. Palliat Med. 2023.</p></li><li><p>Marie Curie. <em>Sorting out online accounts</em> [Internet]. London: Marie Curie; [citado 2026 jul 13]. Dispon&#237;vel em: <a href="https://www.mariecurie.org.uk/information/planning-ahead/sorting-out-online-accounts">https://www.mariecurie.org.uk/information/planning-ahead/sorting-out-online-accounts</a></p></li><li><p>Clabburn O, Knighting K, Jack BA, et al. <em>The use of digital legacies with people affected by motor neurone disease for continuing bonds</em>. Palliat Med. 2019.</p></li><li><p>Digital Legacy Association. <em>Digital Legacy Association</em> [Internet]. Liverpool: Digital Legacy Association; [citado 2026 jul 13]. Dispon&#237;vel em: </p><p>https://digitallegacyassociation.org/</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #075]]></title><description><![CDATA[Modelo]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-075</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-075</guid><pubDate>Wed, 08 Jul 2026 15:13:35 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d1747e88-0b66-451a-b6b6-f3f2f52ab239_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Categorias</strong>: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-sintomas">Manejo de sintomas</a>
<strong>Autor(a)</strong>: Juliana Martins, m&#233;dica cl&#237;nica e paliativista
<strong>Publicado em</strong>: 08/07/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>Embora tradicionalmente associada ao c&#226;ncer, a <em><strong>dor</strong></em> &#233; um dos sintomas mais frequentes entre pessoas com doen&#231;as cr&#244;nicas n&#227;o-oncol&#243;gicas acompanhadas em <strong>Cuidados Paliativos</strong>, como insufici&#234;ncia card&#237;aca, doen&#231;a pulmonar obstrutiva cr&#244;nica, doen&#231;a renal cr&#244;nica e doen&#231;as neurol&#243;gicas. Nesses pacientes, o manejo da <em><strong>dor cr&#244;nica</strong></em> costuma representar um dos maiores desafios da pr&#225;tica cl&#237;nica, exigindo acompanhamento longitudinal e decis&#245;es terap&#234;uticas que v&#227;o muito al&#233;m da prescri&#231;&#227;o de um <em><strong>analg&#233;sico</strong></em>.</p><p>A <em><strong>dor cr&#244;nica</strong></em> n&#227;o-oncol&#243;gica &#233; uma condi&#231;&#227;o cl&#237;nica complexa, resultante da intera&#231;&#227;o entre mecanismos biol&#243;gicos, psicol&#243;gicos e sociais. Por isso, o sucesso terap&#234;utico depende menos da escolha do <em><strong>analg&#233;sico</strong></em> e mais da compreens&#227;o dos mecanismos envolvidos no quadro doloroso e de seu impacto na vida da pessoa. Apesar disso, grande parte das discuss&#245;es sobre o tema concentra-se nos medicamentos dispon&#237;veis, enquanto pouca aten&#231;&#227;o &#233; dada ao racioc&#237;nio que deve orientar a sua escolha. &#201; justamente sobre a constru&#231;&#227;o desse plano terap&#234;utico &#8212; desde a avalia&#231;&#227;o inicial at&#233; a defini&#231;&#227;o das estrat&#233;gias terap&#234;uticas e seu acompanhamento &#8212; que trata esta <em><strong>#PP</strong></em>.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? Subscreva seu e-mail gratuitamente para receber novos conte&#250;dos toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>Dor cr&#244;nica: mais do que uma quest&#227;o de tempo</h4><p>A <em><strong>dor</strong></em> &#233; definida pela <em>International Association for the Study of Pain (IASP)</em> como uma experi&#234;ncia sensorial e emocional desagrad&#225;vel associada, ou semelhante &#224;quela associada, a dano tecidual real ou potencial. Tradicionalmente, considera-se <em><strong>dor cr&#244;nica</strong></em> aquela que persiste por mais de tr&#234;s meses ou al&#233;m do tempo esperado para cicatriza&#231;&#227;o. Entretanto, esse crit&#233;rio temporal, embora &#250;til para fins de defini&#231;&#227;o, n&#227;o &#233; suficiente para explicar a cronifica&#231;&#227;o da <em><strong>dor</strong></em>.</p><p>Atualmente, compreende-se que a <em><strong>dor cr&#244;nica</strong></em> resulta de altera&#231;&#245;es persistentes nos mecanismos de processamento da <em><strong>dor</strong></em>, que fazem com que ela passe a se comportar como uma condi&#231;&#227;o cl&#237;nica pr&#243;pria, e n&#227;o apenas como um sintoma prolongado. Entre esses mecanismos, destaca-se a <em><strong>dor nocipl&#225;stica</strong></em>, decorrente de altera&#231;&#245;es na <em><strong>nocicep&#231;&#227;o</strong></em> sem evid&#234;ncia de les&#227;o tecidual ou doen&#231;a do <em><strong>sistema nervoso somatossensorial</strong></em> que expliquem plenamente os sintomas.</p><p>Sob a perspectiva fisiopatol&#243;gica, a <em><strong>dor</strong></em> pode ser classificada em <em><strong>dor nociceptiva</strong></em>, decorrente da ativa&#231;&#227;o dos <em><strong>nociceptores</strong></em> por les&#227;o tecidual; <em><strong>dor neurop&#225;tica</strong></em>, causada por les&#227;o ou doen&#231;a do <em><strong>sistema nervoso somatossensorial</strong></em> (tema abordado em profundidade na <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/p/pilula-paliativa-052">#</a><strong><a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/p/pilula-paliativa-052">PP052 Dor neurop&#225;tica</a></strong>); e <em><strong>dor nocipl&#225;stica</strong></em>. Na pr&#225;tica, esses mecanismos frequentemente coexistem, e sua identifica&#231;&#227;o &#233; fundamental para orientar a constru&#231;&#227;o do plano terap&#234;utico.</p><div><hr></div><h4>A avalia&#231;&#227;o orienta o tratamento</h4><p>Compreender os mecanismos da <em><strong>dor</strong></em> &#233; apenas o primeiro passo. A constru&#231;&#227;o do plano terap&#234;utico exige uma avalia&#231;&#227;o ampla, capaz de identificar n&#227;o apenas as caracter&#237;sticas da <em><strong>dor</strong></em>, mas tamb&#233;m seu impacto na vida da pessoa. Al&#233;m da intensidade, localiza&#231;&#227;o, qualidade e fatores desencadeantes, &#233; fundamental investigar como a <em><strong>dor</strong></em> interfere na <em><strong>funcionalidade</strong></em>, no humor, no sono, no trabalho, nas rela&#231;&#245;es interpessoais e nas atividades cotidianas. Em muitos casos, essas informa&#231;&#245;es orientam melhor o tratamento do que a intensidade da <em><strong>dor</strong></em> isoladamente.</p><p>A avalia&#231;&#227;o tamb&#233;m deve buscar a causa da <em><strong>dor</strong></em>, revisar tratamentos pr&#233;vios &#8212; incluindo resposta, <em><strong>efeitos adversos</strong></em> e motivos para sua interrup&#231;&#227;o &#8212; e identificar <em><strong>red flags</strong></em> que indiquem a necessidade de investiga&#231;&#227;o complementar, encaminhamento ao especialista ou atendimento de emerg&#234;ncia. Exames laboratoriais e de imagem devem ser solicitados apenas quando houver indica&#231;&#227;o cl&#237;nica, evitando sua utiliza&#231;&#227;o indiscriminada, j&#225; que altera&#231;&#245;es estruturais nem sempre explicam a intensidade dos sintomas ou seu impacto na <em><strong>qualidade de vida</strong></em>. A coleta dessas informa&#231;&#245;es pode ser organizada por roteiros estruturados, como <em><strong>OLD CARTS</strong></em>, <em><strong>SOCRATES</strong></em> ou <em><strong>PQRSTU</strong></em>. O mais importante, por&#233;m, n&#227;o &#233; o acr&#244;nimo utilizado, mas garantir uma avalia&#231;&#227;o sistem&#225;tica e centrada na pessoa.</p><p>Ao final da avalia&#231;&#227;o, o profissional deve ser capaz de responder a algumas perguntas fundamentais:</p><ul><li><p>Qual &#233; o mecanismo predominante da <em><strong>dor</strong></em>?</p></li><li><p>Existe uma causa trat&#225;vel? H&#225; fatores que perpetuam ou amplificam os sintomas?</p></li><li><p>O paciente pode ser acompanhado na <em><strong>Aten&#231;&#227;o Prim&#225;ria &#224; Sa&#250;de (APS)</strong></em> ou necessita de cuidado especializado?</p></li></ul><p>Essas respostas s&#227;o a base para a constru&#231;&#227;o de um plano terap&#234;utico individualizado. A maioria das pessoas com <em><strong>dor cr&#244;nica</strong></em> pode iniciar seu tratamento na <em><strong>APS</strong></em>, desde que seja submetida a uma avalia&#231;&#227;o cl&#237;nica abrangente e tenha acompanhamento longitudinal. O encaminhamento para servi&#231;os especializados deve ser reservado para situa&#231;&#245;es de maior complexidade, como necessidade de <em><strong>tratamento intervencionista da dor</strong></em>, d&#250;vidas diagn&#243;sticas ou esquemas terap&#234;uticos complexos.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? 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Na maioria dos casos, o foco n&#227;o &#233; eliminar completamente a <em><strong>dor</strong></em>, mas reduzir seu impacto sobre a <em><strong>funcionalidade</strong></em>, favorecer a participa&#231;&#227;o nas atividades do cotidiano e melhorar a <em><strong>qualidade de vida</strong></em>. Essas metas devem ser definidas de forma compartilhada, respeitando os valores e as prioridades do paciente.</p><p>A educa&#231;&#227;o do paciente &#233; parte essencial desse processo. Compreender os mecanismos da <em><strong>dor</strong></em>, reconhecer fatores que perpetuam os sintomas e entender que a recupera&#231;&#227;o costuma ser gradual favorecem a ades&#227;o ao tratamento. Tamb&#233;m &#233; fundamental abordar condi&#231;&#245;es que amplificam a experi&#234;ncia dolorosa, como <em><strong>ins&#244;nia</strong></em> (tema discutido na <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/p/pilula-paliativa-042">#</a><strong><a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/p/pilula-paliativa-042">PP042 Ins&#244;nia</a></strong>), <em><strong>ansiedade</strong></em>, <em><strong>depress&#227;o</strong></em> e <em><strong>sedentarismo</strong></em>.</p><p>O tratamento da <em><strong>dor</strong></em> deve ser multimodal, combinando diferentes estrat&#233;gias de acordo com os mecanismos envolvidos, os objetivos terap&#234;uticos e as prefer&#234;ncias da pessoa. Medidas n&#227;o farmacol&#243;gicas &#8212; como exerc&#237;cio f&#237;sico, reabilita&#231;&#227;o, interven&#231;&#245;es psicol&#243;gicas e estrat&#233;gias de autocuidado &#8212; constituem a base do manejo e, quando necess&#225;rio, podem ser associadas ao tratamento medicamentoso. A escolha das interven&#231;&#245;es, farmacol&#243;gicas ou n&#227;o, deve ser orientada pelo mecanismo predominante da <em><strong>dor</strong></em>, e n&#227;o apenas pelo diagn&#243;stico da doen&#231;a. Casos selecionados podem se beneficiar de programas estruturados de reabilita&#231;&#227;o ou de <em><strong>tratamento intervencionista da dor</strong></em>. Independentemente da estrat&#233;gia adotada, o plano terap&#234;utico deve ser reavaliado periodicamente, considerando n&#227;o apenas a intensidade da <em><strong>dor</strong></em>, mas tamb&#233;m a evolu&#231;&#227;o da <em><strong>funcionalidade</strong></em>, da <em><strong>qualidade de vida</strong></em>, da ades&#227;o ao tratamento e da ocorr&#234;ncia de <em><strong>efeitos adversos</strong></em>.</p><p>Tratar a <em><strong>dor cr&#244;nica</strong></em> n&#227;o significa apenas escolher o <em><strong>analg&#233;sico</strong></em> mais adequado, mas sim construir um plano terap&#234;utico individualizado, baseado na compreens&#227;o dos mecanismos da <em><strong>dor</strong></em>, nas metas compartilhadas com o paciente e na combina&#231;&#227;o de diferentes estrat&#233;gias de tratamento. Assim, a pergunta deixa de ser &#8220;qual rem&#233;dio devo prescrever?&#8221; e passa a ser &#8220;qual plano terap&#234;utico esta pessoa precisa?&#8221; &#8212; exatamente a perspectiva proposta pelo <em><strong>M&#233;todo Cl&#237;nico Centrado na Pessoa (MCCP)</strong></em>.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!W_R_!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F736f96d4-d193-4b98-9337-ceac8bf7550a_1788x1773.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!W_R_!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F736f96d4-d193-4b98-9337-ceac8bf7550a_1788x1773.png 424w, 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class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image buttonBase-GK1x3M"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption"><strong><span>Figura 1.</span></strong> O tratamento da dor cr&#244;nica n&#227;o-oncol&#243;gica &#233; multimodal. A escolha das interven&#231;&#245;es deve ser individualizada e guiada pelos mecanismos da dor, pelas necessidades da pessoa e pelos objetivos terap&#234;uticos estabelecidos em conjunto.</figcaption></figure></div><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong>Identifique</strong> o mecanismo predominante da <em><strong>dor</strong></em> antes de definir qualquer estrat&#233;gia terap&#234;utica.</p></li><li><p><strong>Avalie</strong> sistematicamente o impacto da <em><strong>dor</strong></em> sobre a <em><strong>funcionalidade</strong></em>, o sono, o humor e a <em><strong>qualidade de vida</strong></em>.</p></li><li><p><strong>Construa</strong> objetivos terap&#234;uticos compartilhados com o paciente, priorizando ganhos funcionais em vez da elimina&#231;&#227;o completa da <em><strong>dor</strong></em>.</p></li><li><p><strong>Reavalie</strong> periodicamente o plano terap&#234;utico e ajuste as interven&#231;&#245;es de acordo com a resposta cl&#237;nica, a ades&#227;o ao tratamento e a ocorr&#234;ncia de <em><strong>efeitos adversos</strong></em>.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; Quando uma pessoa procura atendimento por <em><strong><span>dor cr&#244;nica</span></strong></em>, ela geralmente espera sair da consulta com uma receita. Procure inverter essa l&#243;gica: antes de decidir qual medicamento prescrever, dedique tempo para compreender como a <em><strong><span>dor</span></strong></em> interfere em sua vida e o que ela espera recuperar com o tratamento. O alinhamento de expectativas &#233; fundamental para o sucesso terap&#234;utico &#8212; especialmente para que ele seja um sucesso para quem sente a <em><strong><span>dor</span></strong></em>.</p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>O gloss&#225;rio paliativo traz os principais termos que voc&#234; precisa conhecer em cuidados paliativos. A cada edi&#231;&#227;o da P&#237;lula Paliativa voc&#234; encontrar&#225; neste espa&#231;o os termos citados.</strong></h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://speckled-python-dcf.notion.site/1634cf5e72e98157b580f4e584f8a9dd?pvs=4" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, 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fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Analg&#233;sico: </strong><em>Grupo de medicamentos utilizados para aliviar ou controlar a dor por diferentes mecanismos de a&#231;&#227;o, incluindo a modula&#231;&#227;o da nocicep&#231;&#227;o, da inflama&#231;&#227;o ou do processamento da dor no sistema nervoso.

</em><strong>Ansiedade:</strong><em> Estado afetivo caracterizado por apreens&#227;o, tens&#227;o e antecipa&#231;&#227;o de perigo, com componentes emocionais, f&#237;sicos e cognitivos. Pode ser uma resposta adaptativa a situa&#231;&#245;es de estresse, mas torna-se patol&#243;gica quando &#233; persistente, desproporcional e interfere no funcionamento cotidiano.

</em><strong>Aten&#231;&#227;o Prim&#225;ria &#224; Sa&#250;de (APS): </strong><em>De acordo com o Minist&#233;rio da Sa&#250;de, &#233; o primeiro n&#237;vel de aten&#231;&#227;o em sa&#250;de, caracterizado por um conjunto de a&#231;&#245;es de sa&#250;de, no &#226;mbito individual e coletivo, que abrange a promo&#231;&#227;o e a prote&#231;&#227;o da sa&#250;de, a preven&#231;&#227;o de agravos, o diagn&#243;stico, o tratamento, a reabilita&#231;&#227;o e a redu&#231;&#227;o de danos. Trata-se da principal porta de entrada ao SUS e do centro de comunica&#231;&#227;o entre toda a Rede de Aten&#231;&#227;o &#224; Sa&#250;de. O modelo brasileiro de APS &#233; a Estrat&#233;gia Sa&#250;de da Fam&#237;lia (ESF), organizada a partir de equipes de Sa&#250;de da Fam&#237;lia (eSF) que atuam nas Unidades B&#225;sicas de Sa&#250;de (UBS) nos munic&#237;pios de todo o pa&#237;s.
</em><strong>
Depress&#227;o:</strong><em> Transtorno psiqui&#225;trico caracterizado por humor deprimido e/ou perda de prazer (anedonia) de forma persistente por pelo menos duas semanas.

</em><strong>Dor:</strong><em> De acordo com a Associa&#231;&#227;o Internacional para o Estudo da Dor (IASP), &#233; &#8220;uma experi&#234;ncia sensitiva e emocional desagrad&#225;vel associada a uma les&#227;o tecidual real ou potencial, ou descrita nos termos de tal les&#227;o&#8221;.

</em><strong>Dor cr&#244;nica: </strong><em>Dor que persiste ou recorre por per&#237;odo superior a tr&#234;s meses, podendo manter-se independentemente da les&#227;o inicial e estar associada a altera&#231;&#245;es neurobiol&#243;gicas, emocionais e funcionais.

</em><strong>Dor neurop&#225;tica: </strong><em>Dor causada por les&#227;o ou doen&#231;a do sistema nervoso somatossensorial, caracterizada por sintomas como queima&#231;&#227;o, choque el&#233;trico, formigamento, alod&#237;nia e hiperalgesia.

</em><strong>Dor nociceptiva: </strong><em>Dor resultante da ativa&#231;&#227;o de nociceptores perif&#233;ricos por les&#227;o tecidual real ou potencial, geralmente associada a processos inflamat&#243;rios, mec&#226;nicos ou isqu&#234;micos.

</em><strong>Dor nocipl&#225;stica:</strong><em> Dor decorrente de altera&#231;&#227;o no processamento da nocicep&#231;&#227;o, sem evid&#234;ncia de les&#227;o tecidual suficiente para explicar a dor nem de les&#227;o ou doen&#231;a do sistema nervoso somatossensorial que a justifique.

</em><strong>Efeito adverso: </strong><em>Efeito nocivo e n&#227;o intencional decorrente do uso de um medicamento ou interven&#231;&#227;o em sa&#250;de, que ocorre nas doses habitualmente utilizadas para preven&#231;&#227;o, diagn&#243;stico ou tratamento de doen&#231;as. Diferencia-se do efeito colateral por necessariamente implicar dano ou preju&#237;zo ao paciente.

</em><strong>Funcionalidade: </strong><em>Capacidade de uma pessoa realizar, com ou sem apoio, atividades f&#237;sicas, cognitivas, sociais e afetivas do cotidiano. Em Cuidados Paliativos, &#233; um marcador cl&#237;nico importante para avaliar independ&#234;ncia e orientar o plano de cuidados. Pode ser medida por escalas como o &#205;ndice de Barthel, Escala de Katz e PPS.

</em><strong>Ins&#244;nia: </strong><em>Dist&#250;rbio que compromete a qualidade e/ou a quantidade do sono, com consequente redu&#231;&#227;o da capacidade de realizar as atividades cotidianas.

</em><strong>M&#233;todo Cl&#237;nico Centrado na Pessoa (MCCP): </strong><em>Abordagem do cuidado em sa&#250;de que coloca a pessoa - e n&#227;o apenas sua condi&#231;&#227;o cl&#237;nica - no centro do processo de cuidado. Prop&#245;e que o servi&#231;o de sa&#250;de se ajuste &#224;s necessidades, valores e prefer&#234;ncias do paciente, promovendo uma parceria ativa entre equipe, paciente, familiares e cuidadores. Essa abordagem busca garantir que todos sejam respeitados, bem informados, engajados nas decis&#245;es, apoiados e tratados com dignidade, compaix&#227;o e empatia.

</em><strong>Nocicep&#231;&#227;o: </strong><em>Processo fisiol&#243;gico de detec&#231;&#227;o, transmiss&#227;o e processamento de est&#237;mulos potencialmente lesivos pelo sistema nervoso, podendo ocorrer na aus&#234;ncia da experi&#234;ncia consciente de dor.

</em><strong>Nociceptor: </strong><em>Termina&#231;&#227;o nervosa sensorial especializada na detec&#231;&#227;o de est&#237;mulos potencialmente lesivos, como est&#237;mulos mec&#226;nicos, t&#233;rmicos ou qu&#237;micos, iniciando o processo de nocicep&#231;&#227;o.

</em><strong>OLD CARTS: </strong><em>Mnem&#244;nico cl&#237;nico utilizado para a avalia&#231;&#227;o sistem&#225;tica da dor, permitindo uma abordagem estruturada, reprodut&#237;vel e centrada na viv&#234;ncia do paciente. PQRSTU, SOCRATES e OLD CARTS s&#227;o ferramentas equivalentes para a avalia&#231;&#227;o cl&#237;nica da dor. Cada letra corresponde a uma dimens&#227;o da experi&#234;ncia dolorosa, conforme:
O: Onset (In&#237;cio)
L: Location (Localiza&#231;&#227;o)
D: Duration (Dura&#231;&#227;o)

C: Character (Caracter&#237;stica)
A: Aggravating factors (Fatores de piora)
R: Relieving factors (Fatores de al&#237;vio)
T: Timing (Padr&#227;o temporal)
S: Severity (Intensidade)

</em><strong>PQRSTU: </strong><em>Mnem&#244;nico cl&#237;nico utilizado para a avalia&#231;&#227;o sistem&#225;tica da dor, permitindo uma abordagem estruturada, reprodut&#237;vel e centrada na viv&#234;ncia do paciente. Cada letra corresponde a uma dimens&#227;o da experi&#234;ncia dolorosa, conforme:
P: Provocadores / Paliativos
Q: Qualidade
R: Regi&#227;o / Irradia&#231;&#227;o
S: Severity (Intensidade)
T: Tempo / Dura&#231;&#227;o
U: Understanding (Compreens&#227;o)

</em><strong>Qualidade de vida: </strong><em>De acordo com a Organiza&#231;&#227;o Mundial de Sa&#250;de (OMS) &#233; &#8220;a percep&#231;&#227;o que um indiv&#237;duo tem da sua posi&#231;&#227;o na vida. Esta percep&#231;&#227;o &#233; feita em rela&#231;&#227;o aos seus objetivos, expectativas, padr&#245;es e preocupa&#231;&#245;es, e no contexto da cultura e dos sistemas de valores em que vive.&#8220;

</em><strong>Red flag:</strong><em> Termo em ingl&#234;s equivalente a &#8220;sinal de alarme&#8221;, cuja presen&#231;a sugere gravidade e demanda investiga&#231;&#227;o ou interven&#231;&#227;o imediata.

</em><strong>Sedentarismo: </strong><em>Condi&#231;&#227;o caracterizada pela pr&#225;tica insuficiente de atividade f&#237;sica para atender &#224;s recomenda&#231;&#245;es de sa&#250;de, associada &#224; redu&#231;&#227;o do condicionamento f&#237;sico, perda de funcionalidade e piora de diversos desfechos em sa&#250;de, incluindo a dor cr&#244;nica. Na Escola de Habilidades Paliativas, os termos sedentarismo e inatividade f&#237;sica s&#227;o utilizados de forma intercambi&#225;vel, por n&#227;o haver preju&#237;zo &#224; compreens&#227;o dos conceitos abordados.

</em><strong>Sistema nervoso somatossensorial: </strong><em>Sistema respons&#225;vel pela percep&#231;&#227;o de est&#237;mulos como dor, tato, temperatura, press&#227;o e propriocep&#231;&#227;o, envolvendo vias perif&#233;ricas e centrais.

</em><strong>SOCRATES: </strong><em>Mnem&#244;nico cl&#237;nico utilizado para a avalia&#231;&#227;o sistem&#225;tica da dor, permitindo uma abordagem estruturada, reprodut&#237;vel e centrada na viv&#234;ncia do paciente. PQRSTU, SOCRATES e OLD CARTS s&#227;o ferramentas equivalentes para a avalia&#231;&#227;o cl&#237;nica da dor. Cada letra corresponde a uma dimens&#227;o da experi&#234;ncia dolorosa, conforme:
S: Site (Localiza&#231;&#227;o)
O: Onset (In&#237;cio)
C: Character (Caracter&#237;stica)
R: Radiation (Irradia&#231;&#227;o)
A: Associated symptoms (Sintomas associados)
T: Time course (Evolu&#231;&#227;o temporal)
E: Exacerbating / Relieving factors (Fatores de piora e al&#237;vio)
S: Severity (Intensidade)

</em><strong>Tratamento intervencionista da dor: </strong><em>Conjunto de procedimentos minimamente invasivos, guiados por conhecimento anat&#244;mico ou m&#233;todos de imagem, destinados ao diagn&#243;stico ou tratamento da dor por meio da administra&#231;&#227;o de medicamentos, bloqueios nervosos, neuromodula&#231;&#227;o ou outras t&#233;cnicas.</em></pre></div><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Raja SN, Carr DB, Cohen M, et al. The revised International Association for the Study of Pain definition of pain: concepts, challenges, and compromises. Pain. 2020;161(9):1976-1982.</p></li><li><p>Fallon M, Bennett MI, Kaasa S, eds. Oxford Textbook of Palliative Medicine. 6th ed. Oxford: Oxford University Press; 2024.</p></li><li><p>Darnall BD, Hooten WM. Evaluation of chronic non-cancer pain in adults. In: UpToDate. Waltham, MA: UpToDate. Acesso em: jul. 2026.</p></li><li><p>Hooten WM, Darnall BD. Approach to the management of chronic non-cancer pain in adults. In: UpToDate. Waltham, MA: UpToDate. Acesso em: jul. 2026.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #074]]></title><description><![CDATA[Delirium]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-074</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-074</guid><pubDate>Wed, 24 Jun 2026 12:01:53 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/4cd07ba6-2fee-467d-b446-b28189122227_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Categorias</strong>: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-fim-de-vida">Manejo de fim de vida</a>,  <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-sintomas">Manejo de sintomas</a>
<strong>Autor(a)</strong>: Juliana Martins, m&#233;dica cl&#237;nica e paliativista
<strong>Publicado em</strong>: 24/06/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>O <em><strong>delirium</strong></em> &#233; a complica&#231;&#227;o neuropsiqui&#225;trica mais frequente em pacientes com <em><strong>doen&#231;as amea&#231;adoras &#224; vida</strong></em> e uma das s&#237;ndromes mais subdiagnosticadas na pr&#225;tica cl&#237;nica. Em pacientes acompanhados por equipes de <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>, sua preval&#234;ncia aumenta progressivamente &#224; medida que se aproxima a morte, podendo acometer a maioria dos pacientes nas &#250;ltimas horas ou dias de vida.</p><p>Apesar de frequente, o <em><strong>delirium</strong></em> continua sendo confundido com <em><strong>depress&#227;o</strong></em>, <em><strong>dem&#234;ncia</strong></em>, <em><strong>ansiedade</strong></em>, <em><strong>fadiga</strong></em> ou, simplesmente, com parte esperada da <em><strong>terminalidade</strong></em>. Reconhec&#234;-lo precocemente &#233; importante n&#227;o apenas pela possibilidade de revers&#227;o em alguns casos, mas tamb&#233;m pelo impacto que tem no <em><strong>sofrimento</strong></em> do paciente, da fam&#237;lia e da equipe assistencial. Nesta <em><strong>#PP</strong></em>, discutiremos os principais desafios relacionados ao seu reconhecimento, &#224; investiga&#231;&#227;o de suas causas e ao manejo dessa s&#237;ndrome em pacientes com <em><strong>doen&#231;as amea&#231;adoras &#224; vida</strong></em>.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? Subscreva seu e-mail gratuitamente para receber novos conte&#250;dos toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>O que &#233;<em> delirium</em>?</h4><p>O <em><strong>delirium</strong></em> &#233; uma s&#237;ndrome caracterizada por altera&#231;&#227;o aguda e flutuante da aten&#231;&#227;o e da consci&#234;ncia, acompanhada de comprometimento cognitivo. O d&#233;ficit de aten&#231;&#227;o &#233; considerado sua caracter&#237;stica central.</p><p>Na pr&#225;tica, o <em><strong>delirium</strong></em> pode ser entendido como uma forma de fal&#234;ncia cerebral aguda desencadeada por uma ou mais condi&#231;&#245;es cl&#237;nicas subjacentes. Al&#233;m das altera&#231;&#245;es cognitivas, os pacientes podem apresentar desorienta&#231;&#227;o, altera&#231;&#245;es do ciclo sono-vig&#237;lia, pensamento desorganizado, ilus&#245;es, alucina&#231;&#245;es e mudan&#231;as comportamentais. Como seus sintomas costumam oscilar ao longo do dia, n&#227;o &#233; incomum que per&#237;odos de aparente <em><strong>lucidez</strong></em> alternem-se com momentos de confus&#227;o, dificultando seu reconhecimento.</p><p>Assim como a insufici&#234;ncia respirat&#243;ria sinaliza fal&#234;ncia pulmonar ou a insufici&#234;ncia renal sinaliza fal&#234;ncia dos rins, o <em><strong>delirium</strong></em> deve ser encarado como um marcador de gravidade cl&#237;nica. Sua presen&#231;a est&#225; associada a maior morbidade, maior mortalidade e pior <em><strong>progn&#243;stico</strong></em>, especialmente em pacientes com <em><strong>doen&#231;as amea&#231;adoras &#224; vida</strong></em>. Em <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>, sua ocorr&#234;ncia frequentemente acompanha a progress&#227;o da doen&#231;a e pode representar um sinal de proximidade da morte.</p><div><hr></div><h4>Identificando o <em>delirium</em></h4><p>O reconhecimento do <em><strong>delirium</strong></em> exige vigil&#226;ncia ativa. Como os pacientes raramente conseguem relatar espontaneamente seus sintomas, observar mudan&#231;as agudas no padr&#227;o de aten&#231;&#227;o, intera&#231;&#227;o, n&#237;vel de consci&#234;ncia ou comportamento costuma ser mais &#250;til do que esperar por uma queixa espec&#237;fica. Por isso, recomenda-se que pacientes com doen&#231;as avan&#231;adas sejam avaliados rotineiramente quanto &#224; presen&#231;a dessa s&#237;ndrome.</p><p>Embora muitas pessoas associem o <em><strong>delirium</strong></em> &#224; agita&#231;&#227;o intensa, o subtipo mais frequente em <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> &#233; o <em><strong>delirium</strong></em> hipoativo. Nesses casos, o paciente apresenta sonol&#234;ncia, lentifica&#231;&#227;o psicomotora, apatia, redu&#231;&#227;o da intera&#231;&#227;o e diminui&#231;&#227;o da responsividade. Por ser silencioso, esse subtipo frequentemente passa despercebido ou &#233; confundido com <em><strong>depress&#227;o</strong></em>, <em><strong>fadiga</strong></em> ou evolu&#231;&#227;o natural da doen&#231;a.</p><p>O diagn&#243;stico do <em><strong>delirium</strong></em> &#233; cl&#237;nico, mas instrumentos de rastreio podem auxiliar sua identifica&#231;&#227;o, especialmente por profissionais menos familiarizados com a s&#237;ndrome. Ferramentas como o <em><strong>Confusion Assessment Method (CAM</strong></em><strong>)</strong> avaliam caracter&#237;sticas centrais do quadro, como in&#237;cio agudo, curso flutuante, d&#233;ficit de aten&#231;&#227;o e altera&#231;&#245;es do pensamento ou do n&#237;vel de consci&#234;ncia. Independentemente da ferramenta utilizada, o mais importante &#233; incorporar a avalia&#231;&#227;o sistem&#225;tica do estado mental &#224; rotina assistencial, particularmente diante de mudan&#231;as agudas de comportamento ou cogni&#231;&#227;o.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? 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Revis&#245;es peri&#243;dicas da prescri&#231;&#227;o medicamentosa, controle adequado da <em><strong>dor</strong></em>, corre&#231;&#227;o de dist&#250;rbios metab&#243;licos, tratamento da <em><strong>constipa&#231;&#227;o</strong></em> (veja mais sobre esse tema na <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/p/pilula-paliativa-034">#PP034 Constipa&#231;&#227;o</a>) e da reten&#231;&#227;o urin&#225;ria, al&#233;m da manuten&#231;&#227;o de hidrata&#231;&#227;o adequada, podem contribuir para reduzir o risco de <em><strong>delirium</strong></em>.</p><p>Medidas n&#227;o farmacol&#243;gicas tamb&#233;m desempenham papel importante. Ambientes tranquilos, preserva&#231;&#227;o do ciclo sono-vig&#237;lia, presen&#231;a de familiares, uso de &#243;culos ou aparelhos auditivos quando necess&#225;rios, manuten&#231;&#227;o da mobilidade e da <em><strong>funcionalidade</strong></em> sempre que poss&#237;vel e estrat&#233;gias de reorienta&#231;&#227;o frequente ajudam a manter a conex&#227;o do paciente com o ambiente. Entre essas estrat&#233;gias, destacam-se informar regularmente a data e o hor&#225;rio e favorecer a entrada de luz natural nos ambientes. Embora as evid&#234;ncias espec&#237;ficas em <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> ainda sejam limitadas, essas interven&#231;&#245;es apresentam baixo risco e potencial benef&#237;cio, al&#233;m de demonstrarem resultados positivos em outras popula&#231;&#245;es.</p><div><hr></div><h4>Como manejar o <em>delirium?</em></h4><p>Uma vez identificado o <em><strong>delirium</strong></em>, o objetivo deve ser, quando poss&#237;vel, tratar a causa base e sempre reduzir o <em><strong>sofrimento</strong></em> associado &#224; s&#237;ndrome, com a inten&#231;&#227;o de preservar a seguran&#231;a e a capacidade de intera&#231;&#227;o do paciente. Para isso, medidas n&#227;o farmacol&#243;gicas continuam sendo fundamentais: ambientes tranquilos, reorienta&#231;&#227;o frequente, presen&#231;a de pessoas familiares e corre&#231;&#227;o de fatores agravantes podem reduzir a intensidade dos sintomas e o desconforto relacionado ao quadro.</p><p>Apesar do uso disseminado de <em><strong>antipsic&#243;ticos</strong></em> na pr&#225;tica cl&#237;nica, as evid&#234;ncias que sustentam seu benef&#237;cio para o tratamento do <em><strong>delirium</strong></em> permanecem limitadas. De forma geral, esses medicamentos n&#227;o devem ser utilizados com o objetivo de &#8220;tratar o <em><strong>delirium</strong></em>&#8220;, mas podem ser considerados para controle de sintomas espec&#237;ficos, especialmente quando h&#225; alucina&#231;&#245;es, <em><strong>del&#237;rios</strong></em> ou agita&#231;&#227;o associados a <em><strong>sofrimento</strong></em> significativo ou risco para o paciente e para terceiros.</p><p>Al&#233;m do impacto sobre o paciente, o <em><strong>delirium</strong></em> costuma ser extremamente angustiante para familiares e profissionais de sa&#250;de. Explicar a natureza da s&#237;ndrome, alinhar expectativas e oferecer suporte emocional s&#227;o interven&#231;&#245;es t&#227;o importantes quanto qualquer tratamento farmacol&#243;gico. Nos casos de <em><strong>delirium refrat&#225;rio</strong></em> associado a sofrimento intoler&#225;vel, particularmente nas fases finais da vida, a <em><strong>seda&#231;&#227;o paliativa</strong></em> pode ser considerada como estrat&#233;gia terap&#234;utica proporcional e eticamente adequada &#8212; veja mais sobre esse tema na <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/p/pilula-paliativa-051">PP051 Seda&#231;&#227;o paliativa</a>.</p><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong>Suspeite</strong> de <em><strong>delirium</strong></em> diante de qualquer mudan&#231;a aguda ou flutuante do comportamento, da aten&#231;&#227;o ou do n&#237;vel de consci&#234;ncia.</p></li><li><p><strong>Revise</strong> regularmente medicamentos e outros fatores potencialmente precipitantes.</p></li><li><p><strong>Implemente</strong> medidas n&#227;o farmacol&#243;gicas de preven&#231;&#227;o e manejo, como reorienta&#231;&#227;o frequente, preserva&#231;&#227;o do sono e manuten&#231;&#227;o da <em><strong>funcionalidade</strong></em>.</p></li><li><p><strong>Explique</strong> &#224; fam&#237;lia a natureza da s&#237;ndrome e alinhe expectativas quanto &#224;s possibilidades de revers&#227;o e aos objetivos do tratamento.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; Uma das perguntas mais importantes diante de um epis&#243;dio de <em><strong><span>delirium</span></strong></em> n&#227;o &#233; apenas "o que est&#225; causando isso?", mas tamb&#233;m "o que ganhar&#237;amos se consegu&#237;ssemos revert&#234;-lo?". Em alguns pacientes, a revers&#227;o pode significar recuperar a capacidade de se comunicar, participar de decis&#245;es ou interagir com pessoas importantes. Em outros, especialmente na proximidade da morte, interven&#231;&#245;es agressivas podem trazer mais &#244;nus do que benef&#237;cio. Avaliar o potencial de revers&#227;o &#224; luz dos <em><strong><span>objetivos do cuidado</span></strong></em> ajuda a equilibrar investiga&#231;&#227;o, tratamento e conforto.</p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>O gloss&#225;rio paliativo traz os principais termos que voc&#234; precisa conhecer em cuidados paliativos. A cada edi&#231;&#227;o da P&#237;lula Paliativa voc&#234; encontrar&#225; neste espa&#231;o os termos citados.</strong></h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/?utm_source=pilula" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, 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Pode ser uma resposta adaptativa a situa&#231;&#245;es de estresse, mas torna-se patol&#243;gica quando &#233; persistente, desproporcional e interfere no funcionamento cotidiano.

</em><strong>Antipsic&#243;tico:</strong><em> Grupo de medicamentos utilizados principalmente no tratamento de sintomas psic&#243;ticos, como del&#237;rios e alucina&#231;&#245;es. Tamb&#233;m podem ser empregados no manejo de n&#225;useas, delirium, agita&#231;&#227;o, ansiedade e outros sintomas, dependendo de suas propriedades farmacol&#243;gicas.

</em><strong>Confusion Assessment Method (CAM): </strong><em>Instrumento cl&#237;nico de rastreio desenvolvido em 1990 por Dra. Sharon Inouye e colegas para auxiliar a identifica&#231;&#227;o do delirium. Baseia-se na avalia&#231;&#227;o de quatro caracter&#237;sticas: in&#237;cio agudo e curso flutuante, d&#233;ficit de aten&#231;&#227;o, pensamento desorganizado e altera&#231;&#227;o do n&#237;vel de consci&#234;ncia.

</em><strong>Constipa&#231;&#227;o: </strong><em>Evacua&#231;&#227;o infrequente (menos de tr&#234;s vezes por semana), com esfor&#231;o excessivo, fezes endurecidas ou sensa&#231;&#227;o de esvaziamento incompleto.

</em><strong>Del&#237;rio:</strong><em> Condi&#231;&#227;o na qual h&#225; altera&#231;&#227;o do ju&#237;zo de realidade proveniente de um pensamento patol&#243;gico, por&#233;m a lucidez da consci&#234;ncia, aten&#231;&#227;o e mem&#243;ria permanecem preservadas. Geralmente associado a patologias psiqui&#225;tricas.

</em><strong>Delirium: </strong><em>Dist&#250;rbio agudo, transit&#243;rio e geralmente revers&#237;vel, caracterizado pela altera&#231;&#227;o flutuante da aten&#231;&#227;o, da cogni&#231;&#227;o e do n&#237;vel de consci&#234;ncia. Geralmente, secund&#225;rio &#224; doen&#231;a org&#226;nica, representando uma disfun&#231;&#227;o neurol&#243;gica associada.

</em><strong>Dem&#234;ncia: </strong><em>S&#237;ndrome caracterizada por decl&#237;nio progressivo de uma ou mais fun&#231;&#245;es cognitivas, como mem&#243;ria, linguagem, aten&#231;&#227;o, fun&#231;&#245;es executivas ou habilidades visuoespaciais, em intensidade suficiente para comprometer a funcionalidade e a independ&#234;ncia do indiv&#237;duo.

</em><strong>Depress&#227;o: </strong><em>Transtorno psiqui&#225;trico caracterizado por humor deprimido e/ou perda de prazer (anedonia) de forma persistente por pelo menos duas semanas.

</em><strong>Doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida: </strong><em>Condi&#231;&#227;o de sa&#250;de de qualquer etiologia, ativa, grave, progressiva e que causa sofrimento multidimensional ao paciente, seus familiares e cuidadores.

</em><strong>Dor: </strong><em>De acordo com a Associa&#231;&#227;o Internacional para o Estudo da Dor (IASP), &#233; &#8220;uma experi&#234;ncia sensitiva e emocional desagrad&#225;vel associada a uma les&#227;o tecidual real ou potencial, ou descrita nos termos de tal les&#227;o&#8221;.

</em><strong>Fadiga: </strong><em>Sensa&#231;&#227;o subjetiva e persistente de cansa&#231;o, que pode ser f&#237;sica, emocional e/ou cognitiva. Caracteriza-se por ser desproporcional ao esfor&#231;o realizado, n&#227;o melhorar com repouso ou sono e interferir negativamente nas atividades da vida cotidiana.

</em><strong>Funcionalidade:</strong><em> Capacidade de uma pessoa realizar, com ou sem apoio, atividades f&#237;sicas, cognitivas, sociais e afetivas do cotidiano. Em Cuidados Paliativos, &#233; um marcador cl&#237;nico importante para avaliar independ&#234;ncia e orientar o plano de cuidados. Pode ser medida por escalas como o &#205;ndice de Barthel, Escala de Katz e PPS.

</em><strong>Lucidez: </strong><em>Estado de consci&#234;ncia em que o indiv&#237;duo demonstra percep&#231;&#227;o adequada da realidade externa e interna, com capacidade de compreender o que ocorre ao seu redor e responder de forma volunt&#225;ria, coerente e consciente aos est&#237;mulos. No contexto cl&#237;nico, &#233; frequentemente utilizado no exame do estado mental, por exemplo: *&#8220;paciente l&#250;cido e orientado no tempo e no espa&#231;o&#8221;*.

</em><strong>Objetivo do cuidado: </strong><em>Objetivo a ser alcan&#231;ado com o tratamento, definido com base nos valores e prefer&#234;ncias do paciente por meio de um processo de tomada de decis&#227;o compartilhada. Exemplos de objetivos do cuidado incluem: "cura da doen&#231;a", "prolongamento da vida a qualquer custo", "manuten&#231;&#227;o ou melhoria da funcionalidade", "prolongamento da vida sem medidas que causem sofrimento", "promo&#231;&#227;o da qualidade de vida" e "uma boa morte".

</em><strong>Progn&#243;stico: </strong><em>Previs&#227;o do curso ou do resultado prov&#225;vel de uma doen&#231;a, condi&#231;&#227;o ou tratamento, que estima a trajet&#243;ria futura da sa&#250;de de um indiv&#237;duo, com espectro amplo, n&#227;o limitado &#224; estimativa de sobrevida.

</em><strong>Seda&#231;&#227;o paliativa:</strong><em> Redu&#231;&#227;o intencional e monitorada do n&#237;vel de consci&#234;ncia de paciente com doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida em vig&#234;ncia de sintoma refrat&#225;rio, seja ele f&#237;sico, psicoemocional ou existencial.

</em><strong>Sofrimento: </strong><em>Experi&#234;ncia repulsiva e sua emo&#231;&#227;o negativa correspondente. Pode ser de natureza f&#237;sica, psicoemocional, social e/ou espiritual.

</em><strong>Terminalidade: </strong><em>Termo que define o &#250;ltimo per&#237;odo da vida e fase mais avan&#231;ada de uma doen&#231;a, em que a sa&#250;de n&#227;o pode ser recuperada. &#201; marcado especialmente pelo decl&#237;nio funcional do paciente e pela incurabilidade da doen&#231;a. Na literatura, est&#225; associado aos 6 &#250;ltimos meses de vida, embora cada vez mais seja entendido n&#227;o como um marcador de tempo, mas de estado de sa&#250;de. A maior parte da literatura considera terminalidade como sin&#244;nimo de fim de vida, embora algumas correntes fa&#231;am distin&#231;&#227;o entre esses dois termos. Na Escola de Habilidades Paliativas, esses termos s&#227;o utilizados como sin&#244;nimos.</em></pre></div><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Bush SH, Tierney S, Lawlor PG. Clinical Assessment and Management of Delirium in the Palliative Care Setting. <em>Drugs</em>. 2017;77(15):1623-1643.</p></li><li><p>Portela MA, Millinger M, Fellinger M, et al. Delirium in Palliative Care. <em>Cancers (Basel)</em>. 2021;13(23):5893.</p></li><li><p>Bramati P, Bruera E. Delirium. In: Cherny NI, Fallon MT, Kaasa S, Portenoy RK, Currow DC, eds. <em>Oxford Textbook of Palliative Medicine</em>. 6th ed. Oxford University Press; 2021.</p></li><li><p>Rosen JH, Bieber E, Matta SE, Sayde GE, Fedotova NO, deVries J, et al. Hypoactive Delirium: Differential Diagnosis, Evaluation, and Treatment. <em>Prim Care Companion CNS Disord</em>. 2024;26(1):23f03602.</p></li><li><p>Inouye SK, van Dyck CH, Alessi CA, Balkin S, Siegal AP, Horwitz RI. Clarifying confusion: The Confusion Assessment Method. A new method for detection of delirium. <em>Ann Intern Med</em>. 1990;113(12):941-948.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #073]]></title><description><![CDATA[Rituais de despedida]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-073</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-073</guid><pubDate>Wed, 17 Jun 2026 12:01:51 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e2d42166-19c7-473a-9993-9f990a6685d7_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Categorias</strong>: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-fim-de-vida">Manejo de fim de vida</a>,  <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/educacao-para-a-morte">Educa&#231;&#227;o para a morte</a>
<strong>Autor(a)</strong>: Juliana Martins, m&#233;dica cl&#237;nica e paliativista
<strong>Publicado em</strong>: 17/06/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>Nas &#250;ltimas d&#233;cadas, a morte tornou-se cada vez mais institucionalizada. Muitas pessoas morrem em hospitais ou institui&#231;&#245;es de sa&#250;de, distantes dos costumes, objetos, pessoas e pr&#225;ticas que marcaram suas vidas e cercadas por limita&#231;&#245;es impostas pela rotina assistencial. Nesse contexto, os momentos finais podem parecer dominados por procedimentos cl&#237;nicos e pessoas desconhecidas, enquanto aspectos simb&#243;licos da despedida acabam negligenciados.</p><p>Os <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> reconhecem que o <em><strong>sofrimento</strong></em> humano transcende a dimens&#227;o f&#237;sica. Diante da proximidade da morte, pacientes e fam&#237;lias frequentemente buscam formas de expressar amor, gratid&#227;o, pertencimento e significado. &#201; nesse cen&#225;rio que os <em><strong>rituais de despedida</strong></em> assumem papel relevante, ajudando pacientes e fam&#237;lias a atribuir sentido &#224; experi&#234;ncia do morrer. Nesta <em><strong>#PP</strong></em>, discutiremos seu papel e suas poss&#237;veis aplica&#231;&#245;es no contexto dos <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? Subscreva seu e-mail gratuitamente para receber novos conte&#250;dos toda semana.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h4>O que &#233; um ritual de despedida?</h4><p>Um <em><strong>ritual de despedida</strong></em> pode ser entendido como uma a&#231;&#227;o ou sequ&#234;ncia de a&#231;&#245;es realizadas de forma intencional para marcar uma transi&#231;&#227;o significativa da vida. Mais do que um conjunto de gestos, trata-se de uma experi&#234;ncia carregada de simbolismo, por meio da qual pessoas expressam valores, afetos, cren&#231;as e significados que nem sempre conseguem ser traduzidos em palavras.</p><p>Quando se fala em ritual, muitas pessoas pensam imediatamente em cerim&#244;nias religiosas. Entretanto, um ritual n&#227;o precisa ser religioso: o que o caracteriza n&#227;o &#233; sua vincula&#231;&#227;o a uma tradi&#231;&#227;o espec&#237;fica, mas o significado atribu&#237;do a ele por quem participa. Essa compreens&#227;o dialoga com discuss&#245;es apresentadas em nossa <em><strong><a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/p/pilula-paliativa-048">#PP048 Capelania laica</a></strong></em>, que explora formas de acolher necessidades de significado, conex&#227;o e transcend&#234;ncia independentemente de filia&#231;&#227;o religiosa. Assim, ouvir uma m&#250;sica especial, compartilhar uma refei&#231;&#227;o favorita, escrever cartas, reunir familiares para contar hist&#243;rias, realizar uma ora&#231;&#227;o ou simplesmente permanecer ao redor do leito em sil&#234;ncio podem assumir car&#225;ter ritual&#237;stico.</p><p>No contexto do <em><strong>fim de vida</strong></em>, os rituais ajudam a transformar uma experi&#234;ncia potencialmente marcada por medo, incerteza e <em><strong>sofrimento</strong></em> em uma viv&#234;ncia compartilhada e coerente com os valores da pessoa. Eles favorecem a express&#227;o de emo&#231;&#245;es, o fortalecimento de v&#237;nculos, a aproxima&#231;&#227;o do paciente de suas pessoas queridas e oferecem uma forma de elaborar e enfrentar a realidade da morte que se aproxima.</p><div><hr></div><h4>Rituais antes e depois da morte</h4><p>Os <em><strong>rituais de despedida</strong></em> podem ocorrer tanto antes quanto depois da morte. Embora frequentemente associados a vel&#243;rios, cerim&#244;nias religiosas e homenagens p&#243;stumas, eles tamb&#233;m podem ser vivenciados durante o <em><strong>fim de vida</strong></em>, quando pacientes e fam&#237;lias reconhecem a proximidade da morte e buscam formas de expressar afeto, gratid&#227;o, pertencimento e significado.</p><p>Alguns autores prop&#245;em que esses rituais podem assumir diferentes fun&#231;&#245;es. H&#225; rituais voltados &#224; homenagem, que celebram a hist&#243;ria, os valores e o <em><strong>legado</strong></em> da pessoa; rituais de despedida propriamente dita, que ajudam a reconhecer a separa&#231;&#227;o e expressar sentimentos relacionados &#224; perda; e rituais de transforma&#231;&#227;o, que auxiliam indiv&#237;duos e fam&#237;lias a incorporar a experi&#234;ncia da morte &#224; pr&#243;pria trajet&#243;ria de vida.</p><p>Antes da morte, essas diferentes fun&#231;&#245;es podem se manifestar por meio de conversas sobre mem&#243;rias, celebra&#231;&#245;es familiares, trocas de cartas, momentos de agradecimento ou reconcilia&#231;&#227;o. Ap&#243;s a morte, podem incluir vel&#243;rios, homenagens, encontros memoriais ou outras pr&#225;ticas que permitam aos familiares reconhecer a perda e encontrar formas de seguir adiante sem romper os v&#237;nculos afetivos constru&#237;dos ao longo da vida.</p><p>Embora ocorram em momentos distintos e assumam diferentes fun&#231;&#245;es, esses rituais respondem a necessidades humanas semelhantes. Eles ajudam a organizar emo&#231;&#245;es, fortalecem v&#237;nculos, favorecem a express&#227;o de sentimentos dif&#237;ceis e oferecem uma estrutura simb&#243;lica para experi&#234;ncias que frequentemente desafiam as palavras. Dessa forma, contribuem para que a despedida &#8212; antes ou depois da morte &#8212; seja vivida de maneira menos solit&#225;ria e mais coerente com os valores das pessoas envolvidas.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Ainda n&#227;o &#233; assinante? 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Ao reconhecer o valor dessas experi&#234;ncias, a equipe ajuda pacientes e fam&#237;lias a encontrarem significado, conex&#227;o e conforto em um momento de grande <em><strong>vulnerabilidade</strong></em>.</p><p>Mas os rituais n&#227;o beneficiam apenas pacientes e familiares. Eles tamb&#233;m podem desempenhar um papel importante para os pr&#243;prios profissionais de sa&#250;de. Muitas vezes, os v&#237;nculos constru&#237;dos ao longo do cuidado fazem com que cada morte represente tamb&#233;m a despedida de uma hist&#243;ria compartilhada entre paciente, fam&#237;lia e equipe.</p><p>Apesar disso, a rotina assistencial raramente oferece espa&#231;o para reconhecer essas perdas. Muitas vezes, ap&#243;s um &#243;bito, a equipe precisa seguir imediatamente para o pr&#243;ximo atendimento, sem oportunidade para elaborar emo&#231;&#245;es, compartilhar significados ou reconhecer o impacto daquela morte em seu trabalho.</p><p>Nesse contexto, surgiram iniciativas como o <em>The Pause</em>, uma interven&#231;&#227;o simples na qual os profissionais realizam um breve momento de sil&#234;ncio ap&#243;s a morte de um paciente. Estudos sugerem que pr&#225;ticas como essa favorecem o processamento do <em><strong>luto</strong></em>, fortalecem a coes&#227;o da equipe, promovem resili&#234;ncia e podem contribuir para a redu&#231;&#227;o do <em><strong>burnout</strong></em> e do <em><strong>sofrimento moral</strong></em>.</p><p>Al&#233;m de homenagearem o paciente, esses rituais oferecem &#224; equipe a oportunidade de reconhecer a perda, compartilhar significados e cuidar de si mesma diante das exig&#234;ncias emocionais do trabalho.</p><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong>Investigue</strong> quais pr&#225;ticas, costumes ou s&#237;mbolos t&#234;m significado para o paciente e sua fam&#237;lia.</p></li><li><p><strong>Facilite</strong> momentos de despedida compat&#237;veis com os valores e desejos das pessoas envolvidas.</p></li><li><p><strong>Legitime</strong> manifesta&#231;&#245;es de afeto, espiritualidade e mem&#243;ria, mesmo quando ocorram fora de tradi&#231;&#245;es formais.</p></li><li><p><strong>Inclua</strong> a equipe no cuidado das perdas, reconhecendo que quem cuida tamb&#233;m pode precisar de espa&#231;os de despedida.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; Ao longo da minha trajet&#243;ria, percebi que tamb&#233;m preciso dos meus pr&#243;prios rituais de despedida. Durante algum tempo, escrevia em um caderno alguma caracter&#237;stica ou hist&#243;ria marcante dos pacientes que faleciam. Quando acompanho algu&#233;m em domic&#237;lio, costumo visitar a fam&#237;lia para um caf&#233; e uma conversa de encerramento. No hospital, se a fam&#237;lia concorda, procuro entrar no quarto uma &#250;ltima vez e segurar a m&#227;o do paciente ap&#243;s sua morte. N&#227;o existe uma forma certa de fazer isso. O que aprendi &#233; que esses pequenos gestos me ajudam a reconhecer uma perda que poderia passar despercebida em meio &#224; rotina. Sempre me fa&#231;o a mesma pergunta: como vou lembrar que essa pessoa, que dividiu sua hist&#243;ria comigo, n&#227;o est&#225; mais aqui? Talvez buscar essa resposta seja tamb&#233;m uma forma de cuidar de quem cuida.</p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>O gloss&#225;rio paliativo traz os principais termos que voc&#234; precisa conhecer em cuidados paliativos. A cada edi&#231;&#227;o da P&#237;lula Paliativa voc&#234; encontrar&#225; neste espa&#231;o os termos citados.</strong></h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://fernandatourinho.com.br/glossario/?utm_source=pilula" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, 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fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Burnout: </strong><em>S&#237;ndrome ocupacional resultante do estresse cr&#244;nico relacionado ao trabalho, caracterizada por exaust&#227;o emocional, distanciamento afetivo das atividades profissionais e redu&#231;&#227;o da sensa&#231;&#227;o de realiza&#231;&#227;o pessoal.

</em><strong>Fim de vida: </strong><em>Termo que define o &#250;ltimo per&#237;odo da vida e fase mais avan&#231;ada de uma doen&#231;a, em que a sa&#250;de n&#227;o pode ser recuperada. &#201; marcado especialmente pelo decl&#237;nio funcional do paciente e pela incurabilidade da doen&#231;a. Na literatura est&#225; associado aos 6 &#250;ltimos meses de vida, embora cada vez mais seja entendido n&#227;o como um marcador de tempo, mas de estado de sa&#250;de. Alguns locais utilizam este termo como um per&#237;odo de dias a semanas que antecede a morte. Na Escola de Habilidades Paliativas, utilizamos como sin&#244;nimo de terminalidade, conforme &#233; mais frequente na literatura.

</em><strong>Legado:</strong><em> Conjunto de valores, mem&#243;rias, ensinamentos, hist&#243;rias, bens materiais ou elementos simb&#243;licos que uma pessoa transmite e deixa para outras ap&#243;s sua morte. Em Cuidados Paliativos, o legado frequentemente est&#225; relacionado ao desejo de preservar significado, identidade e v&#237;nculos para as gera&#231;&#245;es futuras.

</em><strong>Luto:</strong><em><strong> </strong>Viv&#234;ncia natural diante de uma perda de um v&#237;nculo significativo, seja ou n&#227;o por morte. &#201; uma resposta multidimensional, com manifesta&#231;&#245;es emocionais, f&#237;sicas, sociais, espirituais e comportamentais. Em ingl&#234;s, tr&#234;s termos distintos costumam ser traduzidos como luto:
1. Bereavement &#8211; estado objetivo de perda, decorrente de um v&#237;nculo rompido. 2. Grief &#8211; resposta emocional e multidimensional &#224; perda. 3. Mourning &#8211; express&#227;o p&#250;blica do luto, mediada por rituais, normas culturais ou pr&#225;ticas espirituais. Em portugu&#234;s, luto pode abranger os tr&#234;s sentidos, o que exige aten&#231;&#227;o &#224; polissemia em contextos cl&#237;nicos, acad&#234;micos e culturais.

</em><strong>Luto complicado: </strong><em>Termo cl&#237;nico utilizado para descrever uma viv&#234;ncia de luto marcada por sofrimento persistente, desorganiza&#231;&#227;o emocional e dificuldade de retomada&nbsp;das atividades da vida com a qualidade anterior&nbsp;ap&#243;s o rompimento de um v&#237;nculo significativo. Pode envolver isolamento, somatiza&#231;&#245;es, sentimentos intensos e duradouros, sintomas depressivos, baixa autoestima e maior vulnerabilidade emocional. Diferencia-se do&nbsp;transtorno do luto prolongado&nbsp;por n&#227;o corresponder necessariamente a uma categoria diagn&#243;stica formal &#250;nica.

</em><strong>Ritual de despedida: </strong><em>A&#231;&#227;o individual ou coletiva, formal ou informal, realizada com significado simb&#243;lico para expressar v&#237;nculos, valores, cren&#231;as ou afetos diante da morte e da perda.

</em><strong>Sofrimento: </strong><em>Experi&#234;ncia repulsiva e sua emo&#231;&#227;o negativa correspondente. Pode ser de natureza f&#237;sica, psicoemocional, social e/ou espiritual.

</em><strong>Sofrimento moral: </strong><em>Sofrimento psicol&#243;gico experimentado quando uma pessoa percebe que n&#227;o pode agir de acordo com seus pr&#243;prios valores &#233;ticos. Em profissionais de sa&#250;de, manifesta-se frequentemente como ang&#250;stia diante da sensa&#231;&#227;o de estar oferecendo um cuidado inadequado, incoerente com o que considera ser moralmente correto. Pode ter como causa obst&#225;culos institucionais &#8212; como escassez de recursos, sobrecarga de trabalho ou pol&#237;ticas restritivas &#8212;, mas tamb&#233;m pode surgir em contextos de dilemas &#233;ticos, quando h&#225; mais de uma op&#231;&#227;o poss&#237;vel e valores em conflito, sem uma resposta claramente certa ou errada.

</em><strong>Vulnerabilidade:</strong><em> Condi&#231;&#227;o de maior suscetibilidade a danos, sofrimento ou desfechos desfavor&#225;veis, decorrente da intera&#231;&#227;o de fatores biol&#243;gicos, psicol&#243;gicos, sociais, econ&#244;micos, culturais ou ambientais. Pode reduzir a capacidade de enfrentar adversidades e aumentar a necessidade de apoio e prote&#231;&#227;o.</em></pre></div><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Castle J, Phillips WL. Grief rituals: Aspects that facilitate adjustment to bereavement. Journal of Loss and Trauma. 2003;8(1):41-71.</p></li><li><p>Hess D. Ritual in palliative care. In: MacLeod R, Van den Block L, editors. Textbook of Palliative Care. Cham: Springer; 2019. p. 283-294.</p></li><li><p>Kissane DW, Bloch S. Bereavement. In: Cherny NI, Fallon M, Kaasa S, Portenoy RK, Currow DC, editors. Oxford Textbook of Palliative Medicine. 6th ed. Oxford: Oxford University Press; 2021.</p></li><li><p>Mills J, Wand T, Fraser JA. Ritual: The final expression of care. International Journal of Nursing Practice. 2008;14(4):303-307.</p></li><li><p>Sas C, Coman A. Designing personal grief rituals: An analysis of symbolic objects and actions. Death Studies. 2016;40(9):558-569.</p></li><li><p>Van der Weegen K, Leget C, Stolte I, Van Humbeeck L. Approaching the spiritual dimension of palliative care through ritual. Journal of Religion and Health. 2019;58(6):2036-2046.</p></li><li><p>Webb B, Carter-Templeton H, Cunningham T. An integrative review of &#8220;The Pause&#8221; after patient death. Journal of Holistic Nursing. 2025;43(2):190-200. doi:10.1177/08980101231218366.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #072]]></title><description><![CDATA[Altera&#231;&#245;es farmacocin&#233;ticas na caquexia e sarcopenia]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-072</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-072</guid><pubDate>Wed, 10 Jun 2026 12:02:45 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0994b2cd-93ee-49af-9fae-bd99818c6f77_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Categorias</strong>: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/avaliacao-prognostica">Avalia&#231;&#227;o progn&#243;stica</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-sintomas">Manejo de sintomas</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/manejo-de-fim-de-vida">Manejo de fim de vida</a>
<strong>Autor(a)</strong>: Ana Fl&#225;via Figueiredo, farmac&#234;utica paliativista
<strong>Publicado em</strong>: 10/06/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>Pacientes com <em><strong>doen&#231;as amea&#231;adoras &#224; vida</strong></em> frequentemente apresentam perda importante de peso, de massa muscular e de reservas corporais ao longo da trajet&#243;ria de adoecimento. Em muitos casos, essas altera&#231;&#245;es passam despercebidas no momento da prescri&#231;&#227;o medicamentosa, embora possam modificar de forma significativa a resposta aos tratamentos. Na pr&#225;tica, n&#227;o &#233; incomum observar pacientes que desenvolvem <em><strong>efeitos adversos</strong></em> com doses habitualmente consideradas seguras ou que apresentam respostas terap&#234;uticas diferentes das esperadas. Parte dessas situa&#231;&#245;es pode estar relacionada &#224;s mudan&#231;as fisiol&#243;gicas associadas &#224; <em><strong>caquexia</strong></em> e &#224; <em><strong>sarcopenia</strong></em>, condi&#231;&#245;es altamente prevalentes em pessoas acompanhadas por equipes de <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>.</p><p>Compreender como essas altera&#231;&#245;es interferem no comportamento dos medicamentos no organismo &#233; fundamental para promover maior seguran&#231;a na prescri&#231;&#227;o, reduzir riscos e individualizar o cuidado. &#201; sobre esse tema que discutiremos nesta edi&#231;&#227;o da <em><strong>#PP</strong></em>.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? 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J&#225; a <em><strong>caquexia</strong></em> consiste em uma s&#237;ndrome metab&#243;lica complexa associada &#224; inflama&#231;&#227;o sist&#234;mica, perda muscular acentuada e redu&#231;&#227;o do tecido adiposo, frequentemente observada em doen&#231;as avan&#231;adas como c&#226;ncer, insufici&#234;ncia card&#237;aca, HIV/AIDS e doen&#231;as neurodegenerativas.</p><p>Embora distintas, ambas promovem altera&#231;&#245;es importantes na composi&#231;&#227;o corporal e na fisiologia dos &#243;rg&#227;os. A redu&#231;&#227;o da massa muscular, da &#225;gua corporal total e das reservas adiposas, associada a altera&#231;&#245;es hep&#225;ticas, renais e inflamat&#243;rias, pode modificar significativamente a forma como os medicamentos se comportam no organismo. Essas mudan&#231;as afetam diferentes etapas da <em><strong>farmacocin&#233;tica</strong></em> &#8212; especialmente distribui&#231;&#227;o, metabolismo e excre&#231;&#227;o &#8212;, tornando os pacientes mais suscet&#237;veis tanto &#224; <em><strong>toxicidade</strong></em> quanto &#224; perda de efic&#225;cia terap&#234;utica.</p><div><hr></div><h4>Altera&#231;&#245;es na distribui&#231;&#227;o e liga&#231;&#227;o proteica</h4><p>Uma das principais repercuss&#245;es da <em><strong>caquexia</strong></em> e da <em><strong>sarcopenia</strong></em> sobre a <em><strong>farmacocin&#233;tica</strong></em> ocorre na distribui&#231;&#227;o dos medicamentos. A redu&#231;&#227;o da massa muscular e da &#225;gua corporal total diminui o volume de distribui&#231;&#227;o dos f&#225;rmacos hidrossol&#250;veis, podendo elevar suas concentra&#231;&#245;es plasm&#225;ticas e aumentar o risco de <em><strong>toxicidade</strong></em>. Como consequ&#234;ncia, medicamentos como aminoglicos&#237;deos, l&#237;tio e digoxina podem produzir efeitos mais intensos mesmo quando utilizados em doses habituais.</p><p>A redu&#231;&#227;o do tecido adiposo tamb&#233;m modifica o comportamento dos medicamentos lipossol&#250;veis, alterando seu armazenamento e sua <em><strong>meia-vida</strong></em>. Em alguns pacientes, isso pode resultar em maior concentra&#231;&#227;o livre circulante e intensifica&#231;&#227;o de <em><strong>efeitos adversos</strong></em>, especialmente seda&#231;&#227;o, observada com <em><strong>benzodiazep&#237;nicos</strong></em> e <em><strong>opioides</strong></em> lipof&#237;licos, como o <em><strong>fentanil</strong></em>.</p><p>Al&#233;m das altera&#231;&#245;es na composi&#231;&#227;o corporal, pacientes com <em><strong>caquexia</strong></em> frequentemente apresentam hipoalbuminemia decorrente da inflama&#231;&#227;o cr&#244;nica, da desnutri&#231;&#227;o e da pr&#243;pria progress&#227;o da doen&#231;a. Como muitos medicamentos circulam ligados &#224; albumina plasm&#225;tica, a redu&#231;&#227;o dessa prote&#237;na aumenta a fra&#231;&#227;o livre farmacologicamente ativa do f&#225;rmaco, potencializando tanto seus efeitos terap&#234;uticos quanto seus efeitos t&#243;xicos.</p><p>Medicamentos com elevada liga&#231;&#227;o &#224; albumina, como <em><strong>varfarina</strong></em>, <em><strong>fenito&#237;na</strong></em> e <em><strong>diazepam</strong></em>, podem apresentar maior atividade cl&#237;nica mesmo sem altera&#231;&#245;es significativas em suas concentra&#231;&#245;es s&#233;ricas totais, refor&#231;ando a necessidade de monitoriza&#231;&#227;o cuidadosa e individualiza&#231;&#227;o da terap&#234;utica.</p><div><hr></div><h4>Metabolismo hep&#225;tico e excre&#231;&#227;o renal</h4><p>A <em><strong>caquexia</strong></em> tamb&#233;m pode comprometer a capacidade do organismo de metabolizar medicamentos. A redu&#231;&#227;o do fluxo sangu&#237;neo hep&#225;tico e da atividade de enzimas respons&#225;veis pela biotransforma&#231;&#227;o de f&#225;rmacos, especialmente aquelas do sistema citocromo P450, contribui para a diminui&#231;&#227;o do metabolismo de diversas subst&#226;ncias. Como consequ&#234;ncia, alguns medicamentos podem permanecer por mais tempo na circula&#231;&#227;o, prolongando seus efeitos e favorecendo o ac&#250;mulo.</p><p>Em pacientes fr&#225;geis acompanhados por equipes de <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>, <em><strong>opioides</strong></em>, <em><strong>benzodiazep&#237;nicos</strong></em>, <em><strong>antidepressivos</strong></em> e <em><strong>antipsic&#243;ticos</strong></em> podem apresentar efeito mais intenso e duradouro, exigindo ajuste individualizado de doses e monitoriza&#231;&#227;o cl&#237;nica frequente.</p><p>A avalia&#231;&#227;o da fun&#231;&#227;o renal tamb&#233;m representa um desafio importante. Como a creatinina s&#233;rica &#233; produzida a partir do metabolismo muscular, pacientes com perda significativa de massa muscular podem apresentar valores aparentemente normais, mesmo diante de redu&#231;&#227;o relevante da filtra&#231;&#227;o glomerular. Nessas situa&#231;&#245;es, a fun&#231;&#227;o renal pode ser superestimada, resultando em doses inadequadamente elevadas de medicamentos eliminados pelos rins. Isso aumenta o risco de <em><strong>toxicidade</strong></em> com diversos f&#225;rmacos frequentemente utilizados na pr&#225;tica cl&#237;nica, incluindo <em><strong>antimicrobianos</strong></em>, <em><strong>opioides</strong></em> e <em><strong>anticoagulantes</strong></em>.</p><p>Essas altera&#231;&#245;es no metabolismo hep&#225;tico e na excre&#231;&#227;o renal ajudam a explicar por que pacientes com <em><strong>caquexia</strong></em> ou <em><strong>sarcopenia</strong></em> frequentemente apresentam maior sensibilidade aos medicamentos. Nesses casos, doses habituais podem produzir efeitos mais intensos, prolongados ou t&#243;xicos. Por esse motivo, uma estrat&#233;gia amplamente recomendada &#233; o princ&#237;pio do &#8220;<em>start low, go slow</em>&#8220; &#8212; iniciar o tratamento com doses menores do que as habitualmente utilizadas e realizar ajustes graduais, sempre guiados pela resposta cl&#237;nica e pela ocorr&#234;ncia de <em><strong>efeitos adversos</strong></em>.</p><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong>Inicie</strong> medicamentos com cautela, utilizando doses menores e titula&#231;&#227;o gradual (&#8221;<em>start low, go slow</em>&#8220;), especialmente em pacientes com perda importante de peso e massa muscular.</p></li><li><p><strong>Monitore</strong> sinais de <em><strong>toxicidade</strong></em>, como seda&#231;&#227;o excessiva, <em><strong>delirium</strong></em>, hipotens&#227;o e <em><strong>efeitos adversos</strong></em> relacionados ao ac&#250;mulo de medicamentos.</p></li><li><p><strong>Interprete</strong> exames laboratoriais de forma cr&#237;tica, lembrando que a creatinina s&#233;rica pode superestimar a fun&#231;&#227;o renal em pacientes sarcop&#234;nicos e que a hipoalbuminemia pode aumentar a fra&#231;&#227;o livre de alguns f&#225;rmacos.</p></li><li><p><strong>Reavalie</strong> regularmente a farmacoterapia, reduzindo a <em><strong>polifarm&#225;cia</strong></em> e priorizando medicamentos com benef&#237;cio sintom&#225;tico e alinhados ao <em><strong>objetivo do cuidado</strong></em>.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; Em pacientes caqu&#233;ticos ou sarcop&#234;nicos, desconfie tanto da creatinina "normal" quanto dos sintomas atribu&#237;dos &#224; progress&#227;o da doen&#231;a. &#192;s vezes, o rim est&#225; pior do que o exame sugere e a sonol&#234;ncia, a confus&#227;o mental ou a piora funcional s&#227;o sinais de toxicidade medicamentosa, n&#227;o da progress&#227;o da doen&#231;a de base.</p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>O gloss&#225;rio paliativo traz os principais termos que voc&#234; precisa conhecer em cuidados paliativos. A cada edi&#231;&#227;o da P&#237;lula Paliativa voc&#234; encontrar&#225; neste espa&#231;o os termos citados.</strong></h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://speckled-python-dcf.notion.site/1634cf5e72e98157b580f4e584f8a9dd?pvs=4" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:485,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:&quot;https://speckled-python-dcf.notion.site/1634cf5e72e98157b580f4e584f8a9dd?pvs=4&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, 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fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" class="icon-noB79L"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image buttonBase-GK1x3M"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2 icon-noB79L"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Anticoagulante: </strong><em>Grupo de medicamentos que reduzem a forma&#231;&#227;o ou a progress&#227;o de co&#225;gulos sangu&#237;neos por meio da interfer&#234;ncia em diferentes etapas da coagula&#231;&#227;o. S&#227;o utilizados na preven&#231;&#227;o e no tratamento de eventos tromboemb&#243;licos.

</em><strong>Antidepressivo:</strong><em> Grupo de medicamentos que atuam na modula&#231;&#227;o de neurotransmissores, como serotonina, noradrenalina e dopamina, com o objetivo de aliviar sintomas depressivos e ansiosos.

</em><strong>Antimicrobiano:</strong><em> Grupo de medicamentos utilizados para prevenir ou tratar infec&#231;&#245;es causadas por microrganismos, como bact&#233;rias, v&#237;rus, fungos e parasitas. Inclui classes como antibi&#243;ticos, antivirais, antif&#250;ngicos e antiparasit&#225;rios.

</em><strong>Antipsic&#243;tico: </strong><em>Grupo de medicamentos utilizados principalmente no tratamento de sintomas psic&#243;ticos, como del&#237;rios e alucina&#231;&#245;es. Tamb&#233;m podem ser empregados no manejo de n&#225;useas, delirium, agita&#231;&#227;o, ansiedade e outros sintomas, dependendo de suas propriedades farmacol&#243;gicas.

</em><strong>Benzodiazep&#237;nico: </strong><em>Classe de medicamentos com a&#231;&#227;o ansiol&#237;tica, hipn&#243;tica, anticonvulsivante e sedativa, atuando por modula&#231;&#227;o do receptor GABA-A.

</em><strong>Caquexia: </strong><em>S&#237;ndrome multifatorial caracterizada por perda involunt&#225;ria de peso, redu&#231;&#227;o de massa muscular com ou sem perda de tecido adiposo, inflama&#231;&#227;o sist&#234;mica e altera&#231;&#245;es metab&#243;licas, n&#227;o totalmente revers&#237;vel por suporte nutricional isolado.

</em><strong>Delirium: </strong><em>Dist&#250;rbio agudo, transit&#243;rio e geralmente revers&#237;vel, caracterizado pela altera&#231;&#227;o flutuante da aten&#231;&#227;o, da cogni&#231;&#227;o e do n&#237;vel de consci&#234;ncia. Geralmente, secund&#225;rio &#224; doen&#231;a org&#226;nica, representando uma disfun&#231;&#227;o neurol&#243;gica associada.

</em><strong>Diazepam: </strong><em>Benzodiazep&#237;nico de longa a&#231;&#227;o.

</em><strong>Doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida: </strong><em>Condi&#231;&#227;o de sa&#250;de de qualquer etiologia, ativa, grave, progressiva e que causa sofrimento multidimensional ao paciente, seus familiares e cuidadores.

</em><strong>Efeito adverso: </strong><em>Efeito nocivo e n&#227;o intencional decorrente do uso de um medicamento ou interven&#231;&#227;o em sa&#250;de, que ocorre nas doses habitualmente utilizadas para preven&#231;&#227;o, diagn&#243;stico ou tratamento de doen&#231;as. Diferencia-se do efeito colateral por necessariamente implicar dano ou preju&#237;zo ao paciente.

</em><strong>Farmacocin&#233;tica: </strong><em>Ramo da farmacologia que estuda o percurso dos medicamentos no organismo, incluindo os processos de absor&#231;&#227;o, distribui&#231;&#227;o, metabolismo e excre&#231;&#227;o. Diferencia-se da farmacodin&#226;mica por avaliar o que o organismo faz com o medicamento, e n&#227;o os efeitos do medicamento sobre o organismo.

</em><strong>Fenito&#237;na: </strong><em>Anticonvulsivante que atua principalmente por meio do bloqueio dos canais de s&#243;dio dependentes de voltagem.

</em><strong>Fentanil: </strong><em>Opioide sint&#233;tico forte, 50-100 vezes mais potente que a morfina, com in&#237;cio r&#225;pido e curta dura&#231;&#227;o.

</em><strong>Meia-vida:</strong><em> Tempo necess&#225;rio para que a concentra&#231;&#227;o de um medicamento no organismo seja reduzida &#224; metade. &#201; um par&#226;metro utilizado para estimar a dura&#231;&#227;o do efeito do f&#225;rmaco, a frequ&#234;ncia de administra&#231;&#227;o e o tempo necess&#225;rio para sua elimina&#231;&#227;o ap&#243;s a suspens&#227;o.

</em><strong>Objetivo do cuidado:</strong><em> Objetivo a ser alcan&#231;ado com o tratamento, definido com base nos valores e prefer&#234;ncias do paciente por meio de um processo de tomada de decis&#227;o compartilhada. Exemplos de objetivos do cuidado incluem: "cura da doen&#231;a", "prolongamento da vida a qualquer custo", "manuten&#231;&#227;o ou melhoria da funcionalidade", "prolongamento da vida sem medidas que causem sofrimento", "promo&#231;&#227;o da qualidade de vida" e "uma boa morte".

</em><strong>Opioide: </strong><em>Termo que engloba os alcaloides derivados da papoula (Papaver somniferum), seus an&#225;logos sint&#233;ticos e as subst&#226;ncias end&#243;genas que se ligam aos receptores opioides distribu&#237;dos por todo o corpo. Como medicamentos, s&#227;o utilizados principalmente para o controle da dor, mas tamb&#233;m podem ser eficazes no al&#237;vio de outros sintomas.

</em><strong>Polifarm&#225;cia:</strong><em> Uso simult&#226;neo de 5 ou mais medicamentos que, embora muitas vezes necess&#225;rio, aumenta o risco de intera&#231;&#245;es medicamentosas, rea&#231;&#245;es adversas e dificulta a ades&#227;o ao tratamento.

</em><strong>Sarcopenia:</strong><em> Condi&#231;&#227;o caracterizada pela redu&#231;&#227;o da for&#231;a muscular, associada ou n&#227;o &#224; diminui&#231;&#227;o da massa muscular e do desempenho f&#237;sico. Seu diagn&#243;stico baseia-se na identifica&#231;&#227;o de baixa for&#231;a muscular, confirmada pela redu&#231;&#227;o da quantidade ou qualidade muscular.

</em><strong>Toxicidade: </strong><em>Capacidade de uma subst&#226;ncia ou interven&#231;&#227;o causar efeitos nocivos ao organismo. Em contexto cl&#237;nico, refere-se ao conjunto de efeitos adversos decorrentes da exposi&#231;&#227;o a doses excessivas ou da sensibilidade individual a determinado tratamento.

</em><strong>Varfarina: </strong><em>Anticoagulante oral que atua por antagonismo da vitamina K, reduzindo a s&#237;ntese de fatores de coagula&#231;&#227;o dependentes dessa vitamina. Necessita de monitoriza&#231;&#227;o regular por meio da Raz&#227;o Normalizada Internacional (RNI) para ajuste da dose e manuten&#231;&#227;o da efic&#225;cia e seguran&#231;a do tratamento.</em></pre></div><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Fearon K, Strasser F, Anker SD, Bosaeus I, Bruera E, Fainsinger RL, et al. Definition and classification of cancer cachexia: an international consensus. Lancet Oncol. 2011;12(5):489-495.</p></li><li><p>Prado CMM, Purcell SA, Laviano A. Nutrition interventions to treat low muscle mass in cancer cachexia: a systematic review. Journal of Parenteral and Enteral Nutrition. 2020;44(2):247-259.</p></li><li><p>Clegg A, Hassan-Smith Z. Frailty and the endocrine system. Lancet Diabetes Endocrinol. 2018;6(9):743-752.</p></li><li><p>McLachlan AJ, Pont LG. Drug metabolism in older people: a key consideration in achieving optimal outcomes with medicines. Journals of Gerontology Series A: Biological Sciences and Medical Sciences. 2012;67(2):175-180.</p></li><li><p>Delanaye P, Cavalier E, Radermecker RP, Krzesinski JM. Estimation of glomerular filtration rate in elderly patients with sarcopenia. Nephron Clinical Practice. 2013;123(1-2):7-11.</p></li><li><p>Currow DC, Abernethy AP. Pharmacological management of symptoms in palliative care. Medical Journal of Australia. 2008;188(S3):S72-S75.</p><p>Twycross R, Wilcock A, Howard P. Palliative Care Formulary. 6th ed. Nottingham: <a href="http://Palliativedrugs.com">Palliativedrugs.com</a> Ltd; 2017.</p></li><li><p>American Geriatrics Society Beers Criteria&#174; Update Expert Panel. American Geriatrics Society 2023 updated AGS Beers Criteria&#174; for potentially inappropriate medication use in older adults. Journal of the American Geriatrics Society. 2023;71(7):2052-2081.</p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pílula Paliativa #071]]></title><description><![CDATA[Cuidados Paliativos na Gradua&#231;&#227;o em Medicina]]></description><link>https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-071</link><guid isPermaLink="false">https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/p/pilula-paliativa-071</guid><pubDate>Wed, 03 Jun 2026 12:01:12 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/5ed0fbfa-b3a7-412e-8960-eb88b6aa3388_1260x900.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Categorias</strong>: <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/gestao-em-cuidados-paliativos">Gest&#227;o em cuidados paliativos</a>, <a href="https://pilulaspaliativas.substack.com/t/educacao-em-cuidados-paliativos">Educa&#231;&#227;o em Cuidados Paliativos</a>
<strong>Autor(a)</strong>: Juliana Martins, m&#233;dica cl&#237;nica e paliativista
<strong>Publicado em</strong>: 03/06/2026</pre></div><div><hr></div><h4>Contexto</h4><p>Seja qual for o caminho profissional escolhido ap&#243;s a gradua&#231;&#227;o, todo m&#233;dico cuidar&#225; de pessoas com <em><strong>doen&#231;as amea&#231;adoras &#224; vida</strong></em> em maior ou menor frequ&#234;ncia. Por isso, compet&#234;ncias da abordagem paliativa &#8212; como comunica&#231;&#227;o de not&#237;cias sens&#237;veis, <em><strong>tomada de decis&#227;o compartilhada</strong></em> e <em><strong>manejo de sintomas</strong></em> &#8212; deveriam fazer parte da forma&#231;&#227;o de todos os estudantes de Medicina. Ainda assim, o ensino de <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> na gradua&#231;&#227;o permanece heterog&#234;neo, muitas vezes fragmentado, tardio ou dependente do interesse individual de docentes e estudantes. A literatura aponta que n&#227;o basta abordar o tema em aulas isoladas. &#201; necess&#225;rio desenvolver compet&#234;ncias ao longo de todo o curso, combinando conhecimento te&#243;rico, pr&#225;tica supervisionada, reflex&#227;o, contato cl&#237;nico e avalia&#231;&#227;o. Nesse contexto, esta <em><strong>#PP</strong></em> discute os desafios e as oportunidades relacionados ao ensino de <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> na gradua&#231;&#227;o em Medicina.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://pilulas.habilidadespaliativas.com.br/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou desta P&#237;lula Paliativa? 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Entre eles, destacam-se:</p><ul><li><p>Princ&#237;pios dos <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em></p></li><li><p><em><strong>Manejo de sintomas</strong></em> frequentes</p></li><li><p>Comunica&#231;&#227;o em situa&#231;&#245;es dif&#237;ceis</p></li><li><p>Condu&#231;&#227;o de processos de <em><strong>tomada de decis&#227;o compartilhada</strong></em></p></li><li><p>Aspectos &#233;ticos e legais do cuidado</p></li><li><p>Reconhecimento do <em><strong>sofrimento</strong></em> em suas m&#250;ltiplas dimens&#245;es</p></li><li><p><em><strong>Abordagem interdisciplinar</strong></em>.</p></li></ul><p>Mais do que conte&#250;dos isolados, essas compet&#234;ncias representam formas de pensar e exercer a medicina. Saber comunicar uma not&#237;cia sens&#237;vel, discutir o <em><strong>objetivo do cuidado</strong></em>, reconhecer necessidades psicossociais e espirituais ou manejar <em><strong>dor</strong></em> ou <em><strong>dispneia</strong></em> n&#227;o s&#227;o habilidades restritas ao <em><strong>paliativista</strong></em>, mas compet&#234;ncias necess&#225;rias em diferentes cen&#225;rios assistenciais, como a aten&#231;&#227;o prim&#225;ria, enfermarias, unidades de terapia intensiva e servi&#231;os de urg&#234;ncia e emerg&#234;ncia. Por isso, o objetivo da gradua&#231;&#227;o n&#227;o &#233; formar especialistas em <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em>: &#233; possibilitar que todo m&#233;dico desenvolva compet&#234;ncias paliativas b&#225;sicas para oferecer um <em><strong>cuidado centrado na pessoa</strong></em>.</p><div><hr></div><h4>Como ensinar Cuidados Paliativos na gradua&#231;&#227;o em Medicina?</h4><p>Assim como ocorre com outras compet&#234;ncias complexas da pr&#225;tica m&#233;dica, o ensino de <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> n&#227;o pode se limitar &#224; transmiss&#227;o de conhecimento te&#243;rico. Embora aulas expositivas contribuam para a compreens&#227;o de conceitos fundamentais, o desenvolvimento das compet&#234;ncias exige oportunidades de pr&#225;tica supervisionada, reflex&#227;o e feedback.</p><p>A literatura aponta que estrat&#233;gias educacionais ativas tendem a produzir melhores resultados. Simula&#231;&#245;es, <em>roleplay</em>, discuss&#227;o de casos cl&#237;nicos, pacientes padronizados, atividades reflexivas e aprendizagem interprofissional est&#227;o entre as metodologias mais frequentemente recomendadas. Essas abordagens permitem que os estudantes desenvolvam compet&#234;ncias t&#233;cnicas e relacionais em ambientes seguros, nos quais o erro pode ser discutido e transformado em oportunidade de aprendizagem.</p><p>Entretanto, um dos achados mais consistentes dos estudos &#233; a import&#226;ncia do contato com pacientes reais. Vivenciar situa&#231;&#245;es de adoecimento grave, acompanhar conversas dif&#237;ceis e observar profissionais experientes lidando com incertezas e emo&#231;&#245;es possibilitam aprendizagens que dificilmente s&#227;o reproduzidas em sala de aula. Por esse motivo, recomenda-se que o ensino dos <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> esteja distribu&#237;do ao longo da gradua&#231;&#227;o, associado a experi&#234;ncias cl&#237;nicas supervisionadas e oportunidades estruturadas de reflex&#227;o sobre a pr&#225;tica.</p><div><hr></div><h4>Da recomenda&#231;&#227;o &#224; implementa&#231;&#227;o curricular</h4><p>O ensino de <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> na gradua&#231;&#227;o m&#233;dica brasileira vem passando por uma transforma&#231;&#227;o importante. Em levantamento nacional realizado em 2018, apenas 44 das 315 escolas m&#233;dicas brasileiras (14%) inclu&#237;am formalmente conte&#250;dos relacionados aos <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> em seus curr&#237;culos. Al&#233;m disso, observava-se grande heterogeneidade na carga hor&#225;ria, no momento de inser&#231;&#227;o curricular e nos cen&#225;rios de aprendizagem oferecidos aos estudantes. Estudos mais recentes mostram que os desafios persistem tamb&#233;m no campo da pr&#225;tica, uma vez que menos da metade dos servi&#231;os especializados oferece atividades para estudantes de gradua&#231;&#227;o.</p><p>Apesar dessas limita&#231;&#245;es, avan&#231;os importantes ocorreram nos &#250;ltimos anos. Em 2022, as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) passaram a mencionar explicitamente compet&#234;ncias relacionadas aos <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> na forma&#231;&#227;o m&#233;dica, movimento posteriormente refor&#231;ado pelas DCNs de 2025. Esses documentos reconhecem que o cuidado de pessoas com <em><strong>doen&#231;as amea&#231;adoras &#224; vida</strong></em> n&#227;o &#233; responsabilidade exclusiva de especialistas, mas uma compet&#234;ncia necess&#225;ria ao m&#233;dico generalista.</p><p>Mais do que criar disciplinas espec&#237;ficas, os debates atuais apontam para a necessidade de uma integra&#231;&#227;o longitudinal dos <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> ao longo da gradua&#231;&#227;o. Afinal, compet&#234;ncias como comunica&#231;&#227;o, <em><strong>manejo de sintomas</strong></em>, <em><strong>abordagem interdisciplinar</strong></em> e <em><strong>cuidado centrado na pessoa</strong></em> n&#227;o pertencem a uma &#250;nica especialidade, mas atravessam toda a pr&#225;tica m&#233;dica.</p><p>A incorpora&#231;&#227;o dos <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> &#224; gradua&#231;&#227;o m&#233;dica representa a busca por compet&#234;ncias que qualificam o cuidado em qualquer cen&#225;rio assistencial. O desafio atual j&#225; n&#227;o &#233; definir o que deve ser ensinado, mas garantir que todos os estudantes tenham oportunidades reais de desenvolver essas compet&#234;ncias ao longo de sua trajet&#243;ria formativa.</p><div><hr></div><h4>Modo de usar:</h4><h5><strong>Descubra como aplicar esta p&#237;lula paliativa de forma pr&#225;tica em seu dia a dia.</strong></h5><ul><li><p><strong>Identifique</strong> oportunidades para abordar compet&#234;ncias em <em><strong>Cuidados Paliativos</strong></em> nas atividades cl&#237;nicas e disciplinas j&#225; existentes.</p></li><li><p><strong>Combine</strong> aulas te&#243;ricas com metodologias ativas, como simula&#231;&#245;es, discuss&#227;o de casos e atividades reflexivas.</p></li><li><p><strong>Valorize</strong> experi&#234;ncias cl&#237;nicas supervisionadas como espa&#231;o privilegiado para o desenvolvimento de compet&#234;ncias paliativas.</p></li></ul><div><hr></div><h4>Dica da especialista &#129292;&#127995; </h4><h5><strong>Voc&#234; j&#225; tem o </strong><em><strong>e-pali</strong></em><strong> ou costuma ler </strong><em><strong>A incr&#237;vel newsletter paliativa?</strong></em><strong> Ent&#227;o j&#225; sabe que essa &#233; uma se&#231;&#227;o especial: aqui compartilhamos insights a partir da nossa vis&#227;o e experi&#234;ncia profissional.</strong></h5><p>&#128161; <em>A literatura mostra que o contato com pacientes reais &#233; um dos elementos mais importantes para o aprendizado em <strong>Cuidados Paliativos</strong>. Na minha experi&#234;ncia como docente, isso se confirma diariamente. Os estudantes aprendem n&#227;o apenas com o que ensinamos, mas tamb&#233;m observando como nos comunicamos, tomamos decis&#245;es e cuidamos das pessoas. Por isso, experi&#234;ncias cl&#237;nicas supervisionadas e bons modelos profissionais s&#227;o componentes t&#227;o importantes quanto qualquer conte&#250;do curricular.</em></p><div><hr></div><h4>Gloss&#225;rio Paliativo &#128506;</h4><h5><strong>O gloss&#225;rio paliativo traz os principais termos que voc&#234; precisa conhecer em cuidados paliativos. A cada edi&#231;&#227;o da P&#237;lula Paliativa voc&#234; encontrar&#225; neste espa&#231;o os termos citados.</strong></h5><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="https://speckled-python-dcf.notion.site/1634cf5e72e98157b580f4e584f8a9dd?pvs=4" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_848,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 848w, 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:485,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:&quot;https://speckled-python-dcf.notion.site/1634cf5e72e98157b580f4e584f8a9dd?pvs=4&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!RaR5!,w_424,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcab91e35-a406-4b30-99b0-9d6fe59d362e_3000x1000.png 424w, 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H&#225; o compartilhamento de informa&#231;&#245;es e experi&#234;ncias que permite a tomada de decis&#245;es conjuntas e a constru&#231;&#227;o de um plano de cuidados colaborativo. Se diferencia do atendimento multidisciplinar por prever a estreita intera&#231;&#227;o entre os membros da equipe, mesmo que n&#227;o no momento do atendimento.

</em><strong>Cuidado centrado na pessoa</strong>:<em> Abordagem do cuidado em sa&#250;de que coloca a pessoa - e n&#227;o apenas sua condi&#231;&#227;o cl&#237;nica - no centro do processo de cuidado. Prop&#245;e que o servi&#231;o de sa&#250;de se ajuste &#224;s necessidades, valores e prefer&#234;ncias do paciente, promovendo uma parceria ativa entre equipe, paciente, familiares e cuidadores. Essa abordagem busca garantir que todos sejam respeitados, bem informados, engajados nas decis&#245;es, apoiados e tratados com dignidade, compaix&#227;o e empatia.

</em><strong>Dispneia</strong><em>: Sensa&#231;&#227;o subjetiva de dificuldade ou desconforto para respirar, com intensidade vari&#225;vel. Resulta da intera&#231;&#227;o de fatores fisiol&#243;gicos, psicol&#243;gicos, sociais e ambientais, podendo desencadear respostas f&#237;sicas e emocionais.

</em><strong>Doen&#231;a amea&#231;adora &#224; vida</strong><em>: Condi&#231;&#227;o de sa&#250;de de qualquer etiologia, ativa, grave, progressiva e que causa sofrimento multidimensional ao paciente, seus familiares e cuidadores.

</em><strong>Dor</strong><em>: De acordo com a Associa&#231;&#227;o Internacional para o Estudo da Dor (IASP), &#233; &#8220;uma experi&#234;ncia sensitiva e emocional desagrad&#225;vel associada a uma les&#227;o tecidual real ou potencial, ou descrita nos termos de tal les&#227;o&#8221;.

</em><strong>Manejo de sintomas: </strong><em>Habilidade paliativa que envolve a avalia&#231;&#227;o, preven&#231;&#227;o e tratamento de sintomas f&#237;sicos, psicol&#243;gicos, sociais e espirituais, por meio de interven&#231;&#245;es farmacol&#243;gicas e n&#227;o farmacol&#243;gicas, com o objetivo de aliviar o sofrimento e promover conforto e qualidade de vida.

</em><strong>Objetivo do cuidado</strong><em>: Objetivo a ser alcan&#231;ado com o tratamento, definido com base nos valores e prefer&#234;ncias do paciente por meio de um processo de tomada de decis&#227;o compartilhada. Exemplos de objetivos do cuidado incluem: "cura da doen&#231;a", "prolongamento da vida a qualquer custo", "manuten&#231;&#227;o ou melhoria da funcionalidade", "prolongamento da vida sem medidas que causem sofrimento", "promo&#231;&#227;o da qualidade de vida" e "uma boa morte".

</em><strong>Paliativista</strong><em>: Profissional de sa&#250;de especialista em Cuidados Paliativos. No Brasil, o reconhecimento da especializa&#231;&#227;o em Cuidados Paliativos se d&#225; atrav&#233;s da prova de t&#237;tulo - promovida pela Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), em parceria com a Associa&#231;&#227;o M&#233;dica Brasileira (AMB) e a Associa&#231;&#227;o Brasileira de Enfermagem (ABEn), anualmente para m&#233;dicos(as) e enfermeiros(as) - ou da resid&#234;ncia m&#233;dica ou multiprofissional - que pode ser feita por profissionais da Enfermagem, Farm&#225;cia, Fonoaudiologia, Fisioterapia, Nutri&#231;&#227;o, Psicologia, Servi&#231;o Social e Terapia Ocupacional.

</em><strong>Sofrimento</strong><em>: Experi&#234;ncia repulsiva e sua emo&#231;&#227;o negativa correspondente. Pode ser de natureza f&#237;sica, psicoemocional, social e/ou espiritual.

</em><strong>Tomada de decis&#227;o compartilhada</strong><em>: Processo colaborativo em que profissionais de sa&#250;de, pacientes e &#8212; quando apropriado &#8212; seus familiares ou representantes constroem juntos as decis&#245;es sobre o cuidado, integrando evid&#234;ncias cl&#237;nicas (conhecimento t&#233;cnico) com os valores, prefer&#234;ncias e objetivos de vida do paciente.</em></pre></div><div><hr></div><h4>Refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas</h4><ol><li><p>Castro AA, Taquette SR, Marques NI. Cuidados paliativos: inser&#231;&#227;o do ensino nas escolas m&#233;dicas do Brasil. Rev Bras Educ Med. 2021;45(2):e056.</p></li><li><p>Castro AA, Campos LRO, Alves MRMFA, Marassi SH, Rocha KM, Silva TA. Ensino de cuidados paliativos na gradua&#231;&#227;o: desafios e caminhos apontados por estudantes e docentes m&#233;dicos. Rev Bras Educ Med. 2025;49(3):e119.</p></li><li><p>Brasil. Conselho Nacional de Educa&#231;&#227;o. C&#226;mara de Educa&#231;&#227;o Superior. Resolu&#231;&#227;o CNE/CES n&#186; 3, de 3 de novembro de 2022. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Gradua&#231;&#227;o em Medicina e d&#225; outras provid&#234;ncias.</p></li><li><p>Brasil. Conselho Nacional de Educa&#231;&#227;o. C&#226;mara de Educa&#231;&#227;o Superior. Resolu&#231;&#227;o CNE/CES n&#186; 4, de 29 de maio de 2025. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Gradua&#231;&#227;o em Medicina.</p></li><li><p>Pieters J, Dolmans DHJM, van den Beuken-van Everdingen MHJ, Warmenhoven FC, Westen JH, Verstegen DML. A national palliative care competency framework for undergraduate medical curricula. BMC Palliat Care. 2019;18(1):72.</p></li><li><p>Head BA, Schapmire TJ, Earnshaw L, Chenault J, Pfeifer M, Sawning S, et al. Raising the bar for the care of seriously ill patients: results of a national survey to define essential palliative care competencies for medical students and residents. Acad Med. 2016;91(7):1024-1031.</p></li><li><p>Centeno C, Lynch T, Donea O, Rocafort J, Clark D. From EAPC recommendations to a standardized undergraduate curriculum in palliative medicine. Palliat Med. 2023.</p></li><li><p>Mason S, Pedrosa A, Pastrana T, Nevin M, Ka&#328;&#225;k J, Pereira J, et al. Best teaching practices in primary palliative care education for health professions students. 2025.</p></li><li><p>Heath L, Egan R, Iosua E, Walker R, Ross J, MacLeod R. Twelve tips for developing palliative care teaching in an undergraduate curriculum.</p></li></ol>]]></content:encoded></item></channel></rss>